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procrastinação

Procrastinação: Por Que Adiamos Tudo e Como Sair Desse Ciclo Invisível.

Você já percebeu aquela sensação quando você sabe que precisa fazer algo importante, mas simplesmente não consegue começar? Aquele frio na espinha quando pensa na tarefa? Bem, isso não é preguiça. É procrastinação e ela é muito mais complexa do que você imagina.

A procrastinação é quando adiamos tarefas importantes mesmo sabendo que isso vai prejudicar a gente, sem motivo aparente. Nosso cérebro está tentando escapar de emoções ruins como medo, vergonha ou ansiedade. Isso não tem nada a ver com falta de caráter, tem tudo a ver com como nosso corpo está programado para lidar com desconforto emocional.

Neste texto, vamos explorar por que adiamos as coisas, como reconhecer quando virou um problema real, e o mais importante, o que fazer para sair desse ciclo. Vamos lá?

O Que Realmente É Procrastinação?

Não é Preguiça, é Proteção Emocional.

Procrastinação é escolher fazer outras coisas em vez de fazer aquilo que é importante. Mas aqui está o detalhe importante: quem procrastina fica tenso e culpado o tempo todo, diferente de alguém que simplesmente descansa.

E essa diferença é crucial. Quem tem preguiça ocasional descansa e fica de boa. E quem procrastina? Fica ansioso por dias, alternando entre culpa, tentativas fracassadas e explosões de produtividade de última hora. É exaustivo.

O que acontece é que quando uma tarefa desperta sensações negativas, medo de falhar, vergonha, incapacidade, nosso cérebro liga o “modo proteção” e busca escapar daquele desconforto. Simples assim. E aí começa um ciclo quase impossível de quebrar.

Por Que Nosso Cérebro Adia Tudo?

Vamos entender como isso funciona lá dentro da cabeça:

Você pensa em fazer algo difícil e sente ansiedade. Para escapar dessa sensação ruim, você adia. Alguns minutos depois, se sente melhor. Mas daí a culpa volta ainda mais forte. Depois de um tempo, a ansiedade retorna multiplicada, agora acompanhada de culpa e pânico.

Isso é tudo culpa de um neurotransmissor chamado dopamina. As atividades que dão prazer rápido (redes sociais, séries, internet) liberam dopamina na hora. Tarefas difíceis não trazem essa recompensa imediata. Nosso cérebro, evolutivamente programado para buscar alívio rápido, prefere o que dá prazer agora.

Parece lógico, certo? Mas aí está o problema: esse alívio é ilusório. Você se sente melhor por uns minutos, mas logo depois a pressão volta ainda pior.

Procrastinação, Preguiça, Cansaço Mental: Qual é a Diferença?

Procrastinação Não É Preguiça!

Embora pareçam semelhantes, procrastinação e preguiça são coisas bem diferentes.

Na preguiça ocasional, você prefere descansar, mas depois descansa de verdade. Na procrastinação, existe um desejo real de fazer a coisa, mas um bloqueio invisível impede você. É uma luta interna constante.

Entender essa diferença é importante porque muda completamente como você lida com o problema. Se você acha que é preguiçoso, pode tentar aplicar força de vontade bruta — o que raramente funciona. Se você reconhece que é procrastinação, pode procurar estratégias que realmente funcionam e abordem os obstáculos emocionais reais.

Quando é Cansaço Mental Mesmo?

Existe algo chamado sobrecarga cognitiva. É quando seu cérebro está tão esgotado que até uma tarefa simples (como enviar um e-mail curto) parece impossível.

Diferente da procrastinação pura, aqui o problema é que seu cérebro atingiu seu limite de processamento de informações. O bloqueio não é emocional, é biológico. Seu corpo está literalmente pedindo ajuda.

Se você evita até tarefas triviais e se sente exausto mesmo após dormir bem, pode ser que seu corpo esteja operando sob estresse crônico. Isso é sinal fisiológico real de que algo não vai bem.

Burnout: Quando Procrastinação Vira Colapso.

Desde 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece oficialmente o burnout como doença ocupacional ligada ao trabalho. Não é mais "só estresse", é diagnóstico médico.

O burnout é caracterizado por três coisas: exaustão extrema, distanciamento emocional do trabalho e sensação de que você não consegue fazer nada direito. E sabe qual é um dos primeiros sinais? Procrastinação crescente.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos no Brasil. De 2021 para 2025, as denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho saltaram de 190 para 1.022.

Isso não é coincidência. Quando alguém está em burnout, a procrastinação é um grito de socorro do organismo.

Os Sinais de Que Ficou Séria.

Adiar uma tarefa aqui e ali é completamente normal. O alerta dispara quando:

  • Você adia constantemente e perde prazos importantes regularmente;
  • Sente ansiedade intensa quando pensa na tarefa;
  • Alterna entre culpa, pressa e exaustão (o ciclo infernal);
  • Isso afeta seu trabalho, estudo ou relacionamentos de forma visível.

Se você está vivendo esse ciclo, saiba que não está sozinho. Dois em cada dez adultos procrastinam com frequência. Entre estudantes, esse número sobe para 70%.

O peso emocional é real também. Procrastinação constante afeta seu sono, humor e concentração. Pode levar a depressão, ansiedade aumentada e aquela sensação de incapacidade total. Prejudica relacionamentos e oportunidades profissionais. Não é pequeno.

O Lado Psicológico: O Que Freud Nos Ensina?

Pensamentos Reprimidos Voltam Como Sabotagem!

O pai da psicanálise, Sigmund Freud, afirmou algo fascinante: "pensamentos reprimidos nunca morrem, eles voltam de outras formas".

Isso explica muito sobre procrastinação. Quando você evita conscientemente lidar com emoções difíceis (medo, vergonha, sensação de incapacidade), essas emoções não desaparecem. Elas se transformam e voltam disfarçadas, frequentemente como procrastinação.

Seu inconsciente (aquela parte do cérebro que você não controla conscientemente) usa o adiamento como forma de proteção. A pessoa não adia porque quer, adia porque seu inconsciente está tentando protegê-la de emoções que seu consciente não consegue aguentar no momento.

Por isso força de vontade raramente funciona. Você não pode disciplinar conscientemente o que está sendo controlado pelo inconsciente.

Perfeccionismo: O Vilão Invisível.

Muitas pessoas procrastinam porque querem fazer tudo perfeito. E isso paralisa.

Se cometer um erro vira sinônimo de fracasso pessoal, então adiar fica mais seguro que começar. A tarefa deixa de ser "uma entrega" e vira "um teste do seu valor como pessoa".

Um projeto vira julgamento. Uma apresentação vira ameaça. Uma conversa difícil vira possibilidade de rejeição.

A pessoa não adia porque acha a tarefa sem importância, adia porque a importância ficou emocionalmente cara demais.

Estratégias Que Realmente Funcionam.

1. Comece Pequeno (MUITO Pequeno)

A regra mais importante: não espere a vontade vir antes de começar. A vontade vem depois que você começa. É assim mesmo.

Estude por 25 minutos. Escreva uma página. Faça um exercício rápido. O importante é começar, não importa se ficar ruim.

A técnica Pomodoro (25 minutos de trabalho + pausa) funciona bem porque transforma algo assustador em algo manejável. Não é "estudar para um exame inteiro", é "estudar por 25 minutos agora". Essa reconfiguração mental reduz enormemente a resistência inicial.

2. Reduza o Peso Emocional

Se o medo vem do perfeccionismo, a saída é: comece mal, mas comece.

  • Divida tarefas grandes em pedaços pequenos e visíveis;
  • Use a regra dos dois minutos: se leva menos de 2 minutos, faça agora para liberar sua mente;
  • Escreva tudo o que precisa fazer para parar de gastar energia tentando lembrar;
  • Trabalhe a autocompaixão, perdoe-se pelas falhas, em vez de se punir.

