Marcio Renzo

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A Mente Invisível que Decide o Visível: Ansiedade e o Desempenho de Atletas de Elite.

A ansiedade de um campeão é frequentemente o segredo não dito das grandes competições mundiais. Quando a pressão atinge seu pico, nos momentos decisivos onde títulos são decididos e nações inteiras retêm a respiração, a capacidade de gerenciar emoções torna-se mais determinante que qualquer habilidade técnica. Este texto explora como a ansiedade afeta atletas de ponta, quais sinais revelam seu impacto silencioso e estratégias psicológicas fundamentadas em pesquisas universitárias e abordagens psicanalíticas para transformar esse estado em vantagem competitiva.

O Peso Invisível: A Realidade Psicológica da Competição de Elite

A realidade é crua: 38% dos jogadores profissionais de futebol relatam sintomas de ansiedade ou depressão, e estudos publicados no Journal of Applied Sport Psychology indicam que até 75% do desempenho em momentos decisivos depende de fatores psicológicos, não da técnica[14]. A Seleção Brasileira carrega disso uma experiência visceral. Após eliminações traumáticas para a Bélgica em 2018 e para a Croácia em 2022, a equipe enfrenta uma realidade psicológica complexa: não se trata apenas de qualidade técnica, mas de força mental para converter expectativa em motivação[10][10].

Neymar, exemplar ilustrativo dessa pressão, enfrentou críticas não apenas sobre lesões, mas também sobre seu desempenho, condicionamento e estado físico, refletindo como o psicológico permeia a narrativa pública dos atletas[2]. Este é um peso invisível que não aparece nas estatísticas, mas influencia decisões, confiança e comportamento do grupo. Nas Copas do Mundo, a pressão emocional volta a ganhar protagonismo especialmente em jogos decisivos, quando o peso da camisa se intensifica[10].

Pesquisadores da Universidade de Harvard, através de estudos de neurociência aplicada ao esporte, revelam que treinar sob pressão é fundamental para proteger o atleta. Quando um atleta simula a competição com estresse, incerteza e consequências reais durante treinos, reconhece a pressão e isso reduz significativamente a ativação da amígdala cerebral durante a competição[23]. Flávio Marreti, treinador de tênis nos EUA e estudante de neurociência em Harvard, evidencia que gerar pressão dentro do treino melhora e diminui a pressão dentro da competição—um princípio que ainda é negligenciado na maioria dos programas de treinamento[23].

Sinais, Sintomas e a Psicopatologia da Ansiedade Competitiva

A ansiedade pré-competitiva manifesta-se de formas variadas e frequentemente subestimadas. Os sinais clássicos incluem aumento de ansiedade antes de jogos ou práticas, perda de prazer no esporte, irritabilidade ou retraimento, problemas de sono ou dores de cabeça recorrentes, e medo de cometer erros ou decepcionar[5]. No contexto do futebol profissional, pesquisas da FIFPro revelam que 26% dos jogadores enfrentam distúrbios do sono regularmente e 23% relatam problemas de autoestima durante a carreira[14].

Fisiologicamente, quando uma pessoa enfrenta estresse competitivo, o corpo ativa sistemas de resposta que aumentam frequência cardíaca, contraem vasos sanguíneos e elevam pressão arterial[18]. Este mecanismo é natural em situações pontuais, mas o problema surge quando este estado se torna constante. O estresse crônico mantém o corpo em alerta permanente com liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina, favorecendo aumento sustentado de pressão e sobrecarga do sistema cardiovascular[18].

Em atletas jovens, os dados são igualmente preocupantes. Pesquisas clínicas mostram que 16.9% de atletas elite juvenis experimentavam pelo menos um transtorno mental no momento da avaliação, com prevalência ao longo da vida atingindo 25.1%[3]. O treinamento excessivo afeta entre 20-30% dos atletas jovens elite, com taxas mais altas em esportes individuais e entre mulheres, apresentando sinais como fadiga crônica, irritabilidade, ansiedade e desmotivação[3][11].

De perspectiva psicanalítica, a ansiedade competitiva pode ser compreendida através do conceito winnicottiano de espaço potencial. Donald Winnicott, em seus estudos sobre desenvolvimento humano, argumentava que existe um espaço entre a realidade interna (desejos, fantasias) e a realidade externa (demandas objetivas). Na competição de elite, este espaço se colapsa: o atleta é confrontado simultaneamente com suas capacidades reais e expectativas impossíveis, gerando o que Winnicott chamaria de "falha ambiental"[17]. Este conflito não resolvido manifesta-se como ansiedade performativa.

Estratégias de Intervenção: Transformando Ansiedade em Foco

A ciência do esporte moderno oferece ferramentas concretas para transformar ansiedade em vantagem competitiva. Estratégias psicológicas como respiração profunda e visualização positiva são cruciais para manter equilíbrio emocional durante competições de alta pressão[25]. A respiração consciente, especificamente, funciona recalibrando todo o sistema nervoso—técnicas como respiração diafragmática (inspirar 4 segundos, segurar 4 segundos, expirar 6 segundos) reduzem significativamente a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal[14][23].

Intervenções baseadas em mindfulness mostram-se particularmente eficazes. Reduzem ansiedade pré-jogo em até 30%, melhoram concentração durante treinos e competições, aceleram recuperação emocional após erros, e melhoram qualidade do sono[14]. Clubes europeus como Manchester City e Bayern de Munique já integram sessões regulares de mindfulness em suas rotinas de treinamento[14]. Harvard e outras universidades de ponta reconhecem agora que atletas que praticam meditação e mindfulness mantêm maior estabilidade emocional mesmo sob pressão[25].

A visualização mental, especialmente quando inclui cenários de "pior caso", prova-se um "potencializador de performance legal e pouco conhecido"[8]. Rory McIlroy, bicampeão de Masters, regularmente pergunta a si mesmo: qual é o pior que pode acontecer, e então visualiza-se lidando efetivamente com esse cenário[8]. Este tipo de mental imagery que confronta possibilidades negativas não aumenta o medo—na verdade reduz a sensação de impotência quando o "pior" realmente ocorre.

Da perspectiva psicanalítica, essas técnicas funcionam porque permitem ao atleta integrar seus aspectos mais vulneráveis e poderosos. Melanie Klein, psicanalista que revolucionou o entendimento das relações objetais, argumentaria que a ansiedade emerge do conflito entre agressividade interna (desejo de vencer) e culpa inconsciente (medo de destruição/fracasso). Quando um atleta pratica mindfulness ou visualização do pior cenário, está simbolicamente elaborando este conflito interno, transformando-o em conhecimento integrado[29].

Técnicas de respiração e presença (estar no "agora") funcionam operacionalizando o que a neurociência chama de "redirecionamento atencional"—no lugar de deixar a mente construir narrativas autodestrutivas ("não posso errar", "vou perder de novo"), o atleta pratica trazer atenção para o que realmente pode controlar naquele momento específico[8][23]. Esta é essencialmente uma reestruturação cognitiva dinâmica que encontra paralelo com a psicanálise moderna em sua ênfase na presença e aceitação das emoções em tempo real.

