{"id":9173,"date":"2023-04-17T17:09:01","date_gmt":"2023-04-17T20:09:01","guid":{"rendered":"https:\/\/vimagazine.com.br\/?p=9173"},"modified":"2023-04-17T17:09:04","modified_gmt":"2023-04-17T20:09:04","slug":"juiza-federal-fala-sobre-o-empoderamento-da-mulher-e-a-importancia-da-feminilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vimagazine.com.br\/?p=9173","title":{"rendered":"Ju\u00edza federal fala sobre o empoderamento da mulher e a import\u00e2ncia da feminilidade"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; <strong>Rosangela Martins<\/strong> \u00e9 formada em Direito pela UFMT, \u00e9 Ju\u00edza Federal no Rio de Janeiro e professora de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Para discorrer sobre o empoderamento feminino e a relev\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o da feminilidade, eu entrevistei com exclusividade, a Ju\u00edza federal, Dra. Rosangela Martins.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img src=\"https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/33-682x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9174\" width=\"841\" height=\"1263\" srcset=\"https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/33-682x1024.jpg 682w, https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/33-200x300.jpg 200w, https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/33-768x1153.jpg 768w, https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/33-1023x1536.jpg 1023w, https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/33-1024x1537.jpg 1024w, https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/33.jpg 1066w\" sizes=\"(max-width: 841px) 100vw, 841px\" \/><figcaption>Imagem: divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp; Como a senhora avalia o empoderamento da mulher e a import\u00e2ncia da feminilidade nos dias atuais?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>R:<\/strong> Se olharmos pela janela do tempo e voltarmos 90 anos atr\u00e1s, e especialmente a partir da d\u00e9cada de 60, veremos que avan\u00e7amos muito, muito mesmo no rompimento de uma cultura machista e patriarcal arraigada e estrutural, presente em todos os ambientes de nossa sociedade: familiar, empresarial, educacional e institucional. No Brasil podemos mencionar como importantes conquistas o direito ao voto feminino em 1932, o estatuto da mulher casada em 1962 e a Lei do Div\u00f3rcio em 1977. Reconhecer as incont\u00e1veis conquistas \u00e9 fundamental, conhecer o passado nos d\u00e1 a dimens\u00e3o dos avan\u00e7os alcan\u00e7ados, potencializa essas vit\u00f3rias e n\u00f3s d\u00e1 um direcionamento do que ainda \u00e9 necess\u00e1rio, porque \u00e9 preciso tamb\u00e9m reconhecer que o movimento pela igualdade de g\u00eanero continua a ser uma necessidade nos dias atuais. E qual a minha percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao empoderamento feminino com a feminilidade? Bem, a cultura masculina e patriarcal vem de tempos muito remotos e ao longo da hist\u00f3ria da humanidade h\u00e1 muitos exemplos de a\u00e7\u00f5es que enfraqueceram caracter\u00edsticas t\u00edpicas do feminino; a intui\u00e7\u00e3o, o l\u00fadico, a criatividade, a capacidade de acolher e a pr\u00f3pria sensualidade foram relegadas e condenadas, passaram a ser vistos como sinais de fraqueza ou lux\u00faria. Ent\u00e3o, n\u00e3o eram apenas os direitos das mulheres que foram suprimidos, a cultura masculina contribuiu para o enfraquecimento das caracter\u00edsticas do feminino. Como resultado, t\u00ednhamos n\u00e3o apenas mulheres com seus direitos feridos, mas tamb\u00e9m com seu feminino adoecido. Depois, na luta pela igualdade de g\u00eanero, o pr\u00f3prio movimento feminista, sem perceber, refor\u00e7ou a cultura masculina; no geral e em algum n\u00edvel, n\u00f3s