Começar mal, mas começar, é muito mais útil psicologicamente do que esperar confiança total.

3. Crie o Ambiente Certo

Ambiente importa. Muito.

Ambientes com barulho e interrupções constantes aceleram o esgotamento mental. Trabalho remoto intenso torna difícil separar tempo de descanso de tempo de trabalho, sua mente fica sempre conectada a demandas.

Solução? Reserve tempo real para descansar:

  • Durma bem e em horários regulares;
  • Faça exercício físico regularmente;
  • Tire pausas de verdade (sem celular);
  • Crie períodos de silêncio digital.

Esses cuidados recuperam o cérebro de verdade.

Quando Você Precisa Procurar Ajuda Profissional

Entender o que é procrastinação é um primeiro passo importante. Mas, às vezes, você precisa de ajuda de verdade.

Procure um profissional quando:

  • O comportamento passa a ser seu padrão de funcionamento diário (não algo que acontece uma vez ao mês);
  • Existe culpa constante e recorrente após evitar tarefas;
  • Você nota prejuízo real no trabalho ou nos estudos;
  • Experimenta ciclos repetidos de ansiedade, adiamento, culpa e exaustão.

Não é fraqueza pedir ajuda — é sabedoria.

O Que a Terapia Oferece?

Um terapeuta explora “o porquê” você adia (medo, perfeccionismo, ansiedade). Juntos, vocês encontram estratégias para lidar com emoções difíceis.

A terapia ensina:

  • Técnicas de regulação emocional;
  • Organização de rotina prática;
  • Comunicação assertiva;
  • Como tolerar erros e fracassos.

Em vez de perguntar se você é disciplinado por natureza, faz mais sentido investigar como você reage a frustração, crítica, prazos e exposição. Isso muda tudo.

Você Consegue Mudar Isso

Procrastinação não é um defeito seu. É seu corpo tentando se proteger de emoções que ficaram insuportáveis.

Reconhecer isso não é demérito, é libertador. Significa que você não está quebrado. Está simplesmente lidando com uma proteção psicológica que funcionou em algum ponto, mas agora está prejudicando.

As estratégias que funcionam — começar pequeno, reduzir o peso emocional, criar ambientes favoráveis, trabalhar a autocompaixão, não ignoram os desafios. Elas as contornam através de pequenas ações concretas.

Comece hoje: pegue aquela tarefa que está adiando e dedique 25 minutos. Só isso. Depois você para. Mas comece.

Porque depois de começar, fica mais fácil continuar — e isso é científico!


Bibliografia

CORREIO BRAZILIENSE. A psicologia diz que a procrastinação crônica em tarefas importantes não é preguiça, mas uma falha na regulação emocional. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar. Acesso em: 6 maio 2026.

CORREIO BRAZILIENSE. Sigmund Freud: pensamentos reprimidos nunca morrem. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar. Acesso em: 6 maio 2026.

G1 GLOBO. Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos. Disponível em: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/05/01/afastamentos-por-burnout-crescem-mais-de-800percent-em-quatro-anos-entenda-o-que-esta-por-tras-do-esgotamento-no-trabalho.ghtml. Acesso em: 6 maio 2026.

G1 GLOBO. Procrastinação: o que a psicologia diz sobre o hábito de adiar tarefas. Disponível em: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/04/28/procrastinacao-o-que-a-psicologia-diz-sobre-o-habito-de-adiar-tarefas.ghtml. Acesso em: 6 maio 2026.

RÁDIO TUPI. Cansaço mental impacta memória, humor e produtividade. Disponível em: https://www.tupi.fm/entretenimento/cansaco-mental-impacta-memoria-humor-e-produtividade-apontam-especialistas. Acesso em: 6 maio 2026.

TERAPPIA. O que significa procrastinar e como isso impacta o dia a dia? Disponível em: https://www.terappia.com.br/posts/o-que-significa-procrastinar-e-como-isso-impacta-o-dia-a-dia. Acesso em: 6 maio 2026.

TUA SAÚDE. Cansaço constante não é apenas falta de disposição. Disponível em: https://www.tuasaude.com/news/2026/04/27/cansaco-constante-nao-e-apenas-falta-de-disposicao-e-um-sinal-fisiologico-de-que-seu-organismo-pode-estar-operando-sob-estresse-cronico. Acesso em: 6 maio 2026.

UNIMED CAMPINAS. O que é procrastinação e o que pode estar por trás desse comportamento. Disponível em: https://www.unimedcampinas.com.br/blog/saude-emocional/o-que-e-procrastinacao-e-o-que-pode-estar-por-tras-desse-comportamento. Acesso em: 6 maio 2026.

UOL NOTÍCIAS. A psicologia explica por que quem evita iniciar tarefas simples pode estar sobrecarregado mentalmente. Disponível em: https://www.uai.com.br/uainoticias/2026/04/07/a-psicologia-explica-por-que-quem-evita-iniciar-tarefas-simples-pode-estar-sobrecarregado-mentalmente-sem-perceber. Acesso em: 6 maio 2026.

GUSTAVO QUEZADA. Técnica Pomodoro. Disponível em: https://gustavoquezada.com/tecnica-pomodoro. Acesso em: 6 maio 2026.

FOCUS NOW. Pomodoro Technique. Disponível em: https://focus-now.app/pt/pomodoro-technique. Acesso em: 6 maio 2026.

narcisismo

Espelho do Ego: Como identificar e lidar com um Narcisista.

O narcisismo real não é só arrogância ou vaidade — é um problema psicológico profundo onde a pessoa depende demais dos outros para se sentir bem consigo mesma e não consegue se conectar genuinamente com ninguém[1][6]. Se você está tentando entender se está lidando com alguém assim, este guia vai te ajudar a reconhecer os sinais e, mais importante ainda, a proteger sua própria mente.

De Onde Vem Essa Ferida: O que Freud nos Ensinou.

Sigmund Freud percebeu que o narcisismo é um estágio normal quando somos crianças, mas quando continua depois de crescer, vira um problema[1]. Mas as pessoas que estudam isso depois dele descobriram algo mais importante.

Heinz Kohut, um psicólogo famoso, percebeu que o narcisismo patológico vem de uma ferida antiga: quando a criança não recebe o cuidado e a atenção que deveria dos pais[1][4]. A criança que não é "espelhada" — ou seja, que os pais não a validam, não a veem, não mostram que ela importa — cresce tentando construir uma imagem falsa de si mesma que depende de aprovação o tempo todo para não desabar[4].

Otto Kernberg, outro especialista importante, tem uma visão diferente: ele diz que por baixo dessa imagem falsa existe raiva e inveja crônicas[1][10]. Segundo ele, quando você olha para um narcisista, está olhando para alguém que desaprova profundamente a si mesmo, mas esconde isso atrás de uma máscara de superioridade.

O importante aqui é entender: você não pode "consertar" um narcisista falando sobre o comportamento dele, porque o problema não está na razão — está nas defesas psicológicas muito antigas[1].

Os Dois Tipos: O Óbvio e O Perigoso

O Narcisista Óbvio: Fácil de Ver, Fácil de Nomear

Esse tipo é mais fácil de identificar porque ele não esconde nada[10]. Precisa constantemente que você diga que ele é incrível, coloca suas realizações em toda conversa, e fica furioso quando alguém questiona isso[2]. Ele acha que merece tratamento especial, não consegue se colocar no lugar dos outros, e só pensa em si mesmo[2].

O dano que causa é fácil de nomear porque é tão óbvio.

O Narcisista Perigoso: O Que Causa Confusão de Verdade

O problema real está no outro tipo[10]. Esse narcisista age diferente: ele parece inseguro, reclama que ninguém o entende, e se coloca sempre como a vítima[10]. Ele disfarça sua grandiosidade em fragilidade, dizendo coisas como "vocês não sabem como sofro" ou "nunca ninguém me valoriza"[10].

