{"id":22240,"date":"2026-04-01T14:16:05","date_gmt":"2026-04-01T17:16:05","guid":{"rendered":"https:\/\/vimagazine.com.br\/?p=22240"},"modified":"2026-04-01T14:35:29","modified_gmt":"2026-04-01T17:35:29","slug":"quando-o-amor-vira-disputa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vimagazine.com.br\/?p=22240","title":{"rendered":"Quando o amor vira disputa"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><em><strong>O desabafo de um pai que chegou ao limite<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a termos jur\u00eddicos e formalidades processuais, um documento recente revelou algo que vai muito al\u00e9m de um conflito de fam\u00edlia. Trata-se do relato de um pai (aqui chamado de&nbsp;<strong>W<\/strong>.) que decidiu expor em redes sociais, em forma de peti\u00e7\u00e3o judicial, o esgotamento emocional de uma batalha para ver o filho.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto, anexado a um processo que tramita na Justi\u00e7a de Goi\u00e1s, chama aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas pelo conte\u00fado, mas pelo tom. O pr\u00f3prio advogado afirma, logo no in\u00edcio, que se trata de uma das pe\u00e7as mais tristes que j\u00e1 escreveu em mais de duas d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma conviv\u00eancia cercada de obst\u00e1culos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Com pouco mais de 20 anos de atua\u00e7\u00e3o, este advogado reconhece que esta \u00e9 uma das peti\u00e7\u00f5es mais tristes que j\u00e1 redigiu, ap\u00f3s acompanhar de perto as sucessivas situa\u00e7\u00f5es dolorosas vividas pelas partes ao longo de um lit\u00edgio t\u00e3o intenso&#8221;,&nbsp;<\/em>disse o advogado no documento.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relato, W. enfrentou uma s\u00e9rie de dificuldades para exercer o conv\u00edvio com o filho, identificado aqui como&nbsp;<strong>B<\/strong>. Entre os epis\u00f3dios narrados est\u00e3o acusa\u00e7\u00f5es falsas feitas pela m\u00e3e (posteriormente rejeitadas pelo tribunal), dificuldades de acesso \u00e0 escola da crian\u00e7a e at\u00e9 a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre sa\u00fade e desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O que deveria ser rotina, como buscar o filho, passar um fim de semana juntos ou participar da vida escolar, transformou-se, segundo ele, em uma sequ\u00eancia de conflitos. Viagens repetidas pela cidade, incertezas sobre os encontros e a impossibilidade de pernoites contribu\u00edram para um cen\u00e1rio descrito como \u201cemocionalmente devastador\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuase sempre h\u00e1 conflito\u201d, diz o texto. E, a cada novo epis\u00f3dio, o desgaste se aprofunda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aliena\u00e7\u00e3o parental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s desses obst\u00e1culos, surge uma acusa\u00e7\u00e3o recorrente e sens\u00edvel: a de aliena\u00e7\u00e3o parental. Segundo o pai, a m\u00e3e teria descumprido reiteradamente determina\u00e7\u00f5es judiciais que garantiam o conv\u00edvio entre ele e o filho, criando barreiras que, na pr\u00e1tica, impediram o exerc\u00edcio desse direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o relato, as visitas foram frustradas in\u00fameras vezes, mesmo quando previamente estabelecidas pela Justi\u00e7a. A situa\u00e7\u00e3o teria se agravado a tal ponto que foi necess\u00e1rio cogitar uma medida extrema: o pedido de busca e apreens\u00e3o da crian\u00e7a para assegurar o cumprimento da conviv\u00eancia determinada judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que um embate jur\u00eddico, o epis\u00f3dio revela o n\u00edvel de deteriora\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os adultos e como isso acaba recaindo diretamente sobre a crian\u00e7a, colocada no centro de uma disputa que deveria proteg\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O custo invis\u00edvel da disputa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da dist\u00e2ncia afetiva, h\u00e1 tamb\u00e9m o peso financeiro. Para se defender das acusa\u00e7\u00f5es, W. afirma ter comprometido recursos que n\u00e3o possu\u00eda, acumulando despesas em um processo que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o garantiu o conv\u00edvio que buscava.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 no campo emocional que o impacto parece mais profundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um dos trechos mais marcantes, a peti\u00e7\u00e3o deixa claro que a postura atual n\u00e3o nasce da falta de interesse, mas do cansa\u00e7o extremo. \u201cEle chegou ao limite\u201d, registra o documento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tr\u00eas caminhos: todos dolorosos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o pai apresenta tr\u00eas propostas \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira sugere reduzir ao m\u00ednimo o conv\u00edvio, deixando os encontros condicionados \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e e \u00e0 vontade da crian\u00e7a. A segunda, ainda mais radical, prop\u00f5e a extin\u00e7\u00e3o da paternidade, encerrando formalmente o v\u00ednculo jur\u00eddico entre pai e filho. J\u00e1 a terceira tenta preservar alguma estrutura: mant\u00e9m pens\u00e3o e conviv\u00eancia, se houver um compromisso de reduzir conflitos e interfer\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em comum, todas as propostas carregam um elemento simb\u00f3lico forte: a ren\u00fancia. W. abre m\u00e3o de disputas patrimoniais e de outras reivindica\u00e7\u00f5es judiciais. Segundo o texto, ele n\u00e3o busca mais ganhar, busca paz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre o direito e o afeto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caso escancara uma realidade frequentemente silenciosa: quando rela\u00e7\u00f5es familiares chegam ao Judici\u00e1rio, nem sempre h\u00e1 vencedores. O que se v\u00ea, muitas vezes, \u00e9 o desgaste progressivo de v\u00ednculos que deveriam ser protegidos.<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, h\u00e1 uma refer\u00eancia simb\u00f3lica \u00e0 hist\u00f3ria b\u00edblica do rei Salom\u00e3o: aquela em que uma m\u00e3e prefere abrir m\u00e3o do filho a v\u00ea-lo sofrer. A analogia n\u00e3o \u00e9 casual. Ela sintetiza o dilema vivido por W: permanecer na disputa ou recuar para evitar mais dor.<\/p>\n\n\n\n<h3>O que permanece<\/h3>\n\n\n\n<p>Independentemente do desfecho jur\u00eddico, a hist\u00f3ria evidencia algo maior: o impacto humano por tr\u00e1s dos processos. Entre decis\u00f5es, recursos e argumentos legais, existem pessoas lidando com frustra\u00e7\u00f5es, expectativas e perdas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas entrelinhas de uma peti\u00e7\u00e3o formal, o que se percebe \u00e9 um sentimento dif\u00edcil de traduzir em termos jur\u00eddicos: h\u00e1 momentos em que insistir deixa de ser um ato de esperan\u00e7a e passa a ser apenas uma forma de prolongar o desgaste.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado, o advogado respons\u00e1vel pela peti\u00e7\u00e3o optou por n\u00e3o comentar o caso neste momento, em raz\u00e3o do processo ainda estar em curso.<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img src=\"https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Captura-de-Tela-2026-03-27-as-09.46.32-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22243\" width=\"439\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Captura-de-Tela-2026-03-27-as-09.46.32-1.jpg 877w, https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Captura-de-Tela-2026-03-27-as-09.46.32-1-300x205.jpg 300w, https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Captura-de-Tela-2026-03-27-as-09.46.32-1-768x524.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desabafo de um pai que chegou ao limite Em meio a termos jur\u00eddicos e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22250,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"spay_email":""},"categories":[27],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Amor-que-virou-disputa.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22240"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22240"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22252,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22240\/revisions\/22252"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}