SAÚDE

violencia contra minorias

A violência contra minorias e seus reflexos na mente.

Sabe aquele ditado que a gente ouve por aí: "as palavras não machucam"? Pois é, a psicanálise discorda e muito. A violência sistemática contra minorias deixa cicatrizes profundas na psique das pessoas, mexendo em coisas fundamentais como identidade e desenvolvimento. E não é só trauma pontual, não. É algo que vai marcando a gente desde cedo, se infiltrando no inconsciente. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo vêm investigando justamente isso — como mulheres vítimas de violência sexual e pessoas LGBTQIAPN+ sofrem impactos sérios na saúde mental, desde depressão até comportamentos autodestrutivos.[1] É coisa séria demais.

Quando a gente aprende a desumanizar através das palavras.

Aqui tá o ponto: a violência física é tipo o último ato de uma peça que começou bem antes. Muito antes. A psicanálise nos mostra que antes de alguém apanhar, precisa primeiro deixar de ser gente, sabe? Precisa virar "coisa", objeto.

Uma colunista do Diário do Nordeste escreveu algo que é meio assustador: "ninguém agride, viola ou mata quem reconhece plenamente como igual."[8] Isso quer dizer que a gente precisa primeiro rebaixar a pessoa através da linguagem. Mulheres em aplicativos de relacionamento sendo chamadas de "estupráveis", camisetas de certos grupos dizendo "não se arrependa", adolescentes classificando colegas por "utilidade" — tudo isso é ensaio. Treino do olhar que depois autoriza a violência mesmo.

Frantz Fanon, um psiquiatra que trabalhou com vítimas da colonização na Argélia, já tinha entendido isso nos anos 1950.[12] Ele mostrou que o racismo e a opressão colonial não machucam só o corpo, machucam o inconsciente das pessoas, deixam marcas que a gente passa para o próximo. A psicanálise precisava acordar para isso: o sujeito não é uma “ilhinha” isolada numa sala de consultório. A gente é marcado pelo contexto, pela história, pela opressão que a gente vive.

O estresse de ser minoria: quando ficar vivo já é cansativo.

Tem um termo que os pesquisadores usam — "estresse de minoria." Basicamente, é aquele cansaço crônico de estar sempre em alerta, sempre na defensiva.[1] Pessoas LGBTQIAPN+ que não se assumiram publicamente vivem nisso o tempo todo. É tipo estar sempre segurando a respiração, sabe? E isso marca, mexe com tudo.

Os números falam por si: entre pessoas trans no Brasil, a taxa de tentativa de suicídio chega a 43,1%.[4] Não é de assustar? Quando a gente vê um número desses, não é um "caso" ou outro. É evidência de que o sistema inteiro de violência está funcionando mesmo, deixando cicatrizes profundas.

Mulheres vítimas de violência sexual lidam com outra coisa bem pesada: a culpa que a sociedade coloca nelas. Estupro não é só o ato violento, é a sociedade inteira pedindo para você ficar de boca fechada, te perguntando se estava bebendo, como estava vestida. Pesquisas da UFES estão investigando como essas mulheres conseguem se recuperar disso, o que chamam de "crescimento pós-traumático", mas é tipo tirar água do poço com balde furado.[1]

Racismo na infância: quando a criança aprende cedo que não vale nada.

Tem algo que machuca mais ainda: quando a violência começa lá no comecinho da vida. Crianças negras em comunidades periféricas crescem sob impacto direto da violência urbana — perdem dias de aula porque tem confronto, deixam de tomar vacina, vivem em estado de perigo o tempo todo.[7] Tudo isso não é experiência passageira. Fica marcado no cérebro.

A pesquisa mostra que o racismo funciona como uma experiência adversa que provoca "estresse tóxico", aquele estresse que mexe com o desenvolvimento normal do cérebro da criança, afetando aprendizagem, memória, até a capacidade de lidar com emoções.[7] É como se a gente estivesse pedindo para o cérebro da criança trabalhar em sobrecarga constantemente.