Este é o tipo que mexe com sua cabeça — não porque é óbvio, mas porque é difícil de nomear[17]. Ele manipula de forma indireta, com silêncio frio, culpa bem cronometrada[17]. Enquanto o outro tipo te intimida, este te paralisa porque sempre que você tem uma necessidade, ele faz você se sentir cruel por não estar cuidando dele[17].

Como Funciona a Manipulação: O Ciclo que Se Repete

A manipulação narcísica segue um padrão que se repete de forma previsível[36].

Fase 1: Idealização (Bombardeio de Amor)

No começo, você é colocado em um pedestal[36]. Você é perfeito, fantástico, a pessoa que faltava na vida dele[36]. O narcisista descobre exatamente o que você quer ouvir e se torna a pessoa dos seus sonhos[18].

Biologicamente, seu cérebro libera dopamina (o neuroquímica do prazer) e oxitocina (o neuroquímica do vínculo) em quantidade massiva[36]. Você se sente bem porque as reações do seu corpo são praticamente iguais às de estar apaixonado[36]. O problema: você está biologicamente ligado a essa pessoa antes de ter qualquer prova de que o relacionamento é perigoso[36].

Fase 2: Desvalorização: A Máscara Cai

Depois que ele tem certeza que você está preso, a máscara cai[36]. Ele começa a criticar, a distorcer as coisas que você disse, a tirar o afeto — e de repente você vira a culpada dos problemas dele[36].

Seu corpo entra em modo de alerta constante[36]. Você fica sempre nervosa, analisando o humor dele, vendo sinais de quando as coisas vão ficar ruins[36]. É como uma dança dolorosa onde os momentos bons ficam ainda mais preciosos justamente porque são raros[28]. E quanto mais rara a paz, mais você quer conquistá-la novamente[28].

Fase 3: Descarte: O Fim Brutal e Inesperado

Ele te descarta quando não precisa mais de você[42]. Frequentemente faz isso de forma que parece que você é a culpada, ou que você terminou com ele[42].

A neuroquímica que te deixava tão bem antes — dopamina, oxitocina, serotonina — cai de forma abrupta[36]. Seu corpo experimenta isso como uma tristeza profunda e simultaneamente como uma privação[36]. Muitos sobreviventes dizem que o período depois do descarte é a pior dor que já sentiram[36].

Fase 4: Hoovering: Ele Volta

Finalmente, ele volta — não porque te ama, mas porque precisa desesperadamente de atenção e validação novamente[26]. Ele pode aparecer com desculpas bem pensadas ("Fiz terapia, mudei"), ou criar uma crise que ativa seu instinto de cuidar dele, ou simplesmente aparecer em um aniversário dizendo "Ainda penso em você"[26].

Ele escolhe esse momento porque entende que seu corpo se lembra do bombardeio de amor antes de se lembrar do dano[26].

As Técnicas de Manipulação: Entendendo Como Funciona

Gaslighting: Quando Você Para de Confiar em Você Mesma

Gaslighting não é sempre dramático como nos filmes[12]. Com um narcisista enganoso, é silencioso e vai destruindo sua capacidade de confiar em você mesma[12].

É quando alguém faz você questionar sua memória, seu juízo, sua percepção — não uma vez, mas repetidamente, até você parar de confiar em si mesma[12]. O psicólogo Craig Malkin explica bem: o narcisista óbvio faz isso com força ("Você está errada, ponto final")[12]. O narcisista enganoso faz isso com preocupação ("Estou preocupado que você não está pensando direito")[12]. E porque você se importa com sua saúde mental, você acredita nele[12].

O pior é que o narcisista acredita na própria versão dos fatos — ele não está mentindo de propósito, ele genuinamente vê as coisas dessa forma[12]. Isso torna impossível confrontá-lo[12].

Projeção: Ele Bota a Culpa em Você

Projeção é quando alguém atribui a você seus próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos ruins[24]. Não é uma defesa normal — é profunda[24].

Para um narcisista, reconhecer seus próprios defeitos quebraria a imagem que ele tem de si mesmo[24]. Então ele projeta tudo — o egoísmo, a mentira, a crueldade — em você[24].

A parte importante: isso não é sobre você[24]. Você não causou a projeção, você não é responsável pelo que ele vê em você, e as coisas que ele o acusa de ser refletem muito mais sobre ele do que sobre você[24].

Triangulação: Criando Ciúmes

Triangulação é quando ele traz uma terceira pessoa para o meio (real ou imaginária) para você ficar ciumento, insegura e competindo[25]. Não é acidental[25].

Ele faz isso porque funciona: quando você fica ciumento e insegura, você fica buscando a aprovação dele[25]. Ele suga sua atenção e energia enquanto você tenta provar que é suficiente[25].

Como Se Proteger: Estratégias Que Funcionam

O Método Gray Rock: Fique Chato

Uma das melhores formas é se tornar tão entediante quanto uma pedra cinza[14][43]. O objetivo é: fique tão desinteressante que ele não quer mais se envolver com você[43].

Mantenha respostas curtas e neutras[14][43]. Quando ele quer conversar, dê respostas breves e factuais, sem detalhes[43]. Não compartilhe informações pessoais — tóxicos usam isso contra você depois[14][43]. Fale sobre clima, coisas práticas, nada de emoção[43]. Quanto menos ele sabe, menos ele tem para trabalhar[43].

Também controle seu rosto e corpo[43]. Mantenha uma expressão calma[43]. Não revire os olhos, não suspire pesadamente[43]. Fale em tom plano e desapegado[43].

Não JADE: O Poder do Silêncio

JADE significa: Justifique, Argumente, Defenda, Explique[14]. Quanto mais você explica, mais informação você dá para ele distorcer e usar contra você[14].

Mantenha a comunicação mínima[14]. Se possível, por escrito[14]. Terapeutas dizem que menos palavras = menos oportunidade dele distorcer[14]. E escrever cria um registro que ele não consegue reconfigurar depois[14].

Estabeleça Limites Firmes

Limites são essenciais[14]. Deixe claro o que você vai permitir e o que não vai[14]. Mas prepare-se: narcisistas enganosos não respeitam limites como pessoas normais[14].

Você não está aceitando disfunção como normal — você está escolhendo com o que se engaja e com o que não se engaja[14]. Assim você protege sua mente mesmo que não consiga sair do relacionamento[14].

E Se Você Está Questionando Se Você é o Narcisista?

Essa é uma armadilha comum — especialmente para mulheres empáticas, que foram programadas para carregar a culpa do abusador[32].

Faça essa pergunta: você genuinamente questiona seu impacto nos outros? Você reconhece seus erros? Você consegue se imaginar errada?[32] Se sim, você provavelmente não é narcisista[32]. Narcisistas não fazem essas perguntas porque não conseguem[32].

Na verdade, o narcisista explora exatamente isso — sua disposição de se questionar[32]. Ele te entrega sua vergonha e você recebe porque é alguém que conserta coisas[32]. Você está questionando se é narcisista não porque é, mas porque alguém manipulador conseguiu fazer você carregar a culpa dele[32].

Recuperação: Caminho Para Frente (busque o profissional para ajuda aqui)

Recuperação de abuso narcísico não é só pensar diferente — é trabalhar com seu corpo, seus relacionamentos, sua forma de pensar[22]. Terapia pode ajudar — especialmente terapia focada em trauma que processa o que você viveu[22].

Mas o trabalho real é reclamar sua capacidade de confiar em si mesma novamente[27]. Significa nomear o que foi feito, reconhecer que foi abuso, e depois escolher como seguir em frente[27].

Conclusão: Recuperando Seu Espelho

Narcisismo não é sobre ter um ego grande — é sobre ter um self frágil que se defende contra desabar[10][24][32]. O espelho que ele oferece não reflete você; reflete a necessidade dELE de validação[10][24][32].