O Diferencial Competitivo: Quando Teorias Se Encontram na Prática

A competitividade saudável, segundo pesquisas de John Nicholls da Universidade de Stanford, diferencia-se em dois tipos: orientação para resultado (centrada na comparação com outros, em vencer) e orientação para tarefa (voltada ao próprio desenvolvimento)[13]. Atletas orientados para tarefa apresentam maior estabilidade emocional, menor ansiedade e maior persistência a longo prazo[13]. Este descobrimento transforma completamente como programas devem ser estruturados.

A Seleção Brasileira, preparando-se para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, enfrenta este desafio precisamente: convertir a cobrança massiva de uma torcida que aguarda há anos um título mundial em motivação para a tarefa, não apenas em pressão para vencer resultados[10]. A preparação mental torna-se essencial para que jogadores consigam lidar com críticas, expectativas e adversidades ao longo dos confrontos decisivos.

Intervenções cognitivo-comportamentais mostram que fortalecer identidade atlética aumenta resiliência social, reduzindo ansiedade relacionada à imagem corporal em homens, embora paradoxalmente possam aumentar ansiedade de aparência social se não devidamente monitoradas[7][7]. O desafio está em fortalecer confiança sem desenvolver fragilidade emocional—um equilíbrio psicológico delicado que requer supervisão profissional contínua.

Conclusão: O Invisível Que Decide o Visível

A ansiedade em atletas de ponta não é algo a ser eliminado, mas integrado e reorientado. Pesquisadores de universidades como Harvard, Stanford, MIT e europeus confirmam unânimemente: o fator psicológico é determinante em até 75% do desempenho em momentos decisivos[14]. A Seleção Brasileira, como muitas equipes elite, compreende agora que investir em preparação mental é tão crucial quanto treino físico.

Do ponto de vista psicanalítico moderno, especialmente através de perspectivas winnicottianas sobre espaço potencial e kleinianas sobre integração de aspectos conflitivos, a ansiedade revela-se não um sintoma a eliminar, mas uma comunicação do psique sobre necessidade de integração emocional. Técnicas de respiração consciente, visualização de cenários negativos, mindfulness, reestruturação cognitiva e suporte psicológico profissional oferecem ao atleta contemporâneo ferramentas científicas e psicologicamente fundamentadas para transformar este "peso invisível" em clareza mental e desempenho superior nos momentos que mais importam.

Neste novo contexto onde a Seleção Brasileira busca redefinir seu legado competitivo e onde atletas como Neymar enfrentam escrutínio sobre múltiplas dimensões de desempenho, a verdade permanece: o jogo começa muito antes de qualquer apito soar. Começa na mente, onde campeões ou derrotas são primeiro moldados[25].


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[2] CHOSUN ILBO. Neymar enfrenta críticas sobre desempenho e condicionamento físico. Disponível em: <https://www.chosun.com/english/sports-en/2026/04/16/E5XHRJQ5AJD3ZIEC77F33MP37M/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[3] MCCARTHY, P. Youth Sports Psychology: What Competition Actually Does to Your Child's Mental Health. Disponível em: <https://www.drpaulmccarthy.com/post/youth-sports-psychology-what-competition-actually-does-to-your-child-s-mental-health>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[5] CONNECTICUT CHILDREN'S. Growing Healthy: Youth Sports Pressure and Mental Health. Disponível em: <https://www.connecticutchildrens.org/growing-healthy/youth-sports-pressure-hurting-your-child-s-mental-health>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[7] JOURNAL OF MEN'S HEALTH. Identidade Atlética, Resiliência Social e Ansiedade de Aparência. Disponível em: <https://www.jomh.org/articles/10.22514/jomh.2025.029>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[8] PSYCHOLOGY TODAY. The Power of Negative Thinking for Athletic Performance: The Athlete's Nervous System. Disponível em: <https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-athletes-nervous-system/202604/the-power-of-negative-thinking-for-athletic-performance>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[10] BOLA VIP. Seleção Brasileira: Pressão Psicológica em Jogos Grandes. Disponível em: <https://br.bolavip.com/selecao-brasileira/pressao-psicologica-selecao-brasileira-jogos-grandes>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[11] CADERNOS CAJUÍNA. Transtorno de Overtraining em Atletas de Elite. Disponível em: <https://v3.cadernoscajuina.pro.br/index.php/revista/article/download/1708/1378/5421>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[13] PSICCOM. A Importância da Competitividade no Esporte: Orientação para Resultado vs. Tarefa. Disponível em: <https://www.psiccom.com/colunas/post/a-importancia-da-competitividade-no-esporte>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[14] FUTEBOL.WORK. Psicologia Esportiva no Futebol: Saúde Mental, Ansiedade e Desempenho. Disponível em: <https://futebol.work/psicologia-esportiva-futebol-mental/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[17] WINNICOTT, D. W. Playing and Reality. Disponível em: <https://books.google.mw/books?id=JHMdZC08HhcC&printsec=copyright>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[18] CNN BRASIL. Saúde Mental e Pressão Alta: Como o Estresse Pode Impactar o Coração. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/saude-mental-e-pressao-alta-como-o-estresse-pode-impactar-o-coracao/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[23] YOUTUBE. Treinamento Sob Pressão e Neurociência: Redução de Ansiedade em Atletas de Elite (Flávio Marreti/Harvard). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2jgzP4rE5hU>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[25] GESTÃO DESPORTIVA. Formação de Atletas: Preparação Mental e Psicológica em Esportes de Elite. Disponível em: <https://www.gestaodesportiva.com.br/formacao-atletas.html>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[29] G1 GLOBO. Psicanálise: O Que É e Seus Principais Autores (Instituto Especial de Conhecimento Psicanalítico). Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/instituto-especonhecimento-psicanalitico/noticia/2026/03/31/psicanalise-o-que-e-e-seus-principais-autores.ghtml>. Acesso em: 18 abr. 2026.

violencia contra minorias

A violência contra minorias e seus reflexos na mente.

Sabe aquele ditado que a gente ouve por aí: "as palavras não machucam"? Pois é, a psicanálise discorda e muito. A violência sistemática contra minorias deixa cicatrizes profundas na psique das pessoas, mexendo em coisas fundamentais como identidade e desenvolvimento. E não é só trauma pontual, não. É algo que vai marcando a gente desde cedo, se infiltrando no inconsciente. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo vêm investigando justamente isso — como mulheres vítimas de violência sexual e pessoas LGBTQIAPN+ sofrem impactos sérios na saúde mental, desde depressão até comportamentos autodestrutivos.[1] É coisa séria demais.

Quando a gente aprende a desumanizar através das palavras.

Aqui tá o ponto: a violência física é tipo o último ato de uma peça que começou bem antes. Muito antes. A psicanálise nos mostra que antes de alguém apanhar, precisa primeiro deixar de ser gente, sabe? Precisa virar "coisa", objeto.

Uma colunista do Diário do Nordeste escreveu algo que é meio assustador: "ninguém agride, viola ou mata quem reconhece plenamente como igual."[8] Isso quer dizer que a gente precisa primeiro rebaixar a pessoa através da linguagem. Mulheres em aplicativos de relacionamento sendo chamadas de "estupráveis", camisetas de certos grupos dizendo "não se arrependa", adolescentes classificando colegas por "utilidade" — tudo isso é ensaio. Treino do olhar que depois autoriza a violência mesmo.

