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“Comida di Buteco” entra na última semana em Joinville: veja onde provar

Concurso gastronômico com 19 bares participantes segue até 3 de maio

Restam poucos dias para os joinvilenses ajudarem a eleger o melhor "boteco raiz" da maior cidade do estado. A etapa local do Comida di Buteco 2026 entra em sua reta final e encerra a votação neste domingo, 3 de maio. Ao todo, 19 estabelecimentos de 14 bairros participam da disputa, que este ano celebra os 26 anos do concurso no Brasil.

Com o tema livre e petiscos ao preço fixo de R$ 40, o concurso busca valorizar a culinária caseira e o empreendedorismo familiar. 

Para participar, o público deve visitar os bares, degustar o prato concorrente e avaliar quatro critérios: petisco (que tem o maior peso, com 70% da nota), atendimento, higiene do local e temperatura da bebida. O voto popular representa 50% da média final, enquanto a outra metade é decidida por um corpo de jurados especializados.

Rumo ao título nacional

O vencedor de Joinville não para por aqui. Após o encerramento da etapa local, o campeão da cidade receberá novas visitas técnicas para disputar o título de Melhor Buteco do Brasil. O resultado nacional será anunciado em julho, em um evento oficial na cidade de São Paulo.

Comida di Buteco Joinville 2026

  • Prazo final: Até domingo, 3 de maio.
  • Onde: 19 bares espalhados por Joinville (lista abaixo).
  • Valor: Preço fixo de R$ 40 por petisco.
  • Mais informações: comidadibuteco.com.br

Confira os participantes e seus petiscos:

América: Petisqueira Caxias

Anita Garibaldi: Bar do Adolfo 

Anita Garibaldi: San Julian Brew Pub

Boa Vista: 350 Lanches

Bucarein: Espaço Sabor

Centro: Empadas Jerke 

Centro: Holy Meat 

Centro: Mais Mais Lanches

Espinheiros: Petisqueira do Binho

Fátima: Alho e Menta e Açaideira

Floresta: Joe Tekila 

Floresta: Skina Samuca Bar e Restaurante 

Floresta: Sul Bar

Guanabara: Dovah Lanches e Shawarmas

Itaum: X-Picanha

Iririú: Soparia Temperos do Norte

Saguaçu: Boteco do Jota 

Saguaçu: Casa AmarelaSanto Antônio: Mr. Lúpulo

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Cor como estratégia: como a Suvinil transforma presença em experiência na Bienal de Arquitetura

Na BAB, marca transforma sua plataforma em experiência e conecta cor, convivência e cultura em diferentes escalas

Em um cenário em que marcas buscam cada vez mais relevância cultural, a presença em eventos deixa de ser apenas exposição e passa a ser construção de experiência. Na Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), esse movimento aparece com clareza: mais do que ocupar um espaço, empresas vêm usando o ambiente como plataforma para traduzir posicionamento, ancorar narrativas e territórios, além de gerar conexão com o público, propondo conversas que vão além dos portões do Ibirapuera.

Nesse contexto, a Suvinil chega à Bienal com um olhar que parte da cor como linguagem, e não apenas como recurso estético. Como patrocinadora e tinta oficial da mostra, a marca utiliza o espaço para materializar a plataforma Cor Muda Tudo, que propõe a cor como elemento ativo na forma como as pessoas percebem, habitam e se relacionam com os ambientes.

Na prática, isso se desdobra em uma presença que acompanha o próprio percurso do visitante. Ao longo dos pavilhões, as escolhas cromáticas ajudam a construir atmosferas distintas, reforçando conceitos arquitetônicos e criando uma experiência que não se limita à observação, mas envolve sensação, memória e permanência.

 “O que nos interessa é entender como a cor participa da vida das pessoas. Quando trazemos esse olhar para um evento como a Bienal, estamos ampliando essa conversa e mostrando como a cor pode influenciar a forma como os espaços são vividos, não só percebidos”, afirma Sylvia Gracia, gerente de Marketing, Cor e Conteúdo da Suvinil.

Esse pensamento ganha uma leitura mais direta no Boteco Suvinil, projeto assinado por Nicole Tomazi e Sergio Cabral (@tomazicabral), que parte de um dos símbolos mais reconhecíveis do cotidiano brasileiro para criar um espaço de convivência dentro da Bienal. Mais do que uma instalação, o ambiente funciona como ponto de encontro ao longo do percurso, convidando o público a permanecer, interagir e experimentar o espaço de forma mais espontânea.

Inspirada na brasilidade do cotidiano, presença da marca na BAB transforma cor em linguagem de encontro, memória e convivência | Créditos: Iram Guimarães

É ali que o estudo Co(r)existir 2026 se materializa de forma mais evidente. Ao traduzir a convivência entre diferentes ritmos, pessoas e histórias em um ambiente informal, o boteco se posiciona como expressão física desse conceito — um lugar onde a cor acompanha relações, ativa memórias e reforça o papel do encontro como parte essencial da experiência.

“O boteco é mais do que um cenário, ele é um dos lugares onde a vida brasileira acontece. Ao trazer esse espaço para a Bienal, a gente reforça esse olhar de que a cor nasce das ruas, das relações e das histórias do cotidiano. É um ambiente democrático e afetivo, onde o íntimo encontra o coletivo e as conversas ganham forma. No fim, ele se torna uma grande declaração de brasilidade, em que a cor aparece como uma experiência cultural viva", complementa Sylvia.

Cor Muda Tudo em diferentes territórios

A presença na BAB não é um movimento isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla da Suvinil de ativar a plataforma Cor Muda Tudo em diferentes contextos pelo país. Antes da Bienal, esse mesmo olhar já havia ganhado corpo em iniciativas como o Projeto Candeal, em Salvador, onde a marca participou da revitalização de mais de 150 casas com envolvimento direto da comunidade.

“Cor Muda Tudo é sobre conectar marca, cultura e território. A presença da Suvinil na Bienal é um desdobramento natural dessa visão, construída ao longo do tempo em iniciativas como a recente ação do Candeal — onde a cor passa a integrar a identidade, a memória e história das pessoas”, diz Renato Firmiano, diretor sênior de Marketing do Consumer Brands Group da Sherwin-Williams no Brasil.