mulheres passamos a nos comportar como homens no ambiente corporativo, at\u00e9 porque era esse o modelo que t\u00ednhamos, o mundo do trabalho corporativo s\u00f3 era conhecido pela lente dos homens. Passamos n\u00e3o s\u00f3 a reproduzir o comportamento masculino no ambiente de trabalho, mas tamb\u00e9m nos desgarramos da nossa ess\u00eancia feminina, milhares de n\u00f3s passaram a detestar nosso ciclo menstrual, a relegar nossa intui\u00e7\u00e3o, a enfraquecer nossa criatividade e nossa capacidade de acolhimento; n\u00e3o quer\u00edamos reproduzir apenas o papel de dona do lar e \u201cm\u00e3e de fam\u00edlia\u201d exercidos por nossas m\u00e3es e av\u00f3s e todas aquelas que nos antecederam, e passamos a valorizar apenas o fazer, o agir, o pensamento racional, pragm\u00e1tico, o embate, comportamentos t\u00edpicos do universo masculino. Muitas mulheres dizem: se existir outra vida al\u00e9m dessa, na pr\u00f3xima quero ser homem. Sem falar nas in\u00fameras mulheres que se \u201cmasculinizaram\u201d, consciente ou inconscientemente, para se proteger de ass\u00e9dios, cantadas. Mulheres que mudaram seu jeito de se vestir, deixaram de se maquiar, de usar salto, para ficarem menos atraentes e, assim, evitar os ass\u00e9dios, as piadinhas de mau gosto. Se voc\u00ea acha que isso soa um exagero da minha parte, infelizmente vou te contar que ainda hoje isso acontece, claro que em menor escala, mas acontece. Eu mesma conhe\u00e7o v\u00e1rias mulheres, amigas e conhecidas, que ainda passam por esse dilema. Eu converso sempre sobre isso com muitas mulheres e homens, sim, com os homens, porque acredito que essa pauta s\u00f3 vai avan\u00e7ar verdadeiramente se tivermos homens e mulheres lado a lado, se ajudando e se compreendendo mutuamente; \u00e9 igualmente importante lembrar que, do lado reverso, essa cultura machista tamb\u00e9m pesou (e ainda pesa) sobre o homem, que n\u00e3o podia chorar, demonstrar sentimentos, que tinha de ser o \u201cgaranh\u00e3o\u201d, entre tantas outras coisas. Em seu livro \u201cA Jornada da Hero\u00edna\u201d (que recomendo a leitura especialmente para as mulheres), Maurreen Maurdock menciona um professor vietnamita e suas li\u00e7\u00f5es sobre a ilus\u00e3o da dualidade e o quanto ela nos prejudica, \u201cn\u00e3o pode haver dualidade, nenhum eu separado. Estamos todos interconectados, n\u00f3s inter-somos. (&#8230;) A dualidade \u00e9 uma ilus\u00e3o, h\u00e1 a direita e a esquerda; se voc\u00ea toma um lado, est\u00e1 tentando eliminar a metade da realidade, o que \u00e9 imposs\u00edvel.\u201d Paralelamente a tudo isso, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, especialmente no s\u00e9culo XXI, j\u00e1 com tantos direitos assegurados, come\u00e7ou um novo movimento pelas mulheres, agora em busca do resgate do feminino, e esse movimento que tem levado tantas mulheres a questionar o modelo de trabalho at\u00e9 aqui adotado por n\u00f3s. Acredito que \u00e9 um novo caminho sendo constru\u00eddo, em que mulheres exercer\u00e3o seus pap\u00e9is, sejam eles quais forem, sem negligenciar e\/ou esconder seu aspecto feminino, sua feminilidade, que se expressa no acolher, na criatividade inovadora, na intui\u00e7\u00e3o. Em que a mulher quer exercer seu soberano direito de ser e expressar suas vontades e habilidades, sem medo do julgamento. \u00c9 tempo de mulheres e homens aprendermos a dan\u00e7ar entre as for\u00e7as do masculino e do feminino. Gilberto Gil estava muito \u00e0 frente do seu tempo quando em 1979 escreveu a can\u00e7\u00e3o \u201cSuper-homem\u201d, quando ele diz que \u201cvivi a ilus\u00e3o de que ser homem bastaria, que o mundo masculino tudo me daria\u201d, por meio da m\u00fasica ela j\u00e1 nos trazia essa reflex\u00e3o sobre a necess\u00e1ria conviv\u00eancia do masculino e feminino em cada um de n\u00f3s: da for\u00e7a e da sensibilidade, do racional e da intui\u00e7\u00e3o, do agir e do criar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Como ju\u00edza, a senhora percebe algum preconceito do p\u00fablico masculino em lidar com as conquistas das mulheres?