Identificar um narcisista significa prestar atenção nos padrões, não em momentos isolados[35]. Lidar com manipulação significa se tornar estrategicamente desinteressante[14][43].

Mas mais que tudo, significa lembrar que alguém cuja ferida psicológica exige que ela esvazie a SUA, alguém cuja "cura" depende de você permanecer machucada, NÃO é seu trabalho consertar[14][30]. Seu trabalho é recuperar seu próprio espelho — aquele que reflete sua própria verdade[14][30].


BIBLIOGRAFIA

[1] Britannica. "Narcissism". Disponível em: https://www.britannica.com/science/narcissism

[2] Amaha Health. "Narcissistic Personality Disorder Symptoms, Causes and Treatments". Disponível em: https://www.amahahealth.com/blog/narcissistic-personality-disorder-symptoms-causes-and-treatments/

[4] Annie Wright. "Narcissistic Injury Explained". Disponível em: https://anniewright.com/narcissistic-injury-explained/

[6] Society for Psychotherapy. "Clinician Stigma Toward Narcissistic Personality Disorder". Disponível em: https://societyforpsychotherapy.org/clinician-stigma-toward-narcissistic-personality-disorder-implications-for-assessment-treatment-and-clinical-practice/

[10] The Brink. "Inside the Mind of a Narcissist". Disponível em: https://www.thebrink.me/inside-the-mind-of-a-narcissist/

[12] Annie Wright. "Gaslighting & The Covert Narcissist: Why Your Brain Stops Trusting". Disponível em: https://anniewright.com/gaslighting-covert-narcissist-brain-stops-trusting/

[14] Annie Wright. "How to Deal with a Covert Narcissist: Strategies That Actually Work". Disponível em: https://anniewright.com/how-to-deal-with-a-covert-narcissist-strategies-that-actually-work/

[17] Annie Wright. "4 Types of Narcissists". Disponível em: https://anniewright.com/4-types-of-narcissists/

[18] Annie Wright. "Love Bombing: The Neurobiology of the Narcissist's Trap". Disponível em: https://anniewright.com/love-bombing-the-neurobiology-of-the-narcissists-trap/

[22] Better Help. "Exploring the Concept of Narcissistic Supply". Disponível em: https://www.betterhelp.com/advice/personality-disorders/exploring-the-concept-of-narcissistic-supply/

[24] Annie Wright. "Projection & The Narcissist". Disponível em: https://anniewright.com/projection-narcissist/

[25] Annie Wright. "Triangulation & The Narcissist". Disponível em: https://anniewright.com/triangulation-narcissist/

[26] Annie Wright. "Hoovering & The Narcissist: The Pull Back". Disponível em: https://anniewright.com/hoovering-narcissist-pull-back/

[27] Annie Wright. "How to Stop Being the Family Scapegoat in a Narcissistic System". Disponível em: https://anniewright.com/stop-being-family-scapegoat-narcissistic-system/

[28] Empathi. "Trauma Bonding". Disponível em: https://empathi.com/blog/trauma-bonding/

[30] Annie Wright. "Therapist on Narcissistic Abuse Survivor". Disponível em: https://anniewright.com/therapist-narcissistic-abuse-survivor/

[32] Annie Wright. "Am I the Narcissist?". Disponível em: https://anniewright.com/am-i-the-narcissist/

[35] Annie Wright. "Narcissistic Abuse vs. Difficult Relationship". Disponível em: https://anniewright.com/narcissistic-abuse-vs-difficult-relationship/

[36] Annie Wright. "Narcissistic Abuse Cycle: Stages". Disponível em: https://anniewright.com/narcissistic-abuse-cycle-stages/

[42] Annie Wright. "The Covert Narcissist Discard: Why the Ending Feels So Confusing". Disponível em: https://anniewright.com/the-covert-narcissist-discard-why-the-ending-feels-so-confusing/

[43] Black Source Media. "The Gray Rock Method: Your Secret Weapon for Dealing with Difficult People". Disponível em: https://blacksourcemedia.com/the-gray-rock-method-your-secret-weapon-for-dealing-with-difficult-people/

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violencia contra minorias

A violência contra minorias e seus reflexos na mente.

Sabe aquele ditado que a gente ouve por aí: "as palavras não machucam"? Pois é, a psicanálise discorda e muito. A violência sistemática contra minorias deixa cicatrizes profundas na psique das pessoas, mexendo em coisas fundamentais como identidade e desenvolvimento. E não é só trauma pontual, não. É algo que vai marcando a gente desde cedo, se infiltrando no inconsciente. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo vêm investigando justamente isso — como mulheres vítimas de violência sexual e pessoas LGBTQIAPN+ sofrem impactos sérios na saúde mental, desde depressão até comportamentos autodestrutivos.[1] É coisa séria demais.

Quando a gente aprende a desumanizar através das palavras.

Aqui tá o ponto: a violência física é tipo o último ato de uma peça que começou bem antes. Muito antes. A psicanálise nos mostra que antes de alguém apanhar, precisa primeiro deixar de ser gente, sabe? Precisa virar "coisa", objeto.

Uma colunista do Diário do Nordeste escreveu algo que é meio assustador: "ninguém agride, viola ou mata quem reconhece plenamente como igual."[8] Isso quer dizer que a gente precisa primeiro rebaixar a pessoa através da linguagem. Mulheres em aplicativos de relacionamento sendo chamadas de "estupráveis", camisetas de certos grupos dizendo "não se arrependa", adolescentes classificando colegas por "utilidade" — tudo isso é ensaio. Treino do olhar que depois autoriza a violência mesmo.

Frantz Fanon, um psiquiatra que trabalhou com vítimas da colonização na Argélia, já tinha entendido isso nos anos 1950.[12] Ele mostrou que o racismo e a opressão colonial não machucam só o corpo, machucam o inconsciente das pessoas, deixam marcas que a gente passa para o próximo. A psicanálise precisava acordar para isso: o sujeito não é uma “ilhinha” isolada numa sala de consultório. A gente é marcado pelo contexto, pela história, pela opressão que a gente vive.

O estresse de ser minoria: quando ficar vivo já é cansativo.

Tem um termo que os pesquisadores usam — "estresse de minoria." Basicamente, é aquele cansaço crônico de estar sempre em alerta, sempre na defensiva.[1] Pessoas LGBTQIAPN+ que não se assumiram publicamente vivem nisso o tempo todo. É tipo estar sempre segurando a respiração, sabe? E isso marca, mexe com tudo.

Os números falam por si: entre pessoas trans no Brasil, a taxa de tentativa de suicídio chega a 43,1%.[4] Não é de assustar? Quando a gente vê um número desses, não é um "caso" ou outro. É evidência de que o sistema inteiro de violência está funcionando mesmo, deixando cicatrizes profundas.

Mulheres vítimas de violência sexual lidam com outra coisa bem pesada: a culpa que a sociedade coloca nelas. Estupro não é só o ato violento, é a sociedade inteira pedindo para você ficar de boca fechada, te perguntando se estava bebendo, como estava vestida. Pesquisas da UFES estão investigando como essas mulheres conseguem se recuperar disso, o que chamam de "crescimento pós-traumático", mas é tipo tirar água do poço com balde furado.[1]

Racismo na infância: quando a criança aprende cedo que não vale nada.

Tem algo que machuca mais ainda: quando a violência começa lá no comecinho da vida. Crianças negras em comunidades periféricas crescem sob impacto direto da violência urbana — perdem dias de aula porque tem confronto, deixam de tomar vacina, vivem em estado de perigo o tempo todo.[7] Tudo isso não é experiência passageira. Fica marcado no cérebro.

A pesquisa mostra que o racismo funciona como uma experiência adversa que provoca "estresse tóxico", aquele estresse que mexe com o desenvolvimento normal do cérebro da criança, afetando aprendizagem, memória, até a capacidade de lidar com emoções.[7] É como se a gente estivesse pedindo para o cérebro da criança trabalhar em sobrecarga constantemente.