Foi no Candeal, em Salvador, que Cor Muda Tudo saiu do conceito para ganhar forma no território, em um projeto construído junto à comunidade e conectado à cultura local | Créditos: Divulgação Suvinil

Ao conectar ações em diferentes escalas — de uma comunidade em Salvador a um dos principais eventos de arquitetura, no Sudeste do país — a Suvinil consolida uma estratégia que coloca a cor como eixo central de suas ativações. Mais do que presença, a marca busca construir repertório, mostrando como esse olhar se adapta a contextos distintos, mas mantém o ponto de partida: a cor como agente de transformação.

Bienal de Arquitetura Brasileira – de 27 de março até 30 de abril

Funcionamento: todos os dias, das 9h00 às 22h00

Local: no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), Parque Ibirapuera

Sobre a Suvinil

Na editoria de arquitetura e decoração, é impossível falar de cor, acabamento e transformação de ambientes sem destacar a trajetória da Suvinil. Referência consolidada no mercado brasileiro de tintas decorativas, a marca construiu, ao longo de mais de seis décadas, uma história pautada por qualidade, inovação e proximidade com profissionais, consumidores e parceiros em todo o país.

Mais do que oferecer um portfólio completo para diferentes superfícies, a Suvinil se posiciona como uma agente de transformação — não apenas de espaços, mas de realidades. Essa visão se traduz em iniciativas que vão além do produto, como o desenvolvimento de estudos de comportamento e tendências, a exemplo do Suvinil Co(r)existir, que antecipa movimentos da sociedade por meio das cores.

A marca também investe em tecnologia e experiência do usuário, com ferramentas digitais que facilitam a jornada de escolha, como simuladores de ambientes e aplicativos interativos. A proposta é clara: tornar o processo mais simples, intuitivo e acessível tanto para consumidores quanto para profissionais da pintura.

No dia a dia, essa praticidade se reflete em conteúdos educativos nas plataformas digitais, além de embalagens e soluções pensadas para otimizar cada etapa da pintura. Tudo isso sem abrir mão de um compromisso sólido com a qualidade — atributo que sustenta a confiança do público brasileiro, graças à durabilidade, cobertura e acabamento reconhecidos de seus produtos.

Com uma identidade genuinamente brasileira, a Suvinil valoriza a diversidade cultural do país, traduzindo essa pluralidade em campanhas, paletas e ações que dialogam com diferentes estilos de viver e habitar. Ao mesmo tempo, reforça seu papel social por meio de práticas sustentáveis, programas de descarte consciente, como o Suvinil Circula, e iniciativas de capacitação profissional, como o Pintar o Bem, voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Presente em múltiplos canais — do ambiente digital às redes sociais —, a marca amplia seu alcance e fortalece sua conexão com o público, reafirmando seu propósito de estar ao lado das pessoas em cada projeto, escolha e transformação.

https://www.suvinil.com.br/

Imagem Destaque: Com o Boteco Suvinil e o estudo Co(r)existir 2026, empresa traduz sua plataforma de marca em experiências que extrapolam o espaço expositivo | Créditos: Iram Guimarães

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Falmec na EuroCucina 2026

Na semana que encerra o Salone, a Falmec trouxe à tona o conceito Mimesis, apresentado durante a EuroCucina FTK 2026 como um guia claro para entender o futuro da cozinha segundo a marca.

Mais do que um projeto expositivo, Mimesis traduz uma nova forma de pensar o design: soluções que não se destacam de maneira impositiva, mas que se integram naturalmente ao ambiente. A proposta parte da ideia do ar — simbolizado por moléculas circulares — sendo captado por sistemas praticamente invisíveis, que funcionam como um “pulmão” oculto dentro do espaço doméstico.

Na prática, isso significa coifas e sistemas de ventilação que deixam de ser protagonistas visuais e passam a se fundir às bancadas, ao teto e até mesmo à iluminação, criando uma experiência mais fluida e silenciosa na cozinha.

O conceito também carrega uma mensagem central de bem-estar. Representado pelo círculo, Mimesis reforça a busca por equilíbrio entre estética, conforto e funcionalidade — três pilares que passam a coexistir de forma integrada no dia a dia.

Além da tecnologia e do design, os materiais ganham destaque. As superfícies acompanham as principais tendências do design de interiores, aliando sofisticação estética à praticidade, um ponto essencial para o uso cotidiano.

A apresentação de Mimesis na EuroCucina FTK 2026 também marca um momento importante para a Falmec: seus 45 anos de história. Mais do que celebrar o tempo, a data reforça a trajetória da marca construída sobre inovação, excelência industrial e produção integralmente Made in Italy, consolidando sua posição como especialista em ventilação para cozinhas.

Sobre o Grupo Elettromec:  

Desde 1997, o Grupo Elettromec é referência em eletrodomésticos de luxo no Brasil e reconhecido por unir tecnologia, design e funcionalidade superior.  

Detentor das marcas Elettromec e Invita, além de distribuidor exclusivo das italianas Falmec e Fulgor Milano e da norte-americana Viking, o Grupo reafirma seu compromisso com a excelência e a inovação. Com uma ampla quantidade de produtos, as marcas levam alta performance e design único para cozinhas e ambientes gourmets, estando presente em diversos setores, como o residencial, comercial, hoteleiro, náutico, entre outros.  

Presente nas mais conceituadas boutiques de eletrodomésticos por todo o país, o grupo conta com lojas próprias, que reúnem em um único espaço as marcas Elettromec, Falmec, Fulgor Milano e Viking, localizadas nas cidades de Campinas (SP), Piracicaba (SP), Barueri (SP), Santo André (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Campo Grande (MS) e Goiânia (GO). 

Visite o site https://elettromec.com.br/ e conhecer mais sobre as marcas do grupo. 

Fotos: DIvulgação/Falmec

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A Mente Invisível que Decide o Visível: Ansiedade e o Desempenho de Atletas de Elite.

A ansiedade de um campeão é frequentemente o segredo não dito das grandes competições mundiais. Quando a pressão atinge seu pico, nos momentos decisivos onde títulos são decididos e nações inteiras retêm a respiração, a capacidade de gerenciar emoções torna-se mais determinante que qualquer habilidade técnica. Este texto explora como a ansiedade afeta atletas de ponta, quais sinais revelam seu impacto silencioso e estratégias psicológicas fundamentadas em pesquisas universitárias e abordagens psicanalíticas para transformar esse estado em vantagem competitiva.