Frantz Fanon, um psiquiatra que trabalhou com vítimas da colonização na Argélia, já tinha entendido isso nos anos 1950.[12] Ele mostrou que o racismo e a opressão colonial não machucam só o corpo, machucam o inconsciente das pessoas, deixam marcas que a gente passa para o próximo. A psicanálise precisava acordar para isso: o sujeito não é uma “ilhinha” isolada numa sala de consultório. A gente é marcado pelo contexto, pela história, pela opressão que a gente vive.

O estresse de ser minoria: quando ficar vivo já é cansativo.

Tem um termo que os pesquisadores usam — "estresse de minoria." Basicamente, é aquele cansaço crônico de estar sempre em alerta, sempre na defensiva.[1] Pessoas LGBTQIAPN+ que não se assumiram publicamente vivem nisso o tempo todo. É tipo estar sempre segurando a respiração, sabe? E isso marca, mexe com tudo.

Os números falam por si: entre pessoas trans no Brasil, a taxa de tentativa de suicídio chega a 43,1%.[4] Não é de assustar? Quando a gente vê um número desses, não é um "caso" ou outro. É evidência de que o sistema inteiro de violência está funcionando mesmo, deixando cicatrizes profundas.

Mulheres vítimas de violência sexual lidam com outra coisa bem pesada: a culpa que a sociedade coloca nelas. Estupro não é só o ato violento, é a sociedade inteira pedindo para você ficar de boca fechada, te perguntando se estava bebendo, como estava vestida. Pesquisas da UFES estão investigando como essas mulheres conseguem se recuperar disso, o que chamam de "crescimento pós-traumático", mas é tipo tirar água do poço com balde furado.[1]

Racismo na infância: quando a criança aprende cedo que não vale nada.

Tem algo que machuca mais ainda: quando a violência começa lá no comecinho da vida. Crianças negras em comunidades periféricas crescem sob impacto direto da violência urbana — perdem dias de aula porque tem confronto, deixam de tomar vacina, vivem em estado de perigo o tempo todo.[7] Tudo isso não é experiência passageira. Fica marcado no cérebro.

A pesquisa mostra que o racismo funciona como uma experiência adversa que provoca "estresse tóxico", aquele estresse que mexe com o desenvolvimento normal do cérebro da criança, afetando aprendizagem, memória, até a capacidade de lidar com emoções.[7] É como se a gente estivesse pedindo para o cérebro da criança trabalhar em sobrecarga constantemente.

E tem mais: quando crianças negras enfrentam racismo cotidiano na escola, quando a história da sua gente não aparece nos livros, quando professores ignoram comentários racistas de colegas, a criança internaliza uma mensagem muito clara: "você não pertence aqui, você não vale."[10] Isso não desaparece. Fica no inconsciente, afetando como essa pessoa se vê pelo resto da vida.

A escola que deveria proteger e acaba machucando.

As escolas civis-militares viraram exemplo disso. Tem reportagem do Ministério Público Federal mostrando que estudantes LGBTQIAPN+ e negros são perseguidos por expressar sua identidade, sofrem abordagens agressivas de policiais militares dentro de sala de aula, têm sua liberdade cerceada.[19] Isso é violência institucional disfarçada de "disciplina" e "ordem". E as crianças absorvem tudo isso.

O bullying também é assim. A gente pensa que é só imaturidade de adolescente, mas é bem mais sério. Quando meninos classificam meninas como "acessíveis" ou "estupráveis", quando adolescentes trans são impedidos de usar banheiro de acordo com sua identidade, quando a história afro-brasileira é quase invisível no currículo, tudo isso interfere radicalmente no desenvolvimento psicológico.[10] E frequentemente os adultos não veem por que a violência acontece nos espaços invisíveis das instituições.

O inconsciente racista: porque a gente não consegue tirar racismo da cabeça com argumentos.

Aqui está uma coisa meio complicada da psicanálise lacaniana: o racismo não funciona só no nível de argumentação racional. [11] Ele funciona através de fantasias inconscientes sobre o corpo do outro, sobre aquilo que "falta" ou "sobra" naquele corpo. É profundo demais para a consciência atingir com argumentos bonitos.

Isso quer dizer que combater racismo não é só levar dados e fatos para a pessoa. É descolonizar a própria psicanálise que a gente usa, trazer pensadores da diáspora africana e da ancestralidade indígena.[9] Porque o racismo está enraizado em instituições, em leis, em práticas que se apresentam como "naturais" e "inevitáveis", mas que são construções históricas mesmo.[14] E isso marca o desenvolvimento das pessoas porque define desde cedo quem merece respeito, quem pode ocupar espaços, cujo corpo é digno de proteção.

O grande desafio: transformar essa realidade.

Se a gente entende que a violência contra minorias não é só um problema individual ou familiar, mas estrutural, então a solução também precisa ser estrutural. Significa investir em formação antirracista para os professores, descolonizar currículos que apagam histórias e culturas, criar políticas de segurança pública que respeitem o desenvolvimento infantil em vez de criminalizá-lo. [7][10]

Significa também que cada um de nós precisa se olhar no espelho. Porque a gente participa dessa violência, através da linguagem que usa, das piadas que tolera, do silêncio quando alguém fala algo degradante.[8] Como aquela colunista disse bem direto: antes de agredir ou matar, é preciso deixar de reconhecer como igual. E a gente faz isso todos os dias sem perceber.

Uma psicanálise que escuta o social.

O lado esperançoso disso tudo é que pesquisadores brasileiros estão oferecendo caminhos reais. Estão investigando crescimento pós-traumático em mulheres vítimas de violência sexual, não só o sofrimento, mas também como essas pessoas conseguem desenvolver resiliência.[1] Estudam saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+ não assumidas, buscando entender as estratégias que elas usam para sobreviver em contextos de isolamento e discriminação.[1] Tudo isso aponta para uma psicanálise mais humanizada, mais próxima da realidade brasileira mesmo.

O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação de verdade, em políticas públicas, em mudanças nas instituições, em uma reconfiguração da sociedade que reconheça que todo mundo merece respeito e dignidade. Porque violência contra minorias não é só gente traumatizada que precisa de terapia. É uma sociedade inteira que precisa ser radicalmente transformada. E isso começa em casa, na escola, no trabalho, começa na gente mesmo.

Precisa de ajuda? (clique aqui) Dr. Marcio Renzo - Psicanálise e Hipnoterapia.


Fontes citadas:

[1] Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). "Pesquisas investigam impactos da violência na saúde mental de mulheres e de pessoas LGBTQIAP+."

[4] BMC Public Health. "Factors associated with transgender people mortality due to violence in Brazil (2014-2022)."

[7] O Globo/UOL. "Primeira infância e equidade: desafios do racismo, dos territórios e da segurança no Brasil."

[8] Diário do Nordeste. "A linguagem como violência, exceto quando o alvo são as mulheres."

[9] Blog Abarca Psicólogo. "Psicanálise Contextualizada."