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>R: <\/strong>Ainda temos sim preconceitos a romper, vou mencionar um exemplo vivenciado por mim logo que ingressei na magistratura, que bem ilustra. Eu e meus colegas de concurso, um grupo de 30 pessoas, est\u00e1vamos ouvindo um colega juiz j\u00e1 mais antigo na carreira, que estava ali para compartilhar conosco algumas experi\u00eancias dele no exerc\u00edcio do cargo. Em determinado momento, esse colega saiu da pauta jur\u00eddica para dar um \u201cconselho\u201d para as mulheres que, como eu, acabavam de ingressar na carreira. Ele disse mais ou menos com essas palavras: voc\u00eas mulheres precisavam ter a consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser boa em tudo, se voc\u00ea for uma boa ju\u00edza, n\u00e3o ser\u00e1 uma boa m\u00e3e e uma boa esposa, tampouco vai ser bonita; se for uma boa esposa e boa m\u00e3e, n\u00e3o ser\u00e1 boa ju\u00edza. Nunca ouvi ou li questionamento a respeito da capacidade de um homem de ser bom pai e bom profissional ao mesmo tempo. Ouvir aquilo de um colega sobre a mulher foi um choque para mim, ali\u00e1s, todos ficamos chocados e em absoluto sil\u00eancio por algum tempo, antes de expressarmos nossa opini\u00e3o. Felizmente esse tipo de fala e comportamento j\u00e1 \u00e9 minoria, por\u00e9m demonstra que a incompreens\u00e3o e o preconceito com os papeis que podem ser simultaneamente exercidos pela mulher ainda existe e persiste na sociedade, especialmente nos espa\u00e7os de poder, que continuam predominantemente masculinos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp;Como e quando a senhora decidiu ser ju\u00edza e quais foram os seus maiores desafios em sua trajet\u00f3ria profissional?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>R: <\/strong>Eu, desde crian\u00e7a, sempre fui muito questionadora e sempre tive um senso de justi\u00e7a apurado, ver algu\u00e9m sendo tratado de maneira desigual com base na cor, etnia, condi\u00e7\u00e3o social ou g\u00eanero, por exemplo, sempre me causou inc\u00f4modo e indigna\u00e7\u00e3o. Esse esp\u00edrito questionador se acentuou na minha adolesc\u00eancia, fase pr\u00f3pria da ebuli\u00e7\u00e3o de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es. Quando entrei na faculdade de direito, na Universidade Federal de Mato Grosso, eu logo comecei a trabalhar, aos 19 anos, estava ainda no meu primeiro ano da faculdade, comecei minha primeira experi\u00eancia de trabalho em um escrit\u00f3rio de advocacia. Como estagi\u00e1ria ou j\u00e1 como advogada, trabalhei em alguns escrit\u00f3rios de advocacia, pequenos e grandes escrit\u00f3rios, em diversificadas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o. Gostava da advocacia, mas sentia que minha voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava ali, me identificava muito mais com a magistratura. Eu ent\u00e3o tive oportunidade de exercer um cargo em comiss\u00e3o no Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso, como assessora jur\u00eddica de desembargador, e no exerc\u00edcio dessa fun\u00e7\u00e3o tive certeza de que a minha afinidade profissional era a magistratura. Passados alguns anos, j\u00e1 com meus 02 filhos, decidi estudar para o concurso da magistratura. Tenho agora 08 anos de magistratura e para mim a carreira traz v\u00e1rios desafios, dentre os desafios, h\u00e1 duas situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o muito marcantes para mim. Um deles \u00e9 gerir a responsabilidade do trabalho com o volume de processos