O Peso Invisível: A Realidade Psicológica da Competição de Elite

A realidade é crua: 38% dos jogadores profissionais de futebol relatam sintomas de ansiedade ou depressão, e estudos publicados no Journal of Applied Sport Psychology indicam que até 75% do desempenho em momentos decisivos depende de fatores psicológicos, não da técnica[14]. A Seleção Brasileira carrega disso uma experiência visceral. Após eliminações traumáticas para a Bélgica em 2018 e para a Croácia em 2022, a equipe enfrenta uma realidade psicológica complexa: não se trata apenas de qualidade técnica, mas de força mental para converter expectativa em motivação[10][10].

Neymar, exemplar ilustrativo dessa pressão, enfrentou críticas não apenas sobre lesões, mas também sobre seu desempenho, condicionamento e estado físico, refletindo como o psicológico permeia a narrativa pública dos atletas[2]. Este é um peso invisível que não aparece nas estatísticas, mas influencia decisões, confiança e comportamento do grupo. Nas Copas do Mundo, a pressão emocional volta a ganhar protagonismo especialmente em jogos decisivos, quando o peso da camisa se intensifica[10].

Pesquisadores da Universidade de Harvard, através de estudos de neurociência aplicada ao esporte, revelam que treinar sob pressão é fundamental para proteger o atleta. Quando um atleta simula a competição com estresse, incerteza e consequências reais durante treinos, reconhece a pressão e isso reduz significativamente a ativação da amígdala cerebral durante a competição[23]. Flávio Marreti, treinador de tênis nos EUA e estudante de neurociência em Harvard, evidencia que gerar pressão dentro do treino melhora e diminui a pressão dentro da competição—um princípio que ainda é negligenciado na maioria dos programas de treinamento[23].

Sinais, Sintomas e a Psicopatologia da Ansiedade Competitiva

A ansiedade pré-competitiva manifesta-se de formas variadas e frequentemente subestimadas. Os sinais clássicos incluem aumento de ansiedade antes de jogos ou práticas, perda de prazer no esporte, irritabilidade ou retraimento, problemas de sono ou dores de cabeça recorrentes, e medo de cometer erros ou decepcionar[5]. No contexto do futebol profissional, pesquisas da FIFPro revelam que 26% dos jogadores enfrentam distúrbios do sono regularmente e 23% relatam problemas de autoestima durante a carreira[14].

Fisiologicamente, quando uma pessoa enfrenta estresse competitivo, o corpo ativa sistemas de resposta que aumentam frequência cardíaca, contraem vasos sanguíneos e elevam pressão arterial[18]. Este mecanismo é natural em situações pontuais, mas o problema surge quando este estado se torna constante. O estresse crônico mantém o corpo em alerta permanente com liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina, favorecendo aumento sustentado de pressão e sobrecarga do sistema cardiovascular[18].

Em atletas jovens, os dados são igualmente preocupantes. Pesquisas clínicas mostram que 16.9% de atletas elite juvenis experimentavam pelo menos um transtorno mental no momento da avaliação, com prevalência ao longo da vida atingindo 25.1%[3]. O treinamento excessivo afeta entre 20-30% dos atletas jovens elite, com taxas mais altas em esportes individuais e entre mulheres, apresentando sinais como fadiga crônica, irritabilidade, ansiedade e desmotivação[3][11].

De perspectiva psicanalítica, a ansiedade competitiva pode ser compreendida através do conceito winnicottiano de espaço potencial. Donald Winnicott, em seus estudos sobre desenvolvimento humano, argumentava que existe um espaço entre a realidade interna (desejos, fantasias) e a realidade externa (demandas objetivas). Na competição de elite, este espaço se colapsa: o atleta é confrontado simultaneamente com suas capacidades reais e expectativas impossíveis, gerando o que Winnicott chamaria de "falha ambiental"[17]. Este conflito não resolvido manifesta-se como ansiedade performativa.

Estratégias de Intervenção: Transformando Ansiedade em Foco

A ciência do esporte moderno oferece ferramentas concretas para transformar ansiedade em vantagem competitiva. Estratégias psicológicas como respiração profunda e visualização positiva são cruciais para manter equilíbrio emocional durante competições de alta pressão[25]. A respiração consciente, especificamente, funciona recalibrando todo o sistema nervoso—técnicas como respiração diafragmática (inspirar 4 segundos, segurar 4 segundos, expirar 6 segundos) reduzem significativamente a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal[14][23].

Intervenções baseadas em mindfulness mostram-se particularmente eficazes. Reduzem ansiedade pré-jogo em até 30%, melhoram concentração durante treinos e competições, aceleram recuperação emocional após erros, e melhoram qualidade do sono[14]. Clubes europeus como Manchester City e Bayern de Munique já integram sessões regulares de mindfulness em suas rotinas de treinamento[14]. Harvard e outras universidades de ponta reconhecem agora que atletas que praticam meditação e mindfulness mantêm maior estabilidade emocional mesmo sob pressão[25].

A visualização mental, especialmente quando inclui cenários de "pior caso", prova-se um "potencializador de performance legal e pouco conhecido"[8]. Rory McIlroy, bicampeão de Masters, regularmente pergunta a si mesmo: qual é o pior que pode acontecer, e então visualiza-se lidando efetivamente com esse cenário[8]. Este tipo de mental imagery que confronta possibilidades negativas não aumenta o medo—na verdade reduz a sensação de impotência quando o "pior" realmente ocorre.

Da perspectiva psicanalítica, essas técnicas funcionam porque permitem ao atleta integrar seus aspectos mais vulneráveis e poderosos. Melanie Klein, psicanalista que revolucionou o entendimento das relações objetais, argumentaria que a ansiedade emerge do conflito entre agressividade interna (desejo de vencer) e culpa inconsciente (medo de destruição/fracasso). Quando um atleta pratica mindfulness ou visualização do pior cenário, está simbolicamente elaborando este conflito interno, transformando-o em conhecimento integrado[29].