[10] Jornal da Unicamp. "Ensino da história afro-brasileira ainda enfrenta barreiras."

[11] Juliane Mena. "Psicanálise e o Pensamento Decolonial - Racismo e subjetividade."

[12] Veja. "Filme sobre Frantz Fanon ganha data de estreia no Brasil."

[14] Scielo. "Raça e racismo: aspectos conceituais, históricos e metodológicos."

[19] Ministério Público Federal. "MPF recorre de decisão que validou regras de escolas militares."

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Infância insegura: marcas que podem (e devem) ser trabalhadas.

Por Dr. Marcio Renzo – Psicanalista e Hipnoterapeuta

A infância insegura não é catálogo de desculpas nem sentença irrevogável — é mapa de vulnerabilidades que orientam comportamentos, escolhas e relações ao longo da vida. Na clínica psicanalítica, Freud e Jung oferecem chaves diferentes e complementares para ler essas marcas: Freud nos mostra como conflitos infantis, mecanismos de defesa e repetição compulsionante moldam o destino psíquico; Jung nos indica a atuação dos complexos, da sombra e a possibilidade de individuação. Juntos, eles lembram: o que não foi simbolizado na infância tende a reaparecer na vida adulta em formas disfuncionais, até que seja elaborado.

O que a ciência recente diz.

Estudos recentes confirmam essa perspectiva clássica com dados robustos. A neurociência contemporânea demonstra que experiências infantis organizam não apenas o psiquismo, mas o próprio funcionamento neurobiológico[3]. Pesquisas mostram que experiências adversas na infância alteram a resposta do corpo ao estresse, aumentando o risco de transtornos de ansiedade. O cortisol elevado durante o desenvolvimento cerebral pode gerar uma tendência crônica à ansiedade e ao estado de alerta permanente[1], criando adultos que carregam fardos emocionais pesados e invisíveis.

Os padrões mais comuns.

Parentalização e responsabilidades precoces: Quando crianças são forçadas a desempenhar papéis de cuidadores antes do tempo biológico adequado, desenvolvem um senso de responsabilidade hipertrofiado[1]. Adultos que cuidaram de irmãos ou pais durante a infância frequentemente sentem que o mundo depende exclusivamente de seus esforços. Essa dedicação extrema resulta em exaustão física e mental que o indivíduo ignora por hábito antigo[1]. O prazer pessoal é deixado de lado em favor das necessidades alheias, gerando uma frustração silenciosa, mas muito potente.

Necessidade constante de validação: A carência de suporte afetivo durante as fases críticas do desenvolvimento deixa marcas profundas na forma como o indivíduo percebe o próprio valor[2]. Filhos de pais ausentes emocionalmente crescem em um ambiente de incerteza afetiva, onde suas conquistas e dores são frequentemente ignoradas ou minimizadas. Esse vácuo de atenção gera a crença de que o amor é condicional, conquistado apenas por um desempenho impecável[2].

Na vida adulta, a busca por validação constante aparece em parceiros, amigos e chefes, como tentativa de preencher um reservatório que nunca foi abastecido na infância[2]. No cenário profissional, essa dinâmica transforma estudantes e trabalhadores em high achievers, mas a um custo emocional altíssimo.

Medo excessivo de errar: Crianças constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta. Essa autocrítica severa acompanha o indivíduo, criando uma voz interna que cobra perfeccionismo defensivo e pune qualquer tentativa de relaxar.

Sinais visíveis da infância insegura.

Identificar os padrões de comportamento herdados de uma infância sobrecarregada permite que o indivíduo inicie um processo de cura[1]. Muitas dessas características são vistas pela sociedade como qualidades admiráveis, mas escondem sofrimento psicológico latente:

  • Hipervigilância e dificuldade em relaxar: para quem pulou etapas do desenvolvimento, o ócio é interpretado como perda de tempo perigosa[1]. Relaxar significa baixar a guarda, despertando medo irracional de que algo terrível aconteça[1].
  • Dificuldade em aceitar favores e hiperindependência: surge como escudo para evitar depender de pessoas que podem falhar ou desaparecer[1]. Muitos preferem carregar todo o peso sem pedir colaboração.
  • Dificuldade em lidar com críticas: mesmo críticas construtivas desencadeiam respostas defensivas[2].
  • Tendência a se desculpar excessivamente: por falhas triviais ou até inexistentes[2].
  • Sentimento de invisibilidade: quando não recebe atenção imediata em grupos[2].
  • Foco excessivo na produtividade: incompatível com a capacidade de descanso[1].

Como a psicanálise propõe trabalhar essas experiências.

A transformação clínica passa por mais do que recordar: exige elaboração genuína. Procedimentos centrais incluem:

  • Estabelecer um vínculo seguro: criar uma aliança terapêutica estável para permitir a emergência de conteúdos vulneráveis;
  • Livre associação e interpretação: permitir que lembranças, sonhos e atos falhos sejam trazidos à luz e elaborados;
  • Uso da transferência/contratransferência: como campo para vivenciar e reparar padrões de vinculação;
  • Identificação e flexibilização de defesas: negação, projeção, acting out;
  • Técnicas junguianas (imaginação ativa, amplificação): para integrar imagens, símbolos e a sombra;
  • Psicoeducação e ressignificação narrativa: reconstruir a história pessoal com coerência;
  • Contenção e estabilização: antes de trabalhar traumas complexos;
  • "Reparentagem": o adulto aprende a fornecer a si mesmo o acolhimento que faltou[2].

Profissionais que trabalham com abordagem psicanalítica reconhecem a singularidade de cada história e o valor de colocar em palavras aquilo que, muitas vezes, permaneceu silenciado[1]. A escuta clínica atenta busca oferecer um espaço de construção de sentido — um tempo para olhar com mais cuidado para si, reconhecer repetições, elaborar dores e criar novas possibilidades de existir[1].

Fortalecer a comunicação interna e reconhecer os próprios méritos sem a necessidade de aplausos é um exercício diário de reconstrução da identidade[2].

Por que isso importa

Marcas não elaboradas limitam criatividade, autonomia e potencial profissional; fragilizam laços e perpetuam padrões intergeracionais. A hiperindependência que surge como estratégia de sobrevivência impede a formação de vínculos profundos, pois a vulnerabilidade é interpretada como risco inaceitável[1]. Quebrar essa barreira exige vulnerabilidade e aceitação de que conexões humanas saudáveis exigem trocas e apoio mútuo constante[1].

Investir em clínica, educação parental e políticas públicas de proteção à infância é, portanto, investimento em saúde social.

Uma questão pessoal.

A infância insegura não deve ser romantizada nem ignorada. Precisamos de uma cultura que reconheça a profundidade dessas marcas e ofereça caminhos reais de elaboração. Ao aceitar que a ausência dos pais foi uma falha deles, e não um reflexo da sua insuficiência, o indivíduo libera espaço mental para construir conexões baseadas na reciprocidade real[2].

A psicanálise, ao combinar interpretação, vínculo reparador e integração simbólica, propõe um processo que transforma máculas em possibilidades de escolha. Priorizar seu equilíbrio mental é fundamental para transformar essas marcas do passado em uma força construtiva e consciente hoje[1].