E tem mais: quando crianças negras enfrentam racismo cotidiano na escola, quando a história da sua gente não aparece nos livros, quando professores ignoram comentários racistas de colegas, a criança internaliza uma mensagem muito clara: "você não pertence aqui, você não vale."[10] Isso não desaparece. Fica no inconsciente, afetando como essa pessoa se vê pelo resto da vida.

A escola que deveria proteger e acaba machucando.

As escolas civis-militares viraram exemplo disso. Tem reportagem do Ministério Público Federal mostrando que estudantes LGBTQIAPN+ e negros são perseguidos por expressar sua identidade, sofrem abordagens agressivas de policiais militares dentro de sala de aula, têm sua liberdade cerceada.[19] Isso é violência institucional disfarçada de "disciplina" e "ordem". E as crianças absorvem tudo isso.

O bullying também é assim. A gente pensa que é só imaturidade de adolescente, mas é bem mais sério. Quando meninos classificam meninas como "acessíveis" ou "estupráveis", quando adolescentes trans são impedidos de usar banheiro de acordo com sua identidade, quando a história afro-brasileira é quase invisível no currículo, tudo isso interfere radicalmente no desenvolvimento psicológico.[10] E frequentemente os adultos não veem por que a violência acontece nos espaços invisíveis das instituições.

O inconsciente racista: porque a gente não consegue tirar racismo da cabeça com argumentos.

Aqui está uma coisa meio complicada da psicanálise lacaniana: o racismo não funciona só no nível de argumentação racional. [11] Ele funciona através de fantasias inconscientes sobre o corpo do outro, sobre aquilo que "falta" ou "sobra" naquele corpo. É profundo demais para a consciência atingir com argumentos bonitos.

Isso quer dizer que combater racismo não é só levar dados e fatos para a pessoa. É descolonizar a própria psicanálise que a gente usa, trazer pensadores da diáspora africana e da ancestralidade indígena.[9] Porque o racismo está enraizado em instituições, em leis, em práticas que se apresentam como "naturais" e "inevitáveis", mas que são construções históricas mesmo.[14] E isso marca o desenvolvimento das pessoas porque define desde cedo quem merece respeito, quem pode ocupar espaços, cujo corpo é digno de proteção.

O grande desafio: transformar essa realidade.

Se a gente entende que a violência contra minorias não é só um problema individual ou familiar, mas estrutural, então a solução também precisa ser estrutural. Significa investir em formação antirracista para os professores, descolonizar currículos que apagam histórias e culturas, criar políticas de segurança pública que respeitem o desenvolvimento infantil em vez de criminalizá-lo. [7][10]

Significa também que cada um de nós precisa se olhar no espelho. Porque a gente participa dessa violência, através da linguagem que usa, das piadas que tolera, do silêncio quando alguém fala algo degradante.[8] Como aquela colunista disse bem direto: antes de agredir ou matar, é preciso deixar de reconhecer como igual. E a gente faz isso todos os dias sem perceber.

Uma psicanálise que escuta o social.

O lado esperançoso disso tudo é que pesquisadores brasileiros estão oferecendo caminhos reais. Estão investigando crescimento pós-traumático em mulheres vítimas de violência sexual, não só o sofrimento, mas também como essas pessoas conseguem desenvolver resiliência.[1] Estudam saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+ não assumidas, buscando entender as estratégias que elas usam para sobreviver em contextos de isolamento e discriminação.[1] Tudo isso aponta para uma psicanálise mais humanizada, mais próxima da realidade brasileira mesmo.

O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação de verdade, em políticas públicas, em mudanças nas instituições, em uma reconfiguração da sociedade que reconheça que todo mundo merece respeito e dignidade. Porque violência contra minorias não é só gente traumatizada que precisa de terapia. É uma sociedade inteira que precisa ser radicalmente transformada. E isso começa em casa, na escola, no trabalho, começa na gente mesmo.

Precisa de ajuda? (clique aqui) Dr. Marcio Renzo - Psicanálise e Hipnoterapia.


Fontes citadas:

[1] Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). "Pesquisas investigam impactos da violência na saúde mental de mulheres e de pessoas LGBTQIAP+."

[4] BMC Public Health. "Factors associated with transgender people mortality due to violence in Brazil (2014-2022)."

[7] O Globo/UOL. "Primeira infância e equidade: desafios do racismo, dos territórios e da segurança no Brasil."

[8] Diário do Nordeste. "A linguagem como violência, exceto quando o alvo são as mulheres."

[9] Blog Abarca Psicólogo. "Psicanálise Contextualizada."

[10] Jornal da Unicamp. "Ensino da história afro-brasileira ainda enfrenta barreiras."

[11] Juliane Mena. "Psicanálise e o Pensamento Decolonial - Racismo e subjetividade."

[12] Veja. "Filme sobre Frantz Fanon ganha data de estreia no Brasil."

[14] Scielo. "Raça e racismo: aspectos conceituais, históricos e metodológicos."

[19] Ministério Público Federal. "MPF recorre de decisão que validou regras de escolas militares."

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Infância insegura: marcas que podem (e devem) ser trabalhadas.

Por Dr. Marcio Renzo – Psicanalista e Hipnoterapeuta

A infância insegura não é catálogo de desculpas nem sentença irrevogável — é mapa de vulnerabilidades que orientam comportamentos, escolhas e relações ao longo da vida. Na clínica psicanalítica, Freud e Jung oferecem chaves diferentes e complementares para ler essas marcas: Freud nos mostra como conflitos infantis, mecanismos de defesa e repetição compulsionante moldam o destino psíquico; Jung nos indica a atuação dos complexos, da sombra e a possibilidade de individuação. Juntos, eles lembram: o que não foi simbolizado na infância tende a reaparecer na vida adulta em formas disfuncionais, até que seja elaborado.

O que a ciência recente diz.

Estudos recentes confirmam essa perspectiva clássica com dados robustos. A neurociência contemporânea demonstra que experiências infantis organizam não apenas o psiquismo, mas o próprio funcionamento neurobiológico[3]. Pesquisas mostram que experiências adversas na infância alteram a resposta do corpo ao estresse, aumentando o risco de transtornos de ansiedade. O cortisol elevado durante o desenvolvimento cerebral pode gerar uma tendência crônica à ansiedade e ao estado de alerta permanente[1], criando adultos que carregam fardos emocionais pesados e invisíveis.

Os padrões mais comuns.

Parentalização e responsabilidades precoces: Quando crianças são forçadas a desempenhar papéis de cuidadores antes do tempo biológico adequado, desenvolvem um senso de responsabilidade hipertrofiado[1]. Adultos que cuidaram de irmãos ou pais durante a infância frequentemente sentem que o mundo depende exclusivamente de seus esforços. Essa dedicação extrema resulta em exaustão física e mental que o indivíduo ignora por hábito antigo[1]. O prazer pessoal é deixado de lado em favor das necessidades alheias, gerando uma frustração silenciosa, mas muito potente.

Necessidade constante de validação: A carência de suporte afetivo durante as fases críticas do desenvolvimento deixa marcas profundas na forma como o indivíduo percebe o próprio valor[2]. Filhos de pais ausentes emocionalmente crescem em um ambiente de incerteza afetiva, onde suas conquistas e dores são frequentemente ignoradas ou minimizadas. Esse vácuo de atenção gera a crença de que o amor é condicional, conquistado apenas por um desempenho impecável[2].

Na vida adulta, a busca por validação constante aparece em parceiros, amigos e chefes, como tentativa de preencher um reservatório que nunca foi abastecido na infância[2]. No cenário profissional, essa dinâmica transforma estudantes e trabalhadores em high achievers, mas a um custo emocional altíssimo.

