Priscila Montagna: o alerta sobre o Wollying, a violência silenciosa entre mulheres

O Wollying: a violência silenciosa entre mulheres que precisamos enfrentar

Um chamado para maturidade relacional no século XXI- Por Priscila Montagna

Criadora da metodologia Relação Horizontal®

Nos últimos anos tenho dedicado minha vida a estudar algo que poucas pessoas têm coragem de abordar com profundidade: a forma como os seres humanos se relacionam.

E existe um fenômeno silencioso que precisa ser nomeado.

Ele acontece nas escolas.

Nas empresas.

Nas igrejas.

Nas redes sociais.

E até dentro de movimentos femininos.

Estou falando do Wollying, termo que tem sido utilizado para descrever o bullying entre mulheres, uma forma de violência relacional marcada por exclusão, difamação, sabotagem social e ataques indiretos à reputação.

É uma violência que raramente deixa marcas físicas.

Mas deixa cicatrizes profundas na autoestima, no pertencimento e na saúde emocional de quem sofre.

E precisamos falar sobre isso.

A violência invisível entre mulheres

Diferente da agressão física mais comum entre homens, mulheres tendem a operar conflitos através de agressão relacional.

Essa dinâmica aparece de várias formas:

• exclusão social

• fofoca destrutiva

• cancelamento moral

• isolamento dentro de grupos

• sabotagem profissional

• ataques indiretos à reputação

Esse tipo de comportamento muitas vezes é naturalizado culturalmente como “intriga feminina”.

Mas a ciência mostra que não se trata de algo pequeno ou irrelevante.

Estudos em neurociência relacional mostram que rejeição social ativa no cérebro os mesmos circuitos associados à dor física.

Ou seja, ser excluído socialmente também é uma forma real de sofrimento biológico.

A raiz histórica da rivalidade feminina

Para compreender esse fenômeno precisamos olhar para a história.

A historiadora Gerda Lerner demonstrou que o sistema patriarcal ao longo dos séculos se sustentou criando divisões estruturais entre mulheres, separando-as em categorias sociais e incentivando rivalidade dentro de grupos femininos.

Mulheres foram ensinadas a competir por validação, proteção e espaço social.

Esse padrão foi transmitido culturalmente por gerações.

O resultado é que muitas vezes reproduzimos, sem perceber, dinâmicas que enfraquecem a própria comunidade feminina.

O cérebro humano foi feito para vínculo

A ciência do apego mostra algo fundamental:

seres humanos precisam de vínculos seguros para se desenvolver de forma saudável.

Relacionamentos seguros promovem:

• regulação emocional

• sensação de pertencimento

• segurança psicológica

• desenvolvimento cognitivo e social

Quando vínculos são substituídos por competição, exclusão ou humilhação social, o impacto é profundo na saúde emocional e física das pessoas.

Por isso o Wollying precisa ser reconhecido como um fenômeno sério.

A pergunta que precisamos fazer

Se mulheres sabem o que é ser silenciadas…

Se sabem o que é lutar por espaço…

Se sabem o que é enfrentar desigualdade…

por que tantas vezes repetimos entre nós mesmas as mesmas dinâmicas de exclusão?

Minha percepção como pesquisadora e ao observar as relações humanas é que isso acontece porque fomos educadas dentro de estruturas sociais profundamente hierárquicas e competitivas.

Aprendemos a sobreviver disputando espaço.

Mas o mundo que queremos construir exige algo diferente.

Exige maturidade relacional.

Relações Horizontais: uma nova forma de existir em comunidade

Foi a partir dessa investigação que desenvolvi a metodologia Relação Horizontal®.

A proposta é simples, mas profundamente transformadora.

Substituir estruturas relacionais baseadas em poder, hierarquia e competição por relações baseadas em consciência, maturidade emocional e cooperação.

Relações horizontais não significam ausência de liderança.

Significam liderança relacional madura, onde o crescimento de uma pessoa não depende da diminuição da outra.

Em ambientes horizontais:

• mulheres não competem por espaço

• mulheres criam redes

• mulheres ampliam oportunidades umas das outras

Esse é um salto civilizacional.

Um chamado à Mulher

Aproveito o simbolismo do Dia Internacional da Mulher para fazer um convite.

Um convite profundo.

Que possamos olhar para nós mesmas com coragem.

Que possamos reconhecer as feridas que carregamos.

Mas que possamos também escolher algo novo.

Que possamos construir ambientes onde mulheres se apoiem, se fortaleçam e se reconheçam como aliadas na construção de um mundo mais humano.

Porque quando mulheres se levantam, o mundo muda.

Mas quando mulheres se unem com maturidade relacional, o mundo evolui.

E talvez esse seja um dos passos mais importantes da nossa geração.

Priscila Montagna

https://www.instagram.com/priscilamontagna.oficial/

Pesquisadora das relações humanas

Criadora da metodologia Relação Horizontal®

Especialista em maturidade relacional e desenvolvimento humano