No fim, a verdadeira liberdade surge quando o reconhecimento mais importante vem de dentro, permitindo que a pessoa brilhe por quem ela é, e não pelo que ela faz para agradar o mundo.


Referências Bibliográficas

Freud, S. (1923). O Ego e o Id. Edição Padrão Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.

Freud, S. (1905). Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Companhia das Letras.

Jung, C. G. (1959). A Prática da Psicanálise. Editora Vozes.

Jung, C. G. (1981). Estrutura e dinâmica da psique. Petrópolis: Vozes.

Winnicott, D. W. (1990). Natureza Humana. Imago Editora.

Lacan, J. (1978). O Seminário: livro 2 - O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da Psicanálise. Jorge Zahar Editor.

Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Volume 1 - Attachment. Basic Books.

Correio Braziliense (2024). "Segundo a psicologia, pessoas que cresceram assumindo responsabilidades cedo demais frequentemente desenvolvem estes traços na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

Correio Braziliense (2024). "Crianças que cresceram sendo constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

UAI Notícias (2026). "A psicologia afirma que a necessidade constante de validação na vida adulta pode ser um reflexo direto da falta de suporte emocional na infância". Disponível em: https://www.uai.com.br/

Rieger, P. F. (2026). "A neurociência hoje mostra que essas experiências organizam não só o psiquismo, mas o próprio funcionamento do...". Instagram, 19 de março de 2026. Disponível em: https://secure.instagram.com/poliene_fsn_rieger/

Evolution Saúde Mental (2026). "Psicólogos(a) especialistas em: terapia-individual". Disponível em: https://evolutionsaudemental.com/

Psi Consultório (2026). "Psicoterapia online em Psicanálise - Freud". Disponível em: https://psiconsultorio.com.br/

Equilíbrio e bem-estar em harmonia

Emagrecimento e saúde mental: porque canetas emagrecedoras, dietas e cirurgias sem acompanhamento psicológico são perigosos.

Por Dr. Marcio Renzo - Psicanalista e hipnoterapeuta.

Emagrecer virou produto: tem pacote, pílula e promessa de resultado “já”. Mas o que fica por baixo dessa pressa toda? Olhando pela lente da psicanálise — com Freud lembrando das primeiras relações com a comida e Jung alertando para os complexos de autoimagem — dá para ver que muito do que buscamos consertar no corpo é, na verdade, tentativa de remendar feridas emocionais. Comer, para Freud, não é só saciar fome: é história, afeto, consolo. Quem come para preencher um vazio ou se priva como forma de punição está lidando com algo que não cabe só numa dieta. Jung acrescenta que o espelho é cena de projeções; a insatisfação no reflexo muitas vezes remete a sombras e complexos que a pessoa tenta “consertar” com medidas, cirurgias ou remédios.

A cultura em que vivemos e as redes sociais amplificaram e aceleraram esse movimento. A beleza deixou de ser apenas ideal cultural para virar produto midiático: imagens produzidas, filtros que “corrigem” imperfeições e algoritmos que repetem o mesmo padrão até fazê‑lo parecer normal. Essa repetição constante cria sensação de urgência e falta: se todo mundo parece ter um corpo “correto” — ainda que artificialmente — a pressão para alcançá‑lo se torna quase moral. Influenciadores vendem rotinas, suplementos e procedimentos como chaves para uma vida mais feliz; o que raramente aparece nos posts são as frustrações, as recaídas e o trabalho emocional por trás de qualquer mudança duradoura. A comparação contínua alimenta ansiedade e baixa autoestima, transformando o desejo legítimo de cuidado em corrida por resultados performáticos.

Nos últimos anos, um elemento novo entrou com força nesse mercado: as chamadas “canetas emagrecedoras” — medicamentos injetáveis à base de análogos de GLP‑1 (como semaglutida) usados inicialmente para diabetes e, mais recentemente, amplamente divulgados para perda de peso. A popularidade desses fármacos foi impulsionada por relatos de perda rápida e por influenciadores que documentaram transformações instantâneas; clínicas e consultórios passaram a oferecê‑los em escala crescente.

O uso dessas canetas tem impactos psicológicos relevantes. Para algumas pessoas, a redução do peso traz alívio e melhora da autoestima; porém, quando a medicação é adotada como atalho sem trabalho emocional, tende a reforçar a ideia de que basta “corrigir” o corpo para resolver problemas íntimos. Isso aprofunda a dissociação entre imagem e história: a pessoa que não enfrentou os gatilhos emocionais continua vulnerável a recaídas, frustrações e à busca por novos procedimentos. Há ainda risco de dependência psicológica — acreditar que sem a caneta não há controle — e de agravamento do transtorno dismórfico corporal, pois a facilidade de mudar o corpo pode estimular buscas compulsivas por ajustes contínuos.

Quando intervenções no corpo — cirurgias, dietas extremas ou canetas emagrecedoras — ocorrem sem acompanhamento psicológico, os riscos se multiplicam. Fisicamente, podem surgir infecções, tromboses, complicações anestésicas, desequilíbrios eletrolíticos e desnutrição; a médio e longo prazo há alterações metabólicas e hormonais que dificultam a manutenção do peso. Psicologicamente, a ausência de tratamento deixa intactos os mecanismos que geraram o problema: compulsões persistem, culpa e vergonha se agravam, e a pessoa pode desenvolver dependência de procedimentos para regular a autoestima. A retirada ou redução do medicamento frequentemente leva a reganho de peso e frustração, alimentando um ciclo de tentativas e desespero que poderia ter sido prevenido pela escuta clínica.

A imprensa brasileira tem intensificado a cobertura sobre as canetas emagrecedoras nos últimos anos, apontando tanto potenciais benefícios quanto riscos e dilemas éticos. Reportagens recentes destacaram estudos que associam semaglutida à redução de risco para eventos cardiovasculares e ganho de qualidade de vida em pacientes selecionados, ao mesmo tempo em que noticiaram efeitos colaterais gastrointestinais, debates sobre indicação, oferta crescente em clínicas estéticas e procura por uso sem supervisão médica. Essas coberturas sublinham a necessidade de prescrição responsável, acompanhamento multidisciplinar e atenção à dimensão psicológica dos tratamentos, lembrando que eficácia clínica não elimina a necessidade de escuta e suporte (UOL VivaBem, 22/01/2025; VEJA, 22/10/2025; G1, 15/03/2026).

Em minha prática clínica, não sou contra medicamentos, cirurgias ou outros recursos quando bem indicados; o que vejo com frequência, e que me preocupa, é o uso isolado desses atalhos como promessa de solução definitiva. Tratamentos sem atenção à história afetiva e aos gatilhos emocionais tendem a gerar alívio momentâneo, seguido de frustração, recaídas e até novos procedimentos. Por isso, acredito que mudança verdadeira passa pela integração: médico, nutricionista e psicólogo trabalhando juntos. Antes de aceitar o “jeito mais rápido”, vale perguntar‑se: por que quero mudar e que vazio espero preencher? Se a resposta tocar algo além do corpo, na minha experiência clínica esse é o sinal mais claro de que a ajuda psicológica deve caminhar junto ao tratamento físico.