Medo excessivo de errar: Crianças constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta. Essa autocrítica severa acompanha o indivíduo, criando uma voz interna que cobra perfeccionismo defensivo e pune qualquer tentativa de relaxar.

Sinais visíveis da infância insegura.

Identificar os padrões de comportamento herdados de uma infância sobrecarregada permite que o indivíduo inicie um processo de cura[1]. Muitas dessas características são vistas pela sociedade como qualidades admiráveis, mas escondem sofrimento psicológico latente:

  • Hipervigilância e dificuldade em relaxar: para quem pulou etapas do desenvolvimento, o ócio é interpretado como perda de tempo perigosa[1]. Relaxar significa baixar a guarda, despertando medo irracional de que algo terrível aconteça[1].
  • Dificuldade em aceitar favores e hiperindependência: surge como escudo para evitar depender de pessoas que podem falhar ou desaparecer[1]. Muitos preferem carregar todo o peso sem pedir colaboração.
  • Dificuldade em lidar com críticas: mesmo críticas construtivas desencadeiam respostas defensivas[2].
  • Tendência a se desculpar excessivamente: por falhas triviais ou até inexistentes[2].
  • Sentimento de invisibilidade: quando não recebe atenção imediata em grupos[2].
  • Foco excessivo na produtividade: incompatível com a capacidade de descanso[1].

Como a psicanálise propõe trabalhar essas experiências.

A transformação clínica passa por mais do que recordar: exige elaboração genuína. Procedimentos centrais incluem:

  • Estabelecer um vínculo seguro: criar uma aliança terapêutica estável para permitir a emergência de conteúdos vulneráveis;
  • Livre associação e interpretação: permitir que lembranças, sonhos e atos falhos sejam trazidos à luz e elaborados;
  • Uso da transferência/contratransferência: como campo para vivenciar e reparar padrões de vinculação;
  • Identificação e flexibilização de defesas: negação, projeção, acting out;
  • Técnicas junguianas (imaginação ativa, amplificação): para integrar imagens, símbolos e a sombra;
  • Psicoeducação e ressignificação narrativa: reconstruir a história pessoal com coerência;
  • Contenção e estabilização: antes de trabalhar traumas complexos;
  • "Reparentagem": o adulto aprende a fornecer a si mesmo o acolhimento que faltou[2].

Profissionais que trabalham com abordagem psicanalítica reconhecem a singularidade de cada história e o valor de colocar em palavras aquilo que, muitas vezes, permaneceu silenciado[1]. A escuta clínica atenta busca oferecer um espaço de construção de sentido — um tempo para olhar com mais cuidado para si, reconhecer repetições, elaborar dores e criar novas possibilidades de existir[1].

Fortalecer a comunicação interna e reconhecer os próprios méritos sem a necessidade de aplausos é um exercício diário de reconstrução da identidade[2].

Por que isso importa

Marcas não elaboradas limitam criatividade, autonomia e potencial profissional; fragilizam laços e perpetuam padrões intergeracionais. A hiperindependência que surge como estratégia de sobrevivência impede a formação de vínculos profundos, pois a vulnerabilidade é interpretada como risco inaceitável[1]. Quebrar essa barreira exige vulnerabilidade e aceitação de que conexões humanas saudáveis exigem trocas e apoio mútuo constante[1].

Investir em clínica, educação parental e políticas públicas de proteção à infância é, portanto, investimento em saúde social.

Uma questão pessoal.

A infância insegura não deve ser romantizada nem ignorada. Precisamos de uma cultura que reconheça a profundidade dessas marcas e ofereça caminhos reais de elaboração. Ao aceitar que a ausência dos pais foi uma falha deles, e não um reflexo da sua insuficiência, o indivíduo libera espaço mental para construir conexões baseadas na reciprocidade real[2].

A psicanálise, ao combinar interpretação, vínculo reparador e integração simbólica, propõe um processo que transforma máculas em possibilidades de escolha. Priorizar seu equilíbrio mental é fundamental para transformar essas marcas do passado em uma força construtiva e consciente hoje[1].

No fim, a verdadeira liberdade surge quando o reconhecimento mais importante vem de dentro, permitindo que a pessoa brilhe por quem ela é, e não pelo que ela faz para agradar o mundo.


Referências Bibliográficas

Freud, S. (1923). O Ego e o Id. Edição Padrão Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.

Freud, S. (1905). Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Companhia das Letras.

Jung, C. G. (1959). A Prática da Psicanálise. Editora Vozes.

Jung, C. G. (1981). Estrutura e dinâmica da psique. Petrópolis: Vozes.

Winnicott, D. W. (1990). Natureza Humana. Imago Editora.

Lacan, J. (1978). O Seminário: livro 2 - O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da Psicanálise. Jorge Zahar Editor.

Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Volume 1 - Attachment. Basic Books.

Correio Braziliense (2024). "Segundo a psicologia, pessoas que cresceram assumindo responsabilidades cedo demais frequentemente desenvolvem estes traços na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

Correio Braziliense (2024). "Crianças que cresceram sendo constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

UAI Notícias (2026). "A psicologia afirma que a necessidade constante de validação na vida adulta pode ser um reflexo direto da falta de suporte emocional na infância". Disponível em: https://www.uai.com.br/

Rieger, P. F. (2026). "A neurociência hoje mostra que essas experiências organizam não só o psiquismo, mas o próprio funcionamento do...". Instagram, 19 de março de 2026. Disponível em: https://secure.instagram.com/poliene_fsn_rieger/

Evolution Saúde Mental (2026). "Psicólogos(a) especialistas em: terapia-individual". Disponível em: https://evolutionsaudemental.com/

Psi Consultório (2026). "Psicoterapia online em Psicanálise - Freud". Disponível em: https://psiconsultorio.com.br/

setembro amarelo

Prevenção ao Suicídio

Busquemos mais a Eros e menos a Thanatos em nossa vida.

Outro setembro que se inicia e como ele uma nova Campanha ao combate a um mal que se espalha de forma silenciosa e voraz. O suicídio é um comportamento complexo, não respeita classe social, raça, credo, cor, sexo, idade etc., invade e toma a todos de forma intensa e destruidora.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos morrem mais pessoas por suicídio que por HIV, malária, câncer de mama, guerras ou homicídios.
 No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou em setembro de 2022 números alarmantes. Entre 2016 e 2021 houve um aumento de cerca de 50% na taxa de mortalidade de adolescentes (15 a 19 anos) e cerca de 45% entre os adolescentes de 10 a 14 anos.
 Houve um declínio nos números de suicídios na Europa, porém aumento na Ásia, América Central e América do Sul.

Apenas 38 países dos 193 no mundo tem estratégias nacionais de prevenção ao suicídio.

Na Psicanálise, o foco são os conflitos internos e a mente inconsciente que são determinantes no comportamento humano. Sob essa visão, podemos tecer que o suicídio é uma resultante de conflitos internos profundos, muitas vezes relacionadas a pulsões de vida (Eros) e de morte (Thanatos).

A prevenção ao suicídio, portanto, envolve a busca pela compreensão e o tratamento desses conflitos internos utilizando ferramentas como a análise de sonhos, associação livre, interpretação da transferência e contratransferência e a hipnose.

A ajuda de um terapeuta capacitado é essencial para o estabelecimento de uma descoberta segura e produtiva para essa pessoa possuidora de conflitos. O terapeuta, inicialmente, deve estabelecer uma relação de confiança e segura, onde o paciente se sinta à vontade para explorar seus pensamentos e sentimentos mais profundos.

É essencial na busca pela prevenção que o paciente se sinta à vontade e faça escolhas conscientes e saudáveis e isso é conseguido através do fortalecimento do Ego. Quando o paciente aprende a lidar melhor com as pulsões vida e morte (Eros e Thanatos) mais consciente e integrada, isso faz que se reduza atos destrutivos, como o suicídio.