e a vida pessoal. O Poder Judici\u00e1rio tem uma demanda enorme de processos, conciliar a necessidade de produzir muito com a qualidade das decis\u00f5es exige aten\u00e7\u00e3o constante, especialmente nos 03 primeiros anos da carreira, em que tudo \u00e9 novo e bastante desafiador. O outro grande desafio \u00e9 conviver com o receio de dar uma decis\u00e3o injusta, especialmente quando a demanda envolve casos de grande complexidade ou naqueles processos em que a decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia e gera incertezas sobre o que verdadeiramente aconteceu. Inclusive, muitas vezes a sociedade tem dificuldade de compreender que as provas do processo s\u00e3o um recorte da realidade, nem sempre as provas produzidas no processo s\u00e3o capazes de espelhar realmente o que aconteceu e isso pode gerar muita d\u00favida no momento de decidir. E como magistrada, n\u00e3o posso decidir com base no que eu acho que aconteceu, mas sim, com base nas provas que foram produzidas no processo. Al\u00e9m dessas quest\u00f5es, a falibilidade \u00e9 do ser humano, o erro acontece e acontecer\u00e1, o meu objetivo e desafio no exerc\u00edcio da magistratura \u00e9 evitar ao m\u00e1ximo o erro, e corrigi-lo quando poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, como a mulher pode ser empoderada sem perder a feminilidade?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>R:<\/strong> Vou apenas complementar com uma frase o que j\u00e1 expressei aqui e falar de maneira bem direta \u2013 mantendo nossa ess\u00eancia, n\u00e3o preciso deixar de ser feminina para n\u00e3o chamar aten\u00e7\u00e3o dos outros, ou me masculinizar para me \u201cigualar\u201d aos homens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp;No meio jur\u00eddico e em tantas \u00e1reas as mulheres v\u00eam ganhando cada dia mais espa\u00e7o. Como a senhora v\u00ea essas conquistas e o que ainda falta na sua an\u00e1lise?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>R: <\/strong>Pe\u00e7o licen\u00e7a para responder em parte a essa pergunta com a reprodu\u00e7\u00e3o de uma fala da brilhante Ruth Bader Ginsburg &#8211; segunda mulher nomeada \u00e0 Suprema Corte Americana. Em uma de suas \u00faltimas entrevistas, quando e interlocutor perguntou a ela, \u201co que voc\u00ea acha que foi mais importante na sua vida?\u201d Ruth Ginsburg respondeu: &#8211; \u201cTer tido a oportunidade de ajudar um movimento em busca de mudan\u00e7a. Uma mudan\u00e7a que fizesse as filhas serem motivo de orgulho como os filhos. Para n\u00e3o haver mais espa\u00e7os onde mulheres n\u00e3o pudessem entrar, como havia na minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Gra\u00e7as a Deus essas barreiras se foram. Voc\u00ea precisa de duas coisas: talento e trabalho duro, mas n\u00e3o deve haver barreiras artificiais impedindo voc\u00ea. Inclusive, na minha vida, eu espero ver tr\u00eas, quatro, talvez at\u00e9 mais mulheres ocupando cadeiras da Suprema Corte. N\u00e3o mulheres iguais, mas de diferentes naturezas. N\u00f3s avan\u00e7amos muito, mas temos um longo caminho a percorrer.\u201d E quando questionada sobre o conselho que daria a jovens potenciais l\u00edderes, Ruth Ginsburg diz: &#8211; \u201cAcho que se voc\u00ea quiser que seu pa\u00eds tenha sucesso, aposte tudo nas mulheres. Esse o meu sonho para as mulheres, tenho certeza de que nos sairemos muito melhor, se mulheres e homens forem parceiros de verdade.