Dor menstrual forte não é normal: quando investigar endometriose?
Dor menstrual forte não é normal: quando investigar endometriose?
Ginecologista alerta que sintomas frequentemente normalizados podem esconder uma doença inflamatória crônica que afeta fertilidade, rotina e saúde emocional de milhões de mulheres
Durante muito tempo, sentir dor intensa na menstruação foi tratado como algo “esperado” da vida feminina.
Mulheres acostumaram-se a faltar ao trabalho, cancelar compromissos, tomar analgésicos repetidamente e seguir a rotina mesmo diante de um sofrimento incapacitante.
O problema é que, em muitos casos, essa dor pode ser um sinal de alerta para a endometriose, doença inflamatória crônica que afeta milhões de brasileiras em idade reprodutiva.
Segundo a ginecologista Karoline Prado, um dos maiores obstáculos para o diagnóstico ainda é a normalização da dor feminina.
“A cólica menstrual leve pode ser comum.
Mas a dor incapacitante, que interfere na qualidade de vida, não deve ser considerada normal.
Muitas pacientes convivem anos com sintomas antes de receber um diagnóstico adequado”, explica.
A endometriose acontece quando tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o útero — cresce fora dele, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outros órgãos.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- cólicas intensas;
- dor durante a relação sexual;
- dor para evacuar ou urinar no período menstrual;
- sangramento intenso;
- distensão abdominal;
- dificuldade para engravidar;
- menstruação irregular.
Embora a doença seja frequentemente associada à infertilidade, nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar.
Ainda assim, o diagnóstico precoce é fundamental para preservar qualidade de vida e saúde reprodutiva.
Karoline alerta que o corpo costuma dar sinais antes que a doença avance.
“Muitas pacientes escutam por anos que estão exagerando ou que têm baixa tolerância à dor.
Isso atrasa a investigação e impacta não apenas a saúde física, mas também emocional, profissional e afetiva dessas mulhere”, destaca.
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e dos objetivos de cada paciente, podendo incluir acompanhamento hormonal, controle da dor, mudanças de estilo de vida e, em alguns casos, cirurgia.
Mais do que falar sobre cólica, discutir endometriose é também ampliar o debate sobre escuta, diagnóstico e saúde feminina baseada em evidências e não na naturalização do sofrimento.
Caso tenha interesse na pauta, estou à disposição para fazer a ponte de entrevista com a ginecologista.
Karoline Prado
Médica ginecologista e obstetra, com atuação voltada à saúde íntima feminina em todas as fases da vida. Pós-graduada em procedimentos íntimos, incluindo laser e cirurgia íntima, trabalha com foco em bem-estar, funcionalidade e qualidade de vida da mulher.
Defende uma abordagem humanizada, baseada em evidências, com ênfase no acolhimento, autonomia e educação em saúde.
Assessoria de Imprensa
Júlia Bozzetto
Jornalista MTB/RS 19335
(51) 99632-1935