E tem mais: quando crianças negras enfrentam racismo cotidiano na escola, quando a história da sua gente não aparece nos livros, quando professores ignoram comentários racistas de colegas, a criança internaliza uma mensagem muito clara: "você não pertence aqui, você não vale."[10] Isso não desaparece. Fica no inconsciente, afetando como essa pessoa se vê pelo resto da vida.

A escola que deveria proteger e acaba machucando.

As escolas civis-militares viraram exemplo disso. Tem reportagem do Ministério Público Federal mostrando que estudantes LGBTQIAPN+ e negros são perseguidos por expressar sua identidade, sofrem abordagens agressivas de policiais militares dentro de sala de aula, têm sua liberdade cerceada.[19] Isso é violência institucional disfarçada de "disciplina" e "ordem". E as crianças absorvem tudo isso.

O bullying também é assim. A gente pensa que é só imaturidade de adolescente, mas é bem mais sério. Quando meninos classificam meninas como "acessíveis" ou "estupráveis", quando adolescentes trans são impedidos de usar banheiro de acordo com sua identidade, quando a história afro-brasileira é quase invisível no currículo, tudo isso interfere radicalmente no desenvolvimento psicológico.[10] E frequentemente os adultos não veem por que a violência acontece nos espaços invisíveis das instituições.

O inconsciente racista: porque a gente não consegue tirar racismo da cabeça com argumentos.

Aqui está uma coisa meio complicada da psicanálise lacaniana: o racismo não funciona só no nível de argumentação racional. [11] Ele funciona através de fantasias inconscientes sobre o corpo do outro, sobre aquilo que "falta" ou "sobra" naquele corpo. É profundo demais para a consciência atingir com argumentos bonitos.

Isso quer dizer que combater racismo não é só levar dados e fatos para a pessoa. É descolonizar a própria psicanálise que a gente usa, trazer pensadores da diáspora africana e da ancestralidade indígena.[9] Porque o racismo está enraizado em instituições, em leis, em práticas que se apresentam como "naturais" e "inevitáveis", mas que são construções históricas mesmo.[14] E isso marca o desenvolvimento das pessoas porque define desde cedo quem merece respeito, quem pode ocupar espaços, cujo corpo é digno de proteção.

O grande desafio: transformar essa realidade.

Se a gente entende que a violência contra minorias não é só um problema individual ou familiar, mas estrutural, então a solução também precisa ser estrutural. Significa investir em formação antirracista para os professores, descolonizar currículos que apagam histórias e culturas, criar políticas de segurança pública que respeitem o desenvolvimento infantil em vez de criminalizá-lo. [7][10]

Significa também que cada um de nós precisa se olhar no espelho. Porque a gente participa dessa violência, através da linguagem que usa, das piadas que tolera, do silêncio quando alguém fala algo degradante.[8] Como aquela colunista disse bem direto: antes de agredir ou matar, é preciso deixar de reconhecer como igual. E a gente faz isso todos os dias sem perceber.

Uma psicanálise que escuta o social.

O lado esperançoso disso tudo é que pesquisadores brasileiros estão oferecendo caminhos reais. Estão investigando crescimento pós-traumático em mulheres vítimas de violência sexual, não só o sofrimento, mas também como essas pessoas conseguem desenvolver resiliência.[1] Estudam saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+ não assumidas, buscando entender as estratégias que elas usam para sobreviver em contextos de isolamento e discriminação.[1] Tudo isso aponta para uma psicanálise mais humanizada, mais próxima da realidade brasileira mesmo.

O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação de verdade, em políticas públicas, em mudanças nas instituições, em uma reconfiguração da sociedade que reconheça que todo mundo merece respeito e dignidade. Porque violência contra minorias não é só gente traumatizada que precisa de terapia. É uma sociedade inteira que precisa ser radicalmente transformada. E isso começa em casa, na escola, no trabalho, começa na gente mesmo.