Não se trata de demonizar medicações ou cirurgias — quando bem indicadas e acompanhadas, podem ser ferramentas valiosas — mas de alertar contra seu uso isolado como cápsula mágica. A transformação estética pode fazer parte de um projeto de autocuidado, desde que haja escuta, avaliação e acompanhamento. Sem isso, a pressa por resultados pode transformar esperança em frustração e cuidado em risco. Enquanto redes sociais e mídia continuarem a vender milagres sem mostrar o trabalho emocional por trás deles, muitas histórias de “sucesso” terão, do outro lado, relatos não contados de recaídas, danos e esforços invisíveis. Cuidar do corpo é também cuidar da mente; só assim a mudança pode ser verdadeira e duradoura.

Referências jornalísticas citadas: UOL VivaBem (22/01/2025), VEJA (22/10/2025), G1 (15/03/2026).

Sejamos anjos na vida das pessoas (1)

Final de ano – Sejamos anjos na vida de quem necessita.

Final do ano chegando e os pensamentos são: o que fazer para festejar? Que roupa vou usar? As férias chegaram. Etc. Para uma parcela da sociedade esses são pensamentos comuns e animadores, porém para outras causa extremo sofrimento e preocupações.

Não precisa pesquisar muito para chegar à conclusão que os números de suicídios e autolesões aumentam consideravelmente nesta época do ano. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Emergência esse número aumentou muito. Deu um salto de 25% na última década. Somente em 2023, segundo o DataSUS, 16.225 pessoas provocaram lesões intencionalmente contra si mesmas, isso dá uma média de 44 pessoas por dia.

Um outro termômetro para esse fato é que segundo o CVV (Centro de Valorização da Vida), historicamente, há um aumento de cerca de 20% no volume de ligações que recebem em dezembro, especialmente entre as datas de Natal e Ano Novo.

Nessas datas as pessoas ficam mais sensíveis à sentimentos de frustrações e, portanto, as ideias suicidas tornam-se mais frequentes, por isso a nossa atenção deve estar redobrada para esses comentários.

Os famosos “balanços de final de ano”, que trata da autopercepção sobre o que a pessoa desenvolveu durante o ano e a perspectiva do que poderá vir a realizar no ano vindouro tendem a ser mais negativos para esses indivíduos, dessa forma tendem a estar mais propensos cometer tais atos contra sua integridade.

Um exemplo dessa situação foi brilhantemente mostrado no filme A felicidade não se compra, de Frank Capra, onde o protagonista, à beira do suicídio, é convidado pelo anjo da guarda a ver a vida por uma outra perspectiva.

A depressão, em sua forma mais grave, leva o paciente a ter essas reações punitivas, não o deixa ter a capacidade de enxergar a vida de outra forma, daí a importância de ter esse apoio mostrado no filme na figura do anjo. Trazendo para a vida real, nós podemos fazer este papel estando atentos a essas ideias e perceber nas pessoas próximas esse pedido de socorro, muitas vezes velado.

É importante ressaltar que o acolhimento, a audiência não punitiva desse indivíduo é essencial. Ouvi-los sem julgamentos ou comparações é importantíssimo. As comparações ainda que por vezes sejam bem-intencionadas podem piorar o sentimento desse paciente. Ouça-o sem invalidar e sem o castigar pelo que ele está sentindo, essa invalidação o paciente já o faz e com muita ênfase.

Se a pessoa ainda persistir nessas ideações, a ajuda profissional deve ser procurada imediatamente, além de procurar não a deixar sozinha por longos períodos.

Estejamos atentos e tenhamos todos: Boas festas!

setembro amarelo

Prevenção ao Suicídio

Busquemos mais a Eros e menos a Thanatos em nossa vida.

Outro setembro que se inicia e como ele uma nova Campanha ao combate a um mal que se espalha de forma silenciosa e voraz. O suicídio é um comportamento complexo, não respeita classe social, raça, credo, cor, sexo, idade etc., invade e toma a todos de forma intensa e destruidora.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos morrem mais pessoas por suicídio que por HIV, malária, câncer de mama, guerras ou homicídios.
 No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou em setembro de 2022 números alarmantes. Entre 2016 e 2021 houve um aumento de cerca de 50% na taxa de mortalidade de adolescentes (15 a 19 anos) e cerca de 45% entre os adolescentes de 10 a 14 anos.
 Houve um declínio nos números de suicídios na Europa, porém aumento na Ásia, América Central e América do Sul.

Apenas 38 países dos 193 no mundo tem estratégias nacionais de prevenção ao suicídio.

Na Psicanálise, o foco são os conflitos internos e a mente inconsciente que são determinantes no comportamento humano. Sob essa visão, podemos tecer que o suicídio é uma resultante de conflitos internos profundos, muitas vezes relacionadas a pulsões de vida (Eros) e de morte (Thanatos).

A prevenção ao suicídio, portanto, envolve a busca pela compreensão e o tratamento desses conflitos internos utilizando ferramentas como a análise de sonhos, associação livre, interpretação da transferência e contratransferência e a hipnose.

A ajuda de um terapeuta capacitado é essencial para o estabelecimento de uma descoberta segura e produtiva para essa pessoa possuidora de conflitos. O terapeuta, inicialmente, deve estabelecer uma relação de confiança e segura, onde o paciente se sinta à vontade para explorar seus pensamentos e sentimentos mais profundos.

É essencial na busca pela prevenção que o paciente se sinta à vontade e faça escolhas conscientes e saudáveis e isso é conseguido através do fortalecimento do Ego. Quando o paciente aprende a lidar melhor com as pulsões vida e morte (Eros e Thanatos) mais consciente e integrada, isso faz que se reduza atos destrutivos, como o suicídio.

Outra questão importante é explorar a motivação subjacente ao suicídio. Onde começam a surgir pensamentos de morte como tentativa de resolver os conflitos internos ou de escapar das dificuldades psicológicas que envolvem a situação. Quando esses pensamentos são analisados, o entendimento do conflito ajuda na descoberta e na solução das raízes do problema, o que leva a reduzir os atos suicidas.

Outra variável importante nessa complexa equação de prevenção é a observância e atenção dos familiares, amigos e das pessoas próximas. Quando percebemos mudanças no comportamento desse indivíduo como: isolamento social, mudanças bruscas de hábitos, humor variável e inconstante, comportamentos destrutivos, falta de zelo próprio, deve-se buscar ajuda profissional e dar apoio à pessoa.

Esse apoio pode vir em forma de palavras amigas e nunca julgamentos, pois a pessoa que passa por essa situação já está em constante e severa avaliação por ela mesma.

A busca pela ajuda terapêutica e profissional é muito importante e ao se deparar com pessoas nessa situação, tente orientar e, acima de tudo, respeitar o espaço e a vontade do indivíduo.

Respeito e afeto são os principais componentes dessa ajuda.

Borderline

Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) – Terapia ajuda?

Transtorno de Personalidade Borderline (TPB): A terapia psicanalítica é uma aliada maior do que se imagina.