\u201d No meio jur\u00eddico, j\u00e1 h\u00e1 muitas mulheres advogadas, ju\u00edzas, promotoras, defensoras etc., no meu concurso, por exemplo, as mulheres representavam mais de 40% da turma de aprovados. Por\u00e9m, quando voc\u00ea sobe os degraus da hierarquia no Poder Judici\u00e1rio ou no mundo corporativo, as mulheres ainda s\u00e3o minorias. O que nos falta, em minha opini\u00e3o, envolve multifatores, e agora vou falar apenas do Poder Judici\u00e1rio, que conhe\u00e7o melhor. O primeiro deles, \u00e9 o fator temporal mesmo, ainda precisamos de alguns anos (talvez uma ou duas d\u00e9cadas) para que as mulheres que est\u00e3o na base alcancem a promo\u00e7\u00e3o para cargos maiores. Outro fator \u00e9 que, nas condi\u00e7\u00f5es atuais, muitas mulheres ainda preferem evitar o desgaste de trabalhar em um ambiente predominantemente masculino e ainda bastante machista. Poderia mencionar diversas ocasi\u00f5es em que mulheres ju\u00edzas, advogadas, procuradoras etc passam por situa\u00e7\u00f5es constrangedoras relacionadas ao g\u00eanero. S\u00e3o profissionais que, por exemplo, s\u00e3o constantemente interrompidas e desqualificadas em sua fala por um outro colega profissional; assediadas de forma expl\u00edcita e grosseira por homens em ambientes de trabalho; que s\u00e3o rotuladas e ridicularizadas pelos colegas nas situa\u00e7\u00f5es mais corriqueiras da vida. Situa\u00e7\u00f5es como essa, ainda que ocorram numa frequ\u00eancia muito menor que h\u00e1 20, 30 anos atr\u00e1s, desestimula muitas mulheres a concorrerem para os cargos nos Tribunais. Ainda um outro fator, \u00e9 que vivemos tempos de polariza\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es, de um modo geral a sociedade est\u00e1 com dificuldade de ouvir o outro; de dialogar; de conciliar com o diferente. A natureza nos mostra diariamente que a diversidade \u00e9 importante para o equil\u00edbrio da vida e eu s\u00f3 acredito em uma sociedade realmente mais justa e igualit\u00e1ria, a partir de uma concilia\u00e7\u00e3o, de uma parceria entre mulheres e homens, que possamos andar juntos e de m\u00e3os dadas, nos apoiando e nos compreendendo mutuamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp;No seu entendimento quais s\u00e3o as principais barreiras encontradas pelas mulheres na obten\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o em cargos de comando na atualidade?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>R: <\/strong>Conviver em um ambiente com machismo estrutural \u00e9 muito desafiante para muitas mulheres, lidar com ass\u00e9dios, gracinhas, piadinhas, rotula\u00e7\u00f5es que ainda s\u00e3o naturalizadas \u00e9 desgastante e, por vezes, dolorido. Essas dificuldades acabam desestimulando muitas mulheres a ganhar mais espa\u00e7o nos ambientes de poder. Uma coisa leva \u00e0 outra. Por isso, acredito que \u00e9 preciso dialogarmos mais, nos apoiarmos mais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Qual a p\u00e1gina ou p\u00e1ginas e redes sociais para que as pessoas possam conhecer mais sobre o trabalho da senhora?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>R: <\/strong>Para todas e todos que desejarem acompanhar um pouco mais do meu trabalho como Magistrada Federal, ser\u00e1 uma satisfa\u00e7\u00e3o ter voc\u00eas como seguidores no meu perfil no Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rosangela_martins_juizafederal\/\">@rosangela_martins_juizafederal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp; Rosangela Martins \u00e9 formada em Direito pela UFMT, \u00e9 Ju\u00edza Federal no Rio de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9175,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"spay_email":""},"categories":[27,31],"tags":[629,630,627,628],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/vimagazine.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7ab291a6-6ed2-4295-b6a7-3fbd7b13e767.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9176,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9173\/revisions\/9176"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vimagazine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}