Outra questão importante é explorar a motivação subjacente ao suicídio. Onde começam a surgir pensamentos de morte como tentativa de resolver os conflitos internos ou de escapar das dificuldades psicológicas que envolvem a situação. Quando esses pensamentos são analisados, o entendimento do conflito ajuda na descoberta e na solução das raízes do problema, o que leva a reduzir os atos suicidas.

Outra variável importante nessa complexa equação de prevenção é a observância e atenção dos familiares, amigos e das pessoas próximas. Quando percebemos mudanças no comportamento desse indivíduo como: isolamento social, mudanças bruscas de hábitos, humor variável e inconstante, comportamentos destrutivos, falta de zelo próprio, deve-se buscar ajuda profissional e dar apoio à pessoa.

Esse apoio pode vir em forma de palavras amigas e nunca julgamentos, pois a pessoa que passa por essa situação já está em constante e severa avaliação por ela mesma.

A busca pela ajuda terapêutica e profissional é muito importante e ao se deparar com pessoas nessa situação, tente orientar e, acima de tudo, respeitar o espaço e a vontade do indivíduo.

Respeito e afeto são os principais componentes dessa ajuda.

Borderline

Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) – Terapia ajuda?

Transtorno de Personalidade Borderline (TPB): A terapia psicanalítica é uma aliada maior do que se imagina.

O transtorno de personalidade borderline é descrito por uma instabilidade emocional, impulsividade, relacionamentos intensos e tumultuados, além de uma autoimagem distorcida, sendo observado predominantemente (cerca de 75%) em mulheres. Na psicanálise, o TPB é visto como resultado de conflitos internos profundos, frequentemente relacionados a experiências precoces de desenvolvimento.

O TPB pode ocorrer de forma concomitante a um transtorno depressivo ou bipolar, desta forma, podemos confundir seus diagnósticos. O profissional deve evitar o diagnóstico com base em apresentações dos sintomas momentâneos, deve-se ter o cuidado de observar o paciente num curso prolongado e bem documentado. Outros transtornos de personalidades também podem ser confundidos com o borderline. É importante destacar que apresentando características de mais de um transtorno, todos devem ser documentados e considerados.

Outro fato importante, é que algumas condições médicas relacionadas ao sistema nervoso central podem dificultar o diagnóstico e, portanto, deve ser atentamente observado. Outros pontos também a se considerar é o uso de substâncias que causem alterações psicológicas e problemas de identidade relacionados às fases de desenvolvimento, por exemplo a adolescência, cuja situação não se enquadre como um transtorno mental.

Dentro da visão psicanalítica são observados alguns pontos importantes neste transtorno, que diferencia a abordagem deste paciente das demais técnicas psicológicas, como segue:

·        Exploração do Inconsciente: tem o objetivo de trazer os pensamentos e as emoções reprimidas que influenciam o comportamento e as emoções do paciente. É utilizada a associação livre e a análise de sonhos, onde o terapeuta pode ajudar o paciente a acessar e entender os pensamentos inconscientes que podem causar instabilidade emocional.

·   Compreensão do Desenvolvimento Psicológico: pacientes borderline tiveram experiências de insegurança ou traumas na infância. Através da exploração desses eventos, o psicanalista busca entender como eles moldaram a personalidade e os mecanismos de defesa do paciente. Entender as fases do desenvolvimento psicossexual e os conflitos não resolvidos pode oferecer dicas valiosas para a terapia.

·        Análise da Transferência e Contratransferência: Pacientes com TPB frequentemente transferem sentimentos intensos para o terapeuta, replicando padrões de relacionamentos passados. A análise dessa transferência pelo terapeuta permite que ele entenda esses sentimentos, ajudando o paciente a ter consciência de seus padrões emocionais e comportamentais.

·        Fortalecimento do Ego: O borderline está frequentemente ligado a um ego frágil e a dificuldades em regular emoções. A terapia psicanalítica trabalha para fortalecer o ego, ajudando o paciente a desenvolver um senso mais estável de identidade e autocontrole. Técnicas psicanalíticas ajudam o paciente a juntar aspectos conflitantes de si mesmo, promovendo uma autoimagem mais forte.

·        Mecanismos de Defesa e Resolução de Conflitos Internos: Indivíduos com TPB usam mecanismos de defesa como a divisão (ver pessoas e situações em termos extremos de totalmente boas ou totalmente más). Sabendo disso, o analista ajuda o paciente a reconhecer e substituir esses mecanismos de defesa disfuncionais por formas mais flexíveis de lidar com conflitos internos.

·        Integração de Experiências Emocionais: Através da terapia, o paciente pode começar a juntar experiências emocionais fragmentadas em sua mente, promovendo uma compreensão mais profunda de seus sentimentos e comportamentos. O objetivo terapêutico é promover a capacidade do paciente de tolerar e processar emoções intensas sem recorrer a comportamentos impulsivos.

·         Estabelecimento de Relações Saudáveis: Outro objetivo da terapia é ajudar o paciente a entender e modificar os padrões destrutivos em seus relacionamentos. Dentro do espaço seguro da terapia, o terapeuta ajuda-o a explorar e experimentar novas formas de se relacionar com os outros.

·        Redução de Sintomas e Melhora da Qualidade de Vida: A longo prazo, a psicanálise pode levar a uma redução significativa dos sintomas do TPB, como a impulsividade, a instabilidade emocional e os comportamentos autodestrutivos. Quando se promove uma maior compreensão e aceitação de si mesmo, o paciente pode melhorar a qualidade de vida e sua funcionalidade.

Ainda dentro do campo da psicanálise, a hipnose, pode ajudar muito na compreensão e ressignificação de situações “gatilhos” que elevam muito a suscetibilidade de ocorrências, como: alterações de humor bruscas, eventos impulsivos, posicionamentos autodestrutivos e outros.

A terapia psicanalítica para TPB, como todo e qualquer processo terapêutico, é profundo e complexo, desta forma, exige um compromisso muito forte do paciente e do terapeuta. No entanto, com tempo e dedicação, a terapia proporciona uma melhora muito expressiva na saúde mental e no bem-estar do paciente.

CIÚMES – Conheça para aprender a lidar com este sentimento.

CIÚMES – Conheça para aprender a lidar com este sentimento.

O carnaval vem chegando e nesta época, com as brincadeiras e folias, muitos relacionamentos ficam abalados por este sentimento. Mas afinal, o que é o ciúme?

Ciúmes é uma emoção complexa e pode ser definido como um sentimento de insegurança, ansiedade ou medo de perder algo valioso para outra pessoa. Geralmente, está associado a relacionamentos interpessoais, como amorosos, amizades ou até mesmo no âmbito profissional.

Dentro da psicanálise, podemos observar três formas do indivíduo demonstrar esta emoção. O ciúme natural é quando a pessoa vê o seu parceiro sendo admirado por outra pessoa em alguma situação social.  Nesta forma de ciúme é considerado normal, pois é causado por uma situação visível e real. Porém desaparece rapidamente.

No ciúme patológico, torna-se inaceitável ao parceiro, pois acaba sendo uma obsessão. A pessoa que sofre com esta versão de ciúmes procura exageradamente coisas um do outro. Vigia o parceiro em todos seus movimentos, podendo segui-lo certos locais, como o objetivo de encontrar alguma coisa que sustente seu ciúme.

Outra forma de ciúme e mais grave é o neurótico, nesta modalidade o ciúme ocorre sem uma causa real, as suspeitas e os medos da pessoa sufocam o parceiro. A relação se torna extremamente tóxica, pois são feitas acusações, provocações sobre o parceiro ser infiel, constantemente. Além de que este tipo, podemos se dizer, que ele se retroalimenta, fazendo seus medos em relação à outra pessoa aumentarem ainda mais.

Como vimos, essa emoção do ciúme está ligada ao medo de perder algo ou alguém para outra pessoa. Portanto, não podemos restringir a apenas pessoas, sendo assim podemos observar uma outra subdivisão desta emoção ligada ao tipo do bem, por assim dizer, da pessoa que sofre com esta ligação.

No ciúme romântico o foco está no relacionamento amoroso. A pessoa tem medo de perder o seu amado para outra pessoa. Nesta modalidade, podemos evitar que o ciúme cresça mantendo uma comunicação aberta e honesta com o parceiro. Fortalecer a confiança é fundamental, compartilhar sentimentos e preocupações ajuda a reduzir os ciúmes.

O ciúme de amizades está ligado a perder a atenção do amigo para outra pessoa. Podemos evitar isso com a comunicação. Definir as necessidades e expectativas do relacionamento faz com que este ciúme não se fortaleça. Participar de atividades juntos também ajuda no controle e fortalece os laços de amizade.

O ciúme também pode surgir nas relações profissionais, quando a pessoa sente que está sendo superado por um colega de trabalho. Para evitar que isso aconteça e torne o ambiente profissional tóxico, concentre-se no desenvolvimento pessoal e profissional. Estabelecer metas realistas e buscar feedback construtivo ajuda a lidar com esta emoção. Melhorar suas habilidades também ajuda a reduzir esse sentimento. Buscar competições internas, desde que saudável, pode ser motivador também, desde que não comprometa o ambiente de trabalho.

Por fim, mas não menos importante, o ciúme dos bens materiais, neste a pessoa sente inveja das conquistas e pertences materiais da outra pessoa. A prática da gratidão ajuda a reduzir este sentimento. Procure estabelecer metas atingíveis para você e trabalhe constantemente para alcançar, evitando se comparar a outras pessoas.

O mais importante de tudo é que em quaisquer que sejam as formas, quando estes sentimentos se tornam excessivos, deve-se procurar ajuda profissional. Trabalhar a autoestima, em qualquer forma, é fundamental. 

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JANEIRO BRANCO – NÃO BASTA PARECER BEM, PRECISA SENTIR-SE BEM.

A campanha Janeiro Branco foi criada pela simbologia atribuída ao mês de janeiro. Por se tratar do primeiro mês do ano há essa questão de fechamento de um ciclo e o recomeço de outro. Já branco, por simbolizar a “página em branco” na qual podemos projetar sonhos, desejos, escrever uma história, onde podemos iniciar novos desafios.

O Brasil tem sido considerado um dos países mais ansiosos do mundo e um dos mais depressivos, também.

Desta forma, a importância desta campanha no sentido de conscientizar as pessoas sobre a necessidade do cuidado com nossa saúde mental.

Como podemos ajudar nossa mente a se manter em forma?

Imagem da internet

Conversando com amigos e parentes sobre a necessidade de nos conhecermos melhor. Ao perceber mudanças de comportamento, atitudes inconvenientes ou mesmo um simples isolamento, dar a devida atenção. Perguntar se aconteceu algo incomum ou se está tudo bem.

Em caso de percebermos tais comportamentos e não pudermos ajudar, indicar que procure ajuda de um profissional em saúde mental, tais como: psicanalista (clique aqui para ver ajuda), psicólogos ou psiquiatras.

Devemos também quebrar um importante tabu que é a busca de ajuda profissional. Devemos desmistificar que só devem procurar psicanalistas e psicólogos quem tem doença mental. Esses profissionais estão para ajudar, não somente nos casos de doenças, mas também para melhorar o desempenho profissional, o autoconhecimento e ajudar nas muitas dúvidas que existem sobre o assunto.

Portanto, se tem alguma dúvida, pode procurar ajuda sem medo de julgamentos ou rótulos. Pense nisso e seja mais saudável. 

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Novembro Azul – Conscientizar para não medicar.

A prevenção e os cuidados para o câncer de próstata (Campanha Novembro Azul) são essenciais e, conforme a Sociedade Brasileira de Urologia, em 2023, vitimarão cerca de 71,3 mil homens, desta forma, observa-se um aumento de 13,5 % da mortalidade em 5 anos. Trata-se do câncer que mais acomete os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele em índice de incidência. Ainda, representa um valor significativo do total de casos, chegando à média de 16 mil casos de óbito por ano.

O câncer de próstata se apresenta de forma mais comum entre homens com mais de 40 anos de idade, sendo que as alterações patológicas desta glândula aparecem em torno dos 50 anos de idade, sendo que nesta faixa etária também aumenta significativamente a mortalidade. Algumas ocupações profissionais estão mais suscetíveis a desenvolver o câncer, por isso é importante estar atento, como por exemplo, bombeiros, profissionais dos ramos de indústrias de eletrônicos, agricultores, mineradores, indústria de semicondutores e eletrodos, de borracha, atividades noturnas, entre outras.

Arquivo pessoal

É importante destacar que, quando identificado precocemente, esta doença tem cerca de 90% de chance de cura, portanto, um prognóstico muito bom.

Quais os sinais de que algo não está bem?

Um dos sinais de alerta de que há algo de errado com a próstata está relacionado ao crescimento e espessamento dos tecidos da glândula, quando o inchaço comprime a uretra e impede a passagem da urina, tornando a micção dolorosa ou difícil e em casos mais graves, impedindo a passagem e a retenção da urina. Outros sinais e sintomas são: maior necessidade ou demora para urinar. Essas complicações podem levar a problemas na bexiga e rins. Um sinal também é a dor óssea, que costuma ocorrer em casos mais graves também.

Se não tomados os devidos cuidados, as metástases deste tipo de câncer podem se espalhar por todo o corpo, como linfonodos, ossos e fígado.

Como em todas as doenças, a melhor forma de combate é a prevenção. Destaca-se que a idade é um dos principais fatores, se fazendo de extrema

relevância, portanto, a partir dos 45 anos, seja periódica a realização de exames para fazer o controle do PSA e o exame do toque.

Caso seja de conhecimento que há histórico familiar, principalmente antes dos 60 anos de idade, a atenção deve ser redobrada, pois aumenta a probabilidade de incidência do problema de 3 a 10 vezes mais. A obesidade se apresenta como outro fator que aumenta muito o risco.

Como é o tratamento?

As formas de tratamento para os tipos de câncer disponíveis incluem a utilização de medicamentos, terapia hormonal, passando também com opções de tratamentos radioterápicos, chegando até mesmo a técnicas cirúrgicas para a ressecção parcial ou total da glândula.

Como a fisioterapia atua nestes casos?

A fisioterapia será desenvolvida logo após o tratamento médico.

Os principais problemas apresentados pelos pacientes de câncer de próstata são a incontinência urinária e a disfunção erétil.

Na incontinência urinária, o paciente passa a ter perda de urina ou por alterações na bexiga, que não consegue armazenar a urina e a qualquer pressão ou contração involuntária deixa a urina escapar. A outra forma, é pelo déficit esfincteriano. Quando a pressão no abdômen é aumentada, há a perda de urina, a chamada incontinência de esforço.

A disfunção erétil surge pelo comprometimento nervoso no local, devido ao tratamento. O retorno da ereção, sem o uso de medicação, pode variar de três meses a até um ano. A variação depende muito da idade e do tipo de tratamento utilizado. Desta forma, quanto mais jovem o paciente, mais rápida será a possibilidade de recuperação da ereção.

O tratamento fisioterápico deve ser iniciado o quanto antes. Poderá ser iniciado com técnicas de cinesioterapia, biofeedback e eletroterapia.

O psicológico é afetado?

Outro ponto importante a ser observado neste paciente é o psicológico. Este é um ponto crucial para o tratamento e recuperação deste paciente oncológico. O sentimento de incapacidade, a redução na autoestima, a distorção de sua imagem, a redução de sua masculinidade está intimamente relacionada às consequências dessa doença. Portanto, o acompanhamento psicológico deve ser iniciado o quanto antes.

Tenha uma postura consciente e busque manter sua saúde em dia manter sua saúde em dia.