Técnicas de respiração e presença (estar no "agora") funcionam operacionalizando o que a neurociência chama de "redirecionamento atencional"—no lugar de deixar a mente construir narrativas autodestrutivas ("não posso errar", "vou perder de novo"), o atleta pratica trazer atenção para o que realmente pode controlar naquele momento específico[8][23]. Esta é essencialmente uma reestruturação cognitiva dinâmica que encontra paralelo com a psicanálise moderna em sua ênfase na presença e aceitação das emoções em tempo real.

O Diferencial Competitivo: Quando Teorias Se Encontram na Prática

A competitividade saudável, segundo pesquisas de John Nicholls da Universidade de Stanford, diferencia-se em dois tipos: orientação para resultado (centrada na comparação com outros, em vencer) e orientação para tarefa (voltada ao próprio desenvolvimento)[13]. Atletas orientados para tarefa apresentam maior estabilidade emocional, menor ansiedade e maior persistência a longo prazo[13]. Este descobrimento transforma completamente como programas devem ser estruturados.

A Seleção Brasileira, preparando-se para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, enfrenta este desafio precisamente: convertir a cobrança massiva de uma torcida que aguarda há anos um título mundial em motivação para a tarefa, não apenas em pressão para vencer resultados[10]. A preparação mental torna-se essencial para que jogadores consigam lidar com críticas, expectativas e adversidades ao longo dos confrontos decisivos.

Intervenções cognitivo-comportamentais mostram que fortalecer identidade atlética aumenta resiliência social, reduzindo ansiedade relacionada à imagem corporal em homens, embora paradoxalmente possam aumentar ansiedade de aparência social se não devidamente monitoradas[7][7]. O desafio está em fortalecer confiança sem desenvolver fragilidade emocional—um equilíbrio psicológico delicado que requer supervisão profissional contínua.

Conclusão: O Invisível Que Decide o Visível

A ansiedade em atletas de ponta não é algo a ser eliminado, mas integrado e reorientado. Pesquisadores de universidades como Harvard, Stanford, MIT e europeus confirmam unânimemente: o fator psicológico é determinante em até 75% do desempenho em momentos decisivos[14]. A Seleção Brasileira, como muitas equipes elite, compreende agora que investir em preparação mental é tão crucial quanto treino físico.

Do ponto de vista psicanalítico moderno, especialmente através de perspectivas winnicottianas sobre espaço potencial e kleinianas sobre integração de aspectos conflitivos, a ansiedade revela-se não um sintoma a eliminar, mas uma comunicação do psique sobre necessidade de integração emocional. Técnicas de respiração consciente, visualização de cenários negativos, mindfulness, reestruturação cognitiva e suporte psicológico profissional oferecem ao atleta contemporâneo ferramentas científicas e psicologicamente fundamentadas para transformar este "peso invisível" em clareza mental e desempenho superior nos momentos que mais importam.

Neste novo contexto onde a Seleção Brasileira busca redefinir seu legado competitivo e onde atletas como Neymar enfrentam escrutínio sobre múltiplas dimensões de desempenho, a verdade permanece: o jogo começa muito antes de qualquer apito soar. Começa na mente, onde campeões ou derrotas são primeiro moldados[25].


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[2] CHOSUN ILBO. Neymar enfrenta críticas sobre desempenho e condicionamento físico. Disponível em: <https://www.chosun.com/english/sports-en/2026/04/16/E5XHRJQ5AJD3ZIEC77F33MP37M/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[3] MCCARTHY, P. Youth Sports Psychology: What Competition Actually Does to Your Child's Mental Health. Disponível em: <https://www.drpaulmccarthy.com/post/youth-sports-psychology-what-competition-actually-does-to-your-child-s-mental-health>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[5] CONNECTICUT CHILDREN'S. Growing Healthy: Youth Sports Pressure and Mental Health. Disponível em: <https://www.connecticutchildrens.org/growing-healthy/youth-sports-pressure-hurting-your-child-s-mental-health>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[7] JOURNAL OF MEN'S HEALTH. Identidade Atlética, Resiliência Social e Ansiedade de Aparência. Disponível em: <https://www.jomh.org/articles/10.22514/jomh.2025.029>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[8] PSYCHOLOGY TODAY. The Power of Negative Thinking for Athletic Performance: The Athlete's Nervous System. Disponível em: <https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-athletes-nervous-system/202604/the-power-of-negative-thinking-for-athletic-performance>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[10] BOLA VIP. Seleção Brasileira: Pressão Psicológica em Jogos Grandes. Disponível em: <https://br.bolavip.com/selecao-brasileira/pressao-psicologica-selecao-brasileira-jogos-grandes>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[11] CADERNOS CAJUÍNA. Transtorno de Overtraining em Atletas de Elite. Disponível em: <https://v3.cadernoscajuina.pro.br/index.php/revista/article/download/1708/1378/5421>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[13] PSICCOM. A Importância da Competitividade no Esporte: Orientação para Resultado vs. Tarefa. Disponível em: <https://www.psiccom.com/colunas/post/a-importancia-da-competitividade-no-esporte>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[14] FUTEBOL.WORK. Psicologia Esportiva no Futebol: Saúde Mental, Ansiedade e Desempenho. Disponível em: <https://futebol.work/psicologia-esportiva-futebol-mental/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[17] WINNICOTT, D. W. Playing and Reality. Disponível em: <https://books.google.mw/books?id=JHMdZC08HhcC&printsec=copyright>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[18] CNN BRASIL. Saúde Mental e Pressão Alta: Como o Estresse Pode Impactar o Coração. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/saude-mental-e-pressao-alta-como-o-estresse-pode-impactar-o-coracao/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[23] YOUTUBE. Treinamento Sob Pressão e Neurociência: Redução de Ansiedade em Atletas de Elite (Flávio Marreti/Harvard). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2jgzP4rE5hU>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[25] GESTÃO DESPORTIVA. Formação de Atletas: Preparação Mental e Psicológica em Esportes de Elite. Disponível em: <https://www.gestaodesportiva.com.br/formacao-atletas.html>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[29] G1 GLOBO. Psicanálise: O Que É e Seus Principais Autores (Instituto Especial de Conhecimento Psicanalítico). Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/instituto-especonhecimento-psicanalitico/noticia/2026/03/31/psicanalise-o-que-e-e-seus-principais-autores.ghtml>. Acesso em: 18 abr. 2026.