Precisa de ajuda? (clique aqui) Dr. Marcio Renzo - Psicanálise e Hipnoterapia.


Fontes citadas:

[1] Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). "Pesquisas investigam impactos da violência na saúde mental de mulheres e de pessoas LGBTQIAP+."

[4] BMC Public Health. "Factors associated with transgender people mortality due to violence in Brazil (2014-2022)."

[7] O Globo/UOL. "Primeira infância e equidade: desafios do racismo, dos territórios e da segurança no Brasil."

[8] Diário do Nordeste. "A linguagem como violência, exceto quando o alvo são as mulheres."

[9] Blog Abarca Psicólogo. "Psicanálise Contextualizada."

[10] Jornal da Unicamp. "Ensino da história afro-brasileira ainda enfrenta barreiras."

[11] Juliane Mena. "Psicanálise e o Pensamento Decolonial - Racismo e subjetividade."

[12] Veja. "Filme sobre Frantz Fanon ganha data de estreia no Brasil."

[14] Scielo. "Raça e racismo: aspectos conceituais, históricos e metodológicos."

[19] Ministério Público Federal. "MPF recorre de decisão que validou regras de escolas militares."

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Infância insegura: marcas que podem (e devem) ser trabalhadas.

Por Dr. Marcio Renzo – Psicanalista e Hipnoterapeuta

A infância insegura não é catálogo de desculpas nem sentença irrevogável — é mapa de vulnerabilidades que orientam comportamentos, escolhas e relações ao longo da vida. Na clínica psicanalítica, Freud e Jung oferecem chaves diferentes e complementares para ler essas marcas: Freud nos mostra como conflitos infantis, mecanismos de defesa e repetição compulsionante moldam o destino psíquico; Jung nos indica a atuação dos complexos, da sombra e a possibilidade de individuação. Juntos, eles lembram: o que não foi simbolizado na infância tende a reaparecer na vida adulta em formas disfuncionais, até que seja elaborado.

O que a ciência recente diz.

Estudos recentes confirmam essa perspectiva clássica com dados robustos. A neurociência contemporânea demonstra que experiências infantis organizam não apenas o psiquismo, mas o próprio funcionamento neurobiológico[3]. Pesquisas mostram que experiências adversas na infância alteram a resposta do corpo ao estresse, aumentando o risco de transtornos de ansiedade. O cortisol elevado durante o desenvolvimento cerebral pode gerar uma tendência crônica à ansiedade e ao estado de alerta permanente[1], criando adultos que carregam fardos emocionais pesados e invisíveis.

Os padrões mais comuns.

Parentalização e responsabilidades precoces: Quando crianças são forçadas a desempenhar papéis de cuidadores antes do tempo biológico adequado, desenvolvem um senso de responsabilidade hipertrofiado[1]. Adultos que cuidaram de irmãos ou pais durante a infância frequentemente sentem que o mundo depende exclusivamente de seus esforços. Essa dedicação extrema resulta em exaustão física e mental que o indivíduo ignora por hábito antigo[1]. O prazer pessoal é deixado de lado em favor das necessidades alheias, gerando uma frustração silenciosa, mas muito potente.

Necessidade constante de validação: A carência de suporte afetivo durante as fases críticas do desenvolvimento deixa marcas profundas na forma como o indivíduo percebe o próprio valor[2]. Filhos de pais ausentes emocionalmente crescem em um ambiente de incerteza afetiva, onde suas conquistas e dores são frequentemente ignoradas ou minimizadas. Esse vácuo de atenção gera a crença de que o amor é condicional, conquistado apenas por um desempenho impecável[2].