O transtorno de personalidade borderline é descrito por uma instabilidade emocional, impulsividade, relacionamentos intensos e tumultuados, além de uma autoimagem distorcida, sendo observado predominantemente (cerca de 75%) em mulheres. Na psicanálise, o TPB é visto como resultado de conflitos internos profundos, frequentemente relacionados a experiências precoces de desenvolvimento.

O TPB pode ocorrer de forma concomitante a um transtorno depressivo ou bipolar, desta forma, podemos confundir seus diagnósticos. O profissional deve evitar o diagnóstico com base em apresentações dos sintomas momentâneos, deve-se ter o cuidado de observar o paciente num curso prolongado e bem documentado. Outros transtornos de personalidades também podem ser confundidos com o borderline. É importante destacar que apresentando características de mais de um transtorno, todos devem ser documentados e considerados.

Outro fato importante, é que algumas condições médicas relacionadas ao sistema nervoso central podem dificultar o diagnóstico e, portanto, deve ser atentamente observado. Outros pontos também a se considerar é o uso de substâncias que causem alterações psicológicas e problemas de identidade relacionados às fases de desenvolvimento, por exemplo a adolescência, cuja situação não se enquadre como um transtorno mental.

Dentro da visão psicanalítica são observados alguns pontos importantes neste transtorno, que diferencia a abordagem deste paciente das demais técnicas psicológicas, como segue:

·        Exploração do Inconsciente: tem o objetivo de trazer os pensamentos e as emoções reprimidas que influenciam o comportamento e as emoções do paciente. É utilizada a associação livre e a análise de sonhos, onde o terapeuta pode ajudar o paciente a acessar e entender os pensamentos inconscientes que podem causar instabilidade emocional.

·   Compreensão do Desenvolvimento Psicológico: pacientes borderline tiveram experiências de insegurança ou traumas na infância. Através da exploração desses eventos, o psicanalista busca entender como eles moldaram a personalidade e os mecanismos de defesa do paciente. Entender as fases do desenvolvimento psicossexual e os conflitos não resolvidos pode oferecer dicas valiosas para a terapia.

·        Análise da Transferência e Contratransferência: Pacientes com TPB frequentemente transferem sentimentos intensos para o terapeuta, replicando padrões de relacionamentos passados. A análise dessa transferência pelo terapeuta permite que ele entenda esses sentimentos, ajudando o paciente a ter consciência de seus padrões emocionais e comportamentais.

·        Fortalecimento do Ego: O borderline está frequentemente ligado a um ego frágil e a dificuldades em regular emoções. A terapia psicanalítica trabalha para fortalecer o ego, ajudando o paciente a desenvolver um senso mais estável de identidade e autocontrole. Técnicas psicanalíticas ajudam o paciente a juntar aspectos conflitantes de si mesmo, promovendo uma autoimagem mais forte.

·        Mecanismos de Defesa e Resolução de Conflitos Internos: Indivíduos com TPB usam mecanismos de defesa como a divisão (ver pessoas e situações em termos extremos de totalmente boas ou totalmente más). Sabendo disso, o analista ajuda o paciente a reconhecer e substituir esses mecanismos de defesa disfuncionais por formas mais flexíveis de lidar com conflitos internos.

·        Integração de Experiências Emocionais: Através da terapia, o paciente pode começar a juntar experiências emocionais fragmentadas em sua mente, promovendo uma compreensão mais profunda de seus sentimentos e comportamentos. O objetivo terapêutico é promover a capacidade do paciente de tolerar e processar emoções intensas sem recorrer a comportamentos impulsivos.

·         Estabelecimento de Relações Saudáveis: Outro objetivo da terapia é ajudar o paciente a entender e modificar os padrões destrutivos em seus relacionamentos. Dentro do espaço seguro da terapia, o terapeuta ajuda-o a explorar e experimentar novas formas de se relacionar com os outros.

·        Redução de Sintomas e Melhora da Qualidade de Vida: A longo prazo, a psicanálise pode levar a uma redução significativa dos sintomas do TPB, como a impulsividade, a instabilidade emocional e os comportamentos autodestrutivos. Quando se promove uma maior compreensão e aceitação de si mesmo, o paciente pode melhorar a qualidade de vida e sua funcionalidade.

Ainda dentro do campo da psicanálise, a hipnose, pode ajudar muito na compreensão e ressignificação de situações “gatilhos” que elevam muito a suscetibilidade de ocorrências, como: alterações de humor bruscas, eventos impulsivos, posicionamentos autodestrutivos e outros.

A terapia psicanalítica para TPB, como todo e qualquer processo terapêutico, é profundo e complexo, desta forma, exige um compromisso muito forte do paciente e do terapeuta. No entanto, com tempo e dedicação, a terapia proporciona uma melhora muito expressiva na saúde mental e no bem-estar do paciente.

Saúde mental o impacto da violência doméstica além da agressão. (2)

Saúde mental: o impacto da violência doméstica além da agressão.

Não precisamos ficar muito atentos aos jornalísticos para que de imediato surjam notícias sobre violência doméstica em algum ponto do país. Segundo o DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher, em pesquisa apresentada em novembro de 2023, três em cada 10 mulheres já sofreram algum tipo de violência doméstica. Tal pesquisa é realizada bienalmente, desde 2005, e serviu como suporte à criação da “lei Maria da Penha”.

Fonte: DataSenado

Uma primeira informação é que, em sua maioria, o autor da violência é o marido ou companheiro em 52% dos casos, seguido de ex-companheiros/maridos/namorados (15%). Outro ponto importante verificado é o tipo de violência que a mulher sofre: violência psicológica 89% dos casos, violência moral 77%, violência física 76%, violência patrimonial 34% e por fim, a violência sexual 25%. É bom destacar que a maioria das mulheres relataram ter sofrido a primeira violência ainda muito jovens.

Avaliando os dados acima, percebemos como é ainda muito forte este tipo de violência, apesar de que nos últimos anos houve aumento das denúncias, seja nas delegacias, igrejas e no próprio seio familiar.

O fato é que a violência doméstica é um dos principais fatores estressores que tem levado mulheres a buscar ajuda relacionado à saúde mental nos consultórios. Transtornos ansiosos e depressivos estão entre os mais citados.

Quando essas mulheres chegam ao consultório, sempre apresentam comportamentos muito acanhados, com vergonha para falar, diminuídas em sua condição, sofrendo com sua autoestima muito baixa. Várias já apresentando doenças físicas em decorrência do nível de estresse sofrido, dentre as principais: doenças cardiovasculares, reumáticas e gastrointestinais.

Dentro do cuidado na saúde mental dessas vítimas o acolhimento deve ser feito de forma muito cuidadosa e muito empática, pois essas vítimas trazem uma carga de preconceito e descaso muito pesada e todo e qualquer novo trauma compromete e muito seu tratamento.

É importante também e, muitas vezes, não relacionado à saúde da mulher, mas que indiretamente causam verdadeiros estragos em sua saúde psicológica, são os efeitos sofridos pelos filhos. Estudos demonstram que os filhos que conviveram com essa violência apresentam dificuldades de aprendizado, déficit cognitivo, além também de transtornos mentais. Isso tudo para a mãe faz com que ela se sinta incompetente e que tenha falhado como mãe, por não conseguir protegê-los.