LOGO TUCURUVI 2027 OFICIAL

“Ogbódirin, Ògbóni” é o enredo da Acadêmicos do Tucuruvi para o carnaval de 2027

Para o carnaval de 2027, a Acadêmicos do Tucuruvi defenderá o enredo “Ogbódirin, Ògbóni”, assinado pelo enredista Cleiton Almeida e pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves, uma saudação à fraternidade iorubá Ògbóni, cuja percepção de mundo pode ser traduzida no lema “Ogbódirin”, que significa “envelhecer e continuar forte como ferro”.

A agremiação mantém o propósito que orientou seus últimos carnavais de levar para a avenida histórias que inspiram o bem coletivo e ideias de futuros promissores. A partir da sabedoria de Òrúnmìlà e dos pilares de Ifá, a escola da Cantareira saúda o legado de Ògbóni e apresenta seus ensinamentos ainda pouco difundidos em nossa cultura. Esta associação africana que foi formada nos princípios da vida social tem função política e religiosa e cultua principalmente Ilè, a mãe Terra, para assegurar a harmonia e a ordem entre os seres. Seu propósito de assegurar longevidade e prosperidade para todos é o que guiará a Tucuruvi para o próximo carnaval.

A logo divulgada pela escola tem como inspiração a extensa produção artística iorubá com fundição em metais como cobre, latão e bronze. As duas figuras humanas unidas por uma corrente formam o edan de Ògbóni, objeto sagrado que personifica a divindade Edan e que é o elo entre a comunidade e Ilè.

O trabalho do designer Diego Martins tem inspiração nos akedanwaiye, artesãos de Ògbóni que trazem Edan ao mundo material, para refletir a qualidade e riqueza destes objetos sagrados. A logo faz referência a parte desse processo criativo e ancestral, saudando Ògbóni e sua tradição iconográfica.
Com “Ogbódirin, Ògbóni”, a escola transmite os ensinamentos de que na luta, no samba e no carnaval, imaginar o mundo que queremos viver e deixar para os que virão é também sonhar com a sabedoria de nossos ancestrais.

FICHA TÉCNICA - ACADÊMICOS DO TUCURUVI  - @academicosdotucuruvi

Gestão: Rodrigo Delduque - @rodrigo.delduque
Orientação: Chief Aro Awo Agbaye Ajálá Akanni - @esuajala
Carnavalesco: Nícolas Gonçalves - @nicolasarteiro
Direção de Carnaval: Raphael Gonçalves e Raphael Ungheria - @rphsg - @raphaelungheria
Enredista: Cleiton Almeida - @artcleiton
Designer: Diego Martins - @diegomartins.designer
Videomaker: Fabrício Clayton - @fabricioclayton

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Reinauguração do Marise Castro Hair Studio é um sucesso: empresária emociona ao agradecer família e apoiadores

A reinauguração do Marise Castro Hair Studio, na última terça-feira (21), foi marcada por sucesso absoluto e emoção à flor da pele. A empresária Marise Castro, que veio diretamente dos Estados Unidos para o Brasil, reuniu amigos, familiares, formadores de opinião e clientes fiéis em uma noite inesquecível no espaço renovado.

Com um ambiente sofisticado e moderno, o estúdio – referência em beleza e cuidados capilares há décadas – celebrou não só sua nova fase, mas também as conquistas de Marise ao longo da carreira. Em discurso emocionante, a empresária prestigiou o marido e os filhos pelo apoio incondicional, além de agradecer os funcionários e amigos que a acompanharam por anos de dedicação e superação.

“Esse espaço é mais que um salão: é o sonho realizado com o carinho de quem sempre esteve ao meu lado”, declarou Marise, visivelmente comovida. O evento contou com coquetel exclusivo, e tour pelo novo layout, que destacou os produtos de tratamento avançadas e área confortável de café.

A reinauguração reforça o posicionamento do Marise Castro Hair Studio como destino imperdível para quem busca excelência em hair styling em Niterói, São Gonçalo, além de toda região metropolitana do Rio de Janeiro.

Para agendamentos e mais informações:@salaomarisecastro, @marisecastroafrohair e @mcprofessionalhair

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PUCPR apresenta projeto sustentável para reconstrução do Bloco Azul

Proposta arquitetônica é assinado pelo escritório ARQUEA, fundado por Alumni da PUCPR

Um ano após o incêndio que atingiu parte do Bloco Azul do Câmpus Curitiba da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a Instituição dá início à reconstrução do espaço - agora repensado como um edifício moderno, sustentável e tecnológico. O novo bloco abrigará a Escola de Belas Artes e o renovado Teatro TUCA, com entrega prevista para 2027.

A recomposição do espaço representa também a antecipação do Plano Diretor de Infraestrutura da PUCPR, transformando o revés em catalisador de modernização. O novo bloco será sustentável, tecnologicamente avançado e contará com novos laboratórios e equipamentos de ponta.

"Essa reconstrução vai além de tijolos e concreto - ela é feita de sonhos, de encontros e de laços. A proposta é desenvolver um edifício inteligente, com múltiplas funcionalidades e alinhado às novas formas de ensino, que demandam ambientes mais flexíveis. Estamos projetando um futuro de ensino-aprendizagem ainda mais dinâmico e inovador", explica o reitor da PUCPR, Irmão Rogério Renato Mateucci.

Projeto arquitetônico

O projeto arquitetônico é assinado pelo escritório ARQUEA, fundado por Bernardo Richter, Fernando Caldeira de Lacerda e Pedro Amin Tavares, todos arquitetos formados pela própria Universidade - um vínculo que reforça a identidade e a história do espaço. A proposta preserva o espírito do edifício original, projetado por Manoel Coelho, mas o reinventa: a estrutura de concreto, que permaneceu intacta após o incêndio, será reaproveitada, e a reconstrução priorizará materiais sustentáveis, como a madeira laminada.

"É uma honra e uma grande responsabilidade sermos os responsáveis pela reconstrução do local que nos moldou como profissionais. A linguagem arquitetônica que desenvolvemos mescla o antigo e o novo, preservando a memória e a alma do que foi construído e vivido, enquanto projeta um futuro ainda mais dinâmico e inovador", destacam os arquitetos.

O LabCom e o Laboratório de Modelos (Maquetaria) passarão a integrar o Bloco, aproximando disciplinas e tornando as aulas mais conectadas. O pátio interno será ampliado e reconfigurado como espaço de convivência, conexão e troca entre os estudantes - com nova cobertura que potencializa a entrada de luz natural.

O Teatro TUCA vai preservar sua localização original, mas ganha nova escala: capacidade ampliada, visibilidade aprimorada, palco maior com abertura reversível para o exterior, possibilitando apresentações ao ar livre, e foyer com acesso independente em relação ao restante do Bloco.

O novo edifício seguirá os critérios do selo LEED, priorizando eficiência energética, reuso de água e climatização adequada.

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Bulova apresenta coleção inspirada em ícones que marcaram gerações

Lançamentos inspirados em colaborações lendárias como Frank Sinatra e Tony Bennett reforçam o diálogo da marca com o universo da música e o lifestyle contemporâneo

Bulova apresenta novos lançamentos que traduzem com elegância sua herança relojoeira em peças de forte identidade cultural e design atemporal. Inspirados em colaborações que atravessam gerações, os modelos reforçam a conexão da marca com o universo da música e o estilo de vida contemporâneo.

“Essas novidades representam a essência da marca ao integrar história, cultura e inovação em cada detalhe. São relógios que vão além da função, carregam narrativas únicas e dialogam com diferentes perfis e estilos”, afirma Israel Vasconcelos, CEO da SWG Brasil.

Colaborações Icônicas

Os relógios da linha Bulova Frank Sinatra celebram o legado de Frank Sinatra com design sofisticado e inspiração direta em modelos clássicos de 1967. A peça Frank Sinatra (96B483) traz caixa em aço inoxidável com acabamento duplo, mostrador branco linho com textura que cria profundidade e ponteiros prateados, além de pulseira em couro com padrão de crocodilo. 

Já o modelo Frank Sinatra (97B243) apresenta caixa em aço inoxidável dourado, mostrador branco-prateado com o mesmo efeito texturizado e ponteiros dourados, reforçando uma estética ainda mais clássica e elegante.

Ambos os modelos compartilham elementos marcantes da homenagem, como o chapéu fedora de Sinatra posicionado às 6 horas, fundo de caixa transparente com a assinatura do artista e movimento automático com até 42 horas de reserva de marcha.

Por sua vez, o Relógio Masculino Bulova Tony Bennett “NYC” (96B484) celebra a estética das pinturas do artista no Central Park. A moderna caixa em aço inoxidável apresenta facetas acetinadas e polidas, além de uma pulseira que combina com o restante do relógio, proporcionando um toque contemporâneo e um ajuste perfeito. 

Sobre a Bulova - Desde sua fundação em 1875, a Bulova é sinônimo de qualidade, precisão e inovação relojoeira. Com uma herança rica de 150 anos — de suas origens em Lower Manhattan ao status de ícone global com sede em Nova York — a marca mantém firme compromisso com a excelência artesanal.

A Bulova segue mesclando elegância clássica com tecnologia de ponta, em coleções icônicas como a Archive Series, o inovador CURV e o exclusivo movimento Precisionist. Hoje, a marca continua se destacando pelo design arrojado, inovação pioneira e apoio à cultura, inspirando novas gerações com seu legado relojoeiro. A Bulova continua evoluindo, elevando a tecnologia e a engenharia a novos patamares de excelência.

No Brasil, a Bulova é distribuída com exclusividade pela SWG Brasil.

Sobre a SWG Brasil - A SWG Brasil é a operação nacional da South Watches Group, holding nascida na Argentina em 2004 e referência na representação e distribuição de marcas internacionais de relógios no mercado latino-americano.

Presente no Brasil desde 2008, a SWG Brasil carrega o compromisso de aliar tradição, sofisticação e excelência no atendimento ao canal multimarcas. Com profundo conhecimento do mercado local, a empresa posiciona os relógios como protagonistas no universo da moda e do estilo de vida contemporâneo.

Atualmente, representa e distribui com exclusividade no país três importantes marcas de relógios: Bulova, reconhecida por sua precisão e inovação, Citizen, referência em tecnologia, sustentabilidade e inovação e Swarovski, que além dos relógios, traz em seu portfólio acessórios e canetas.

violencia contra minorias

A violência contra minorias e seus reflexos na mente.

Sabe aquele ditado que a gente ouve por aí: "as palavras não machucam"? Pois é, a psicanálise discorda e muito. A violência sistemática contra minorias deixa cicatrizes profundas na psique das pessoas, mexendo em coisas fundamentais como identidade e desenvolvimento. E não é só trauma pontual, não. É algo que vai marcando a gente desde cedo, se infiltrando no inconsciente. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo vêm investigando justamente isso — como mulheres vítimas de violência sexual e pessoas LGBTQIAPN+ sofrem impactos sérios na saúde mental, desde depressão até comportamentos autodestrutivos.[1] É coisa séria demais.

Quando a gente aprende a desumanizar através das palavras.

Aqui tá o ponto: a violência física é tipo o último ato de uma peça que começou bem antes. Muito antes. A psicanálise nos mostra que antes de alguém apanhar, precisa primeiro deixar de ser gente, sabe? Precisa virar "coisa", objeto.

Uma colunista do Diário do Nordeste escreveu algo que é meio assustador: "ninguém agride, viola ou mata quem reconhece plenamente como igual."[8] Isso quer dizer que a gente precisa primeiro rebaixar a pessoa através da linguagem. Mulheres em aplicativos de relacionamento sendo chamadas de "estupráveis", camisetas de certos grupos dizendo "não se arrependa", adolescentes classificando colegas por "utilidade" — tudo isso é ensaio. Treino do olhar que depois autoriza a violência mesmo.

Frantz Fanon, um psiquiatra que trabalhou com vítimas da colonização na Argélia, já tinha entendido isso nos anos 1950.[12] Ele mostrou que o racismo e a opressão colonial não machucam só o corpo, machucam o inconsciente das pessoas, deixam marcas que a gente passa para o próximo. A psicanálise precisava acordar para isso: o sujeito não é uma “ilhinha” isolada numa sala de consultório. A gente é marcado pelo contexto, pela história, pela opressão que a gente vive.

O estresse de ser minoria: quando ficar vivo já é cansativo.

Tem um termo que os pesquisadores usam — "estresse de minoria." Basicamente, é aquele cansaço crônico de estar sempre em alerta, sempre na defensiva.[1] Pessoas LGBTQIAPN+ que não se assumiram publicamente vivem nisso o tempo todo. É tipo estar sempre segurando a respiração, sabe? E isso marca, mexe com tudo.

Os números falam por si: entre pessoas trans no Brasil, a taxa de tentativa de suicídio chega a 43,1%.[4] Não é de assustar? Quando a gente vê um número desses, não é um "caso" ou outro. É evidência de que o sistema inteiro de violência está funcionando mesmo, deixando cicatrizes profundas.

Mulheres vítimas de violência sexual lidam com outra coisa bem pesada: a culpa que a sociedade coloca nelas. Estupro não é só o ato violento, é a sociedade inteira pedindo para você ficar de boca fechada, te perguntando se estava bebendo, como estava vestida. Pesquisas da UFES estão investigando como essas mulheres conseguem se recuperar disso, o que chamam de "crescimento pós-traumático", mas é tipo tirar água do poço com balde furado.[1]

Racismo na infância: quando a criança aprende cedo que não vale nada.

Tem algo que machuca mais ainda: quando a violência começa lá no comecinho da vida. Crianças negras em comunidades periféricas crescem sob impacto direto da violência urbana — perdem dias de aula porque tem confronto, deixam de tomar vacina, vivem em estado de perigo o tempo todo.[7] Tudo isso não é experiência passageira. Fica marcado no cérebro.

A pesquisa mostra que o racismo funciona como uma experiência adversa que provoca "estresse tóxico", aquele estresse que mexe com o desenvolvimento normal do cérebro da criança, afetando aprendizagem, memória, até a capacidade de lidar com emoções.[7] É como se a gente estivesse pedindo para o cérebro da criança trabalhar em sobrecarga constantemente.

E tem mais: quando crianças negras enfrentam racismo cotidiano na escola, quando a história da sua gente não aparece nos livros, quando professores ignoram comentários racistas de colegas, a criança internaliza uma mensagem muito clara: "você não pertence aqui, você não vale."[10] Isso não desaparece. Fica no inconsciente, afetando como essa pessoa se vê pelo resto da vida.

A escola que deveria proteger e acaba machucando.

As escolas civis-militares viraram exemplo disso. Tem reportagem do Ministério Público Federal mostrando que estudantes LGBTQIAPN+ e negros são perseguidos por expressar sua identidade, sofrem abordagens agressivas de policiais militares dentro de sala de aula, têm sua liberdade cerceada.[19] Isso é violência institucional disfarçada de "disciplina" e "ordem". E as crianças absorvem tudo isso.

O bullying também é assim. A gente pensa que é só imaturidade de adolescente, mas é bem mais sério. Quando meninos classificam meninas como "acessíveis" ou "estupráveis", quando adolescentes trans são impedidos de usar banheiro de acordo com sua identidade, quando a história afro-brasileira é quase invisível no currículo, tudo isso interfere radicalmente no desenvolvimento psicológico.[10] E frequentemente os adultos não veem por que a violência acontece nos espaços invisíveis das instituições.

O inconsciente racista: porque a gente não consegue tirar racismo da cabeça com argumentos.

Aqui está uma coisa meio complicada da psicanálise lacaniana: o racismo não funciona só no nível de argumentação racional. [11] Ele funciona através de fantasias inconscientes sobre o corpo do outro, sobre aquilo que "falta" ou "sobra" naquele corpo. É profundo demais para a consciência atingir com argumentos bonitos.

Isso quer dizer que combater racismo não é só levar dados e fatos para a pessoa. É descolonizar a própria psicanálise que a gente usa, trazer pensadores da diáspora africana e da ancestralidade indígena.[9] Porque o racismo está enraizado em instituições, em leis, em práticas que se apresentam como "naturais" e "inevitáveis", mas que são construções históricas mesmo.[14] E isso marca o desenvolvimento das pessoas porque define desde cedo quem merece respeito, quem pode ocupar espaços, cujo corpo é digno de proteção.

O grande desafio: transformar essa realidade.

Se a gente entende que a violência contra minorias não é só um problema individual ou familiar, mas estrutural, então a solução também precisa ser estrutural. Significa investir em formação antirracista para os professores, descolonizar currículos que apagam histórias e culturas, criar políticas de segurança pública que respeitem o desenvolvimento infantil em vez de criminalizá-lo. [7][10]

Significa também que cada um de nós precisa se olhar no espelho. Porque a gente participa dessa violência, através da linguagem que usa, das piadas que tolera, do silêncio quando alguém fala algo degradante.[8] Como aquela colunista disse bem direto: antes de agredir ou matar, é preciso deixar de reconhecer como igual. E a gente faz isso todos os dias sem perceber.

Uma psicanálise que escuta o social.

O lado esperançoso disso tudo é que pesquisadores brasileiros estão oferecendo caminhos reais. Estão investigando crescimento pós-traumático em mulheres vítimas de violência sexual, não só o sofrimento, mas também como essas pessoas conseguem desenvolver resiliência.[1] Estudam saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+ não assumidas, buscando entender as estratégias que elas usam para sobreviver em contextos de isolamento e discriminação.[1] Tudo isso aponta para uma psicanálise mais humanizada, mais próxima da realidade brasileira mesmo.

O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação de verdade, em políticas públicas, em mudanças nas instituições, em uma reconfiguração da sociedade que reconheça que todo mundo merece respeito e dignidade. Porque violência contra minorias não é só gente traumatizada que precisa de terapia. É uma sociedade inteira que precisa ser radicalmente transformada. E isso começa em casa, na escola, no trabalho, começa na gente mesmo.

Precisa de ajuda? (clique aqui) Dr. Marcio Renzo - Psicanálise e Hipnoterapia.


Fontes citadas:

[1] Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). "Pesquisas investigam impactos da violência na saúde mental de mulheres e de pessoas LGBTQIAP+."

[4] BMC Public Health. "Factors associated with transgender people mortality due to violence in Brazil (2014-2022)."

[7] O Globo/UOL. "Primeira infância e equidade: desafios do racismo, dos territórios e da segurança no Brasil."

[8] Diário do Nordeste. "A linguagem como violência, exceto quando o alvo são as mulheres."

[9] Blog Abarca Psicólogo. "Psicanálise Contextualizada."

[10] Jornal da Unicamp. "Ensino da história afro-brasileira ainda enfrenta barreiras."

[11] Juliane Mena. "Psicanálise e o Pensamento Decolonial - Racismo e subjetividade."

[12] Veja. "Filme sobre Frantz Fanon ganha data de estreia no Brasil."

[14] Scielo. "Raça e racismo: aspectos conceituais, históricos e metodológicos."

[19] Ministério Público Federal. "MPF recorre de decisão que validou regras de escolas militares."

Imprensa---Andre-Henning---BAB---Foto-Gabriel-Spinardi

Cafeteria da Bienal de Arquitetura Brasileira ganha protagonismo e atrai visitantes em São Paulo

Assinado por André Henning, espaço integra arquitetura, convivência e experiência sensorial

Em sua reta final, a primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) segue movimentando o cenário cultural e arquitetônico do país — e um dos espaços que continuam atraindo o público é a cafeteria oficial do evento, assinada pelo arquiteto curitibano André Henning. Aberta à visitação até o dia 30 de abril, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, a instalação convida o visitante a uma pausa sensorial no percurso expositivo.

Idealizada pela plataforma Archa, a BAB 2026 se consolida como uma iniciativa independente e sem fins lucrativos, com o tema “A arquitetura está em tudo”. A escolha do local já é uma declaração de intenções: a Bienal ocupa o Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), edifício projetado por Oscar Niemeyer com paisagismo de Roberto Burle Marx. Dentro desse espaço histórico, o evento apresenta o conceito de Pavilhão Brasil, reunindo estruturas inspiradas nos biomas nacionais e criando uma experiência imersiva que convida o público a percorrer o país por meio da arquitetura.

Batizado de “Café Ode ao Caramelo”, o ambiente projetado por Henning vai além da função de apoio e se estabelece como extensão conceitual da Bienal. Integrado ao percurso expositivo, o espaço foi desenhado para estimular encontros e permanências. “O café é um lugar onde as pessoas se encontram sem roteiro. A proposta foi criar um ambiente que acolha essas pausas e conversas, entendendo a arquitetura como algo que acontece no uso e na experiência”, explica Henning.

O conceito do projeto parte de um dos símbolos mais afetivos e reconhecíveis do Brasil: o cachorro caramelo. A partir dessa referência, o arquiteto constrói uma narrativa sofisticada e contemporânea baseada na materialidade. “Os materiais utilizados no projeto seguem essa tonalidade de caramelo e marrom, que além de ser super atual, também é atemporal. É uma cor que está em alta, mas que, principalmente, carrega essa identificação imediata com o Brasil que quisemos homenagear”, destaca o profissional.

A riqueza do espaço está na combinação de materiais e texturas. Madeira natural, couro caramelo, granito Café Imperial em acabamento escovado e superfícies com efeito de cimento queimado, também na tonalidade caramelo, criam uma composição envolvente e sensorial. O mobiliário reforça esse discurso: diversas peças foram desenhadas exclusivamente para o projeto, incluindo cadeiras, banquetas e mesas que combinam corda e metal em uma linguagem contemporânea e autoral.

A iluminação é outro elemento-chave da experiência. Com uso de skylines, o projeto aposta em uma luz mais direta que rebate para a parte inferior, criando profundidade e conforto visual. Pontos de luz adicionais sobre as mesas reforçam a atmosfera acolhedora. A estratégia também responde às limitações do espaço expositivo. “Como estamos em um edifício icônico, onde não podemos fazer intervenções em piso, paredes ou teto, pensamos o projeto como uma estrutura independente, praticamente flutuante, respeitando integralmente a arquitetura do Niemeyer”, ressalta o arquiteto.

A curadoria de objetos e obras de arte amplia a narrativa do ambiente. O espaço reúne peças autorais e uma seleção de objetos decorativos em cerâmica, barro, madeira e outros elementos naturais, reforçando a estética terrosa e orgânica do projeto. As obras expostas foram desenvolvidas com exclusividade por artistas convidados, entre eles, nomes da arte urbana, digital, pintura e fotografia, provocados a interpretar, sob diferentes linguagens, o universo simbólico do “caramelo”. O resultado é uma coleção diversa e sensível, que transforma o café também em espaço expositivo.

A vegetação aparece como elemento estruturante da experiência. Em diálogo direto com o Parque Ibirapuera, o projeto cria aberturas que emolduram a paisagem externa, enquanto o verde invade o interior, dissolvendo fronteiras. “A ideia foi criar uma sensação de continuidade com o parque, como se o café fosse uma grande varanda, onde interior e exterior se misturam de forma natural”, completa Henning.

Mais do que um espaço de convivência, o “Café Ode ao Caramelo” sintetiza o espírito da BAB 2026 ao transformar o cotidiano em experiência arquitetônica. Um ambiente onde o Brasil não é representado de forma literal, mas sentido na matéria, na luz e nas relações que ali acontecem — e que segue aberto ao público nos últimos dias da Bienal.

Sobre André Henning

À frente do André Henning Studio, o arquiteto e empresário construiu uma trajetória sólida na chamada arquitetura de negócios, desenvolvendo projetos que articulam estratégia, identidade de marca e experiência do usuário. Com mais de uma década de atuação e centenas de projetos executados em todo o Brasil, Henning se destaca especialmente nos segmentos de gastronomia, entretenimento e varejo, criando espaços que aliam conceito estético a desempenho comercial e operação eficiente.

Além da atuação autoral, o arquiteto também se destaca como empreendedor. É cofundador da Go Coffee, uma das redes de cafeterias que mais crescem no país, com centenas de unidades distribuídas em todos os estados brasileiros. Essa vivência prática no mercado se reflete diretamente em sua arquitetura, que combina sensibilidade criativa com visão estratégica, resultando em projetos que não apenas encantam visualmente, mas também respondem de forma objetiva às demandas de negócio.

Evento: 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB)
Período: até 30 de abril de 2026
Local: Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA) - Parque Ibirapuera – São Paulo (entrada pelo Portão 03)
Ingressos: R$ 80 (inteira) - dias de semana | R$ 100 (inteira) - finais de semana

Fotos: Gabriel Spinardi