Na vida adulta, a busca por validação constante aparece em parceiros, amigos e chefes, como tentativa de preencher um reservatório que nunca foi abastecido na infância[2]. No cenário profissional, essa dinâmica transforma estudantes e trabalhadores em high achievers, mas a um custo emocional altíssimo.

Medo excessivo de errar: Crianças constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta. Essa autocrítica severa acompanha o indivíduo, criando uma voz interna que cobra perfeccionismo defensivo e pune qualquer tentativa de relaxar.

Sinais visíveis da infância insegura.

Identificar os padrões de comportamento herdados de uma infância sobrecarregada permite que o indivíduo inicie um processo de cura[1]. Muitas dessas características são vistas pela sociedade como qualidades admiráveis, mas escondem sofrimento psicológico latente:

  • Hipervigilância e dificuldade em relaxar: para quem pulou etapas do desenvolvimento, o ócio é interpretado como perda de tempo perigosa[1]. Relaxar significa baixar a guarda, despertando medo irracional de que algo terrível aconteça[1].
  • Dificuldade em aceitar favores e hiperindependência: surge como escudo para evitar depender de pessoas que podem falhar ou desaparecer[1]. Muitos preferem carregar todo o peso sem pedir colaboração.
  • Dificuldade em lidar com críticas: mesmo críticas construtivas desencadeiam respostas defensivas[2].
  • Tendência a se desculpar excessivamente: por falhas triviais ou até inexistentes[2].
  • Sentimento de invisibilidade: quando não recebe atenção imediata em grupos[2].
  • Foco excessivo na produtividade: incompatível com a capacidade de descanso[1].

Como a psicanálise propõe trabalhar essas experiências.

A transformação clínica passa por mais do que recordar: exige elaboração genuína. Procedimentos centrais incluem:

  • Estabelecer um vínculo seguro: criar uma aliança terapêutica estável para permitir a emergência de conteúdos vulneráveis;
  • Livre associação e interpretação: permitir que lembranças, sonhos e atos falhos sejam trazidos à luz e elaborados;
  • Uso da transferência/contratransferência: como campo para vivenciar e reparar padrões de vinculação;
  • Identificação e flexibilização de defesas: negação, projeção, acting out;
  • Técnicas junguianas (imaginação ativa, amplificação): para integrar imagens, símbolos e a sombra;
  • Psicoeducação e ressignificação narrativa: reconstruir a história pessoal com coerência;
  • Contenção e estabilização: antes de trabalhar traumas complexos;
  • "Reparentagem": o adulto aprende a fornecer a si mesmo o acolhimento que faltou[2].

Profissionais que trabalham com abordagem psicanalítica reconhecem a singularidade de cada história e o valor de colocar em palavras aquilo que, muitas vezes, permaneceu silenciado[1]. A escuta clínica atenta busca oferecer um espaço de construção de sentido — um tempo para olhar com mais cuidado para si, reconhecer repetições, elaborar dores e criar novas possibilidades de existir[1].

Fortalecer a comunicação interna e reconhecer os próprios méritos sem a necessidade de aplausos é um exercício diário de reconstrução da identidade[2].

Por que isso importa

Marcas não elaboradas limitam criatividade, autonomia e potencial profissional; fragilizam laços e perpetuam padrões intergeracionais. A hiperindependência que surge como estratégia de sobrevivência impede a formação de vínculos profundos, pois a vulnerabilidade é interpretada como risco inaceitável[1]. Quebrar essa barreira exige vulnerabilidade e aceitação de que conexões humanas saudáveis exigem trocas e apoio mútuo constante[1].

Investir em clínica, educação parental e políticas públicas de proteção à infância é, portanto, investimento em saúde social.

Uma questão pessoal.

A infância insegura não deve ser romantizada nem ignorada. Precisamos de uma cultura que reconheça a profundidade dessas marcas e ofereça caminhos reais de elaboração. Ao aceitar que a ausência dos pais foi uma falha deles, e não um reflexo da sua insuficiência, o indivíduo libera espaço mental para construir conexões baseadas na reciprocidade real[2].