Algumas mulheres estão mais suscetíveis a vir a sofrer com a violência doméstica, então conhecer alguns fatores ajudam a identificar possíveis agressores e proteger essas mulheres é essencial. Algumas das situações que indicam que a mulher pode vir a sofrer violências são:

- Mulheres que vivem em isolamento social;

- Pouco conhecimento de seus direitos;

- Mulheres com histórico de doenças mentais;

- Uso de álcool e drogas;

- Dependência afetiva e econômica;

- Presença de comportamentos muito rígidos;

- Mulheres excluídas do mercado de trabalho;

- Deficiências;

- Mulheres de etnias, raças e escolaridades menos assistidas.

Para que a violência doméstica tenha seus efeitos minimizados, algumas medidas e atitudes podem ajudar na redução dos efeitos e no acolhimento dessas vítimas, como: manter um bom relacionamento familiar e o estabelecimento de fortes vínculos afetivos; atitude de buscar ajuda de outras pessoas e profissionais capacitados; buscar manter uma autoestima elevada; manter relações harmoniosas no trabalho; ter consciência de seus direitos e ter capacidade de se manter e a sua família promovem a segurança dessa mulher.

É importante também que as autoridades governamentais priorizem uma rede assistencial em saúde e proteção social bem estruturada e integrada, inclusive aos órgãos de segurança pública e judiciário para que realmente se tenha uma proteção efetiva para essa mulher e família atingida pela violência.

Não esqueça, tenha empatia e caso conheça alguém que esteja vivenciando essa situação, ajude e oriente a procurar os profissionais de saúde mental e assistência social.

CIÚMES – Conheça para aprender a lidar com este sentimento.

CIÚMES – Conheça para aprender a lidar com este sentimento.

O carnaval vem chegando e nesta época, com as brincadeiras e folias, muitos relacionamentos ficam abalados por este sentimento. Mas afinal, o que é o ciúme?

Ciúmes é uma emoção complexa e pode ser definido como um sentimento de insegurança, ansiedade ou medo de perder algo valioso para outra pessoa. Geralmente, está associado a relacionamentos interpessoais, como amorosos, amizades ou até mesmo no âmbito profissional.

Dentro da psicanálise, podemos observar três formas do indivíduo demonstrar esta emoção. O ciúme natural é quando a pessoa vê o seu parceiro sendo admirado por outra pessoa em alguma situação social.  Nesta forma de ciúme é considerado normal, pois é causado por uma situação visível e real. Porém desaparece rapidamente.

No ciúme patológico, torna-se inaceitável ao parceiro, pois acaba sendo uma obsessão. A pessoa que sofre com esta versão de ciúmes procura exageradamente coisas um do outro. Vigia o parceiro em todos seus movimentos, podendo segui-lo certos locais, como o objetivo de encontrar alguma coisa que sustente seu ciúme.

Outra forma de ciúme e mais grave é o neurótico, nesta modalidade o ciúme ocorre sem uma causa real, as suspeitas e os medos da pessoa sufocam o parceiro. A relação se torna extremamente tóxica, pois são feitas acusações, provocações sobre o parceiro ser infiel, constantemente. Além de que este tipo, podemos se dizer, que ele se retroalimenta, fazendo seus medos em relação à outra pessoa aumentarem ainda mais.

Como vimos, essa emoção do ciúme está ligada ao medo de perder algo ou alguém para outra pessoa. Portanto, não podemos restringir a apenas pessoas, sendo assim podemos observar uma outra subdivisão desta emoção ligada ao tipo do bem, por assim dizer, da pessoa que sofre com esta ligação.

No ciúme romântico o foco está no relacionamento amoroso. A pessoa tem medo de perder o seu amado para outra pessoa. Nesta modalidade, podemos evitar que o ciúme cresça mantendo uma comunicação aberta e honesta com o parceiro. Fortalecer a confiança é fundamental, compartilhar sentimentos e preocupações ajuda a reduzir os ciúmes.

O ciúme de amizades está ligado a perder a atenção do amigo para outra pessoa. Podemos evitar isso com a comunicação. Definir as necessidades e expectativas do relacionamento faz com que este ciúme não se fortaleça. Participar de atividades juntos também ajuda no controle e fortalece os laços de amizade.

O ciúme também pode surgir nas relações profissionais, quando a pessoa sente que está sendo superado por um colega de trabalho. Para evitar que isso aconteça e torne o ambiente profissional tóxico, concentre-se no desenvolvimento pessoal e profissional. Estabelecer metas realistas e buscar feedback construtivo ajuda a lidar com esta emoção. Melhorar suas habilidades também ajuda a reduzir esse sentimento. Buscar competições internas, desde que saudável, pode ser motivador também, desde que não comprometa o ambiente de trabalho.

Por fim, mas não menos importante, o ciúme dos bens materiais, neste a pessoa sente inveja das conquistas e pertences materiais da outra pessoa. A prática da gratidão ajuda a reduzir este sentimento. Procure estabelecer metas atingíveis para você e trabalhe constantemente para alcançar, evitando se comparar a outras pessoas.

O mais importante de tudo é que em quaisquer que sejam as formas, quando estes sentimentos se tornam excessivos, deve-se procurar ajuda profissional. Trabalhar a autoestima, em qualquer forma, é fundamental. 

Janeiro_Branco

JANEIRO BRANCO – NÃO BASTA PARECER BEM, PRECISA SENTIR-SE BEM.

A campanha Janeiro Branco foi criada pela simbologia atribuída ao mês de janeiro. Por se tratar do primeiro mês do ano há essa questão de fechamento de um ciclo e o recomeço de outro. Já branco, por simbolizar a “página em branco” na qual podemos projetar sonhos, desejos, escrever uma história, onde podemos iniciar novos desafios.

O Brasil tem sido considerado um dos países mais ansiosos do mundo e um dos mais depressivos, também.

Desta forma, a importância desta campanha no sentido de conscientizar as pessoas sobre a necessidade do cuidado com nossa saúde mental.

Como podemos ajudar nossa mente a se manter em forma?

Imagem da internet

Conversando com amigos e parentes sobre a necessidade de nos conhecermos melhor. Ao perceber mudanças de comportamento, atitudes inconvenientes ou mesmo um simples isolamento, dar a devida atenção. Perguntar se aconteceu algo incomum ou se está tudo bem.

Em caso de percebermos tais comportamentos e não pudermos ajudar, indicar que procure ajuda de um profissional em saúde mental, tais como: psicanalista (clique aqui para ver ajuda), psicólogos ou psiquiatras.

Devemos também quebrar um importante tabu que é a busca de ajuda profissional. Devemos desmistificar que só devem procurar psicanalistas e psicólogos quem tem doença mental. Esses profissionais estão para ajudar, não somente nos casos de doenças, mas também para melhorar o desempenho profissional, o autoconhecimento e ajudar nas muitas dúvidas que existem sobre o assunto.

Portanto, se tem alguma dúvida, pode procurar ajuda sem medo de julgamentos ou rótulos. Pense nisso e seja mais saudável.