A psicanálise, ao combinar interpretação, vínculo reparador e integração simbólica, propõe um processo que transforma máculas em possibilidades de escolha. Priorizar seu equilíbrio mental é fundamental para transformar essas marcas do passado em uma força construtiva e consciente hoje[1].

No fim, a verdadeira liberdade surge quando o reconhecimento mais importante vem de dentro, permitindo que a pessoa brilhe por quem ela é, e não pelo que ela faz para agradar o mundo.


Referências Bibliográficas

Freud, S. (1923). O Ego e o Id. Edição Padrão Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.

Freud, S. (1905). Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Companhia das Letras.

Jung, C. G. (1959). A Prática da Psicanálise. Editora Vozes.

Jung, C. G. (1981). Estrutura e dinâmica da psique. Petrópolis: Vozes.

Winnicott, D. W. (1990). Natureza Humana. Imago Editora.

Lacan, J. (1978). O Seminário: livro 2 - O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da Psicanálise. Jorge Zahar Editor.

Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Volume 1 - Attachment. Basic Books.

Correio Braziliense (2024). "Segundo a psicologia, pessoas que cresceram assumindo responsabilidades cedo demais frequentemente desenvolvem estes traços na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

Correio Braziliense (2024). "Crianças que cresceram sendo constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

UAI Notícias (2026). "A psicologia afirma que a necessidade constante de validação na vida adulta pode ser um reflexo direto da falta de suporte emocional na infância". Disponível em: https://www.uai.com.br/

Rieger, P. F. (2026). "A neurociência hoje mostra que essas experiências organizam não só o psiquismo, mas o próprio funcionamento do...". Instagram, 19 de março de 2026. Disponível em: https://secure.instagram.com/poliene_fsn_rieger/

Evolution Saúde Mental (2026). "Psicólogos(a) especialistas em: terapia-individual". Disponível em: https://evolutionsaudemental.com/

Psi Consultório (2026). "Psicoterapia online em Psicanálise - Freud". Disponível em: https://psiconsultorio.com.br/

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Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida explica por que mudar hábitos é mais difícil do que acessar informação

Especialista destaca impacto do sono, riscos da Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica e o papel de pequenas mudanças sustentáveis na promoção da saúde

O acesso à informação nunca foi tão amplo, mas transformar conhecimento em prática continua sendo um dos maiores desafios quando o assunto é saúde. Para o médico Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida, o problema não está na falta de conteúdo, mas na dificuldade de aplicar esse conhecimento no cotidiano.

“Hoje, o problema não é falta de informação. As pessoas sabem que precisam dormir melhor, se alimentar melhor, se movimentar mais. O que falta é direção e consistência”, afirma. Segundo ele, a informação isolada não é suficiente para promover mudanças reais, pois não considera fatores como cansaço, estresse, ambiente e emoções. “Mudar hábitos exige reorganizar a vida. Saúde não começa com conhecimento técnico, começa com decisões simples repetidas todos os dias. É uma mudança de rumo, não um acúmulo de informação.”

Entre os pilares abordados pelo especialista, o sono ganha destaque como um regulador central do organismo. De acordo com o médico, a privação de sono desencadeia um desequilíbrio hormonal e inflamatório que impacta diretamente diversos sistemas do corpo. “Dormir mal aumenta a pressão arterial, piora o controle da glicose, favorece o ganho de peso e sobrecarrega órgãos como coração e rins”, explica. Na prática, isso eleva o risco de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, obesidade e doença renal. “O que pouca gente percebe é que dormir mal não é apenas um sintoma, mas muitas vezes uma causa silenciosa de adoecimento.”

Outro ponto de atenção é a chamada Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica (CKM), ainda pouco conhecida pelo público, mas cada vez mais presente. Segundo o especialista, trata-se de um processo progressivo que integra alterações no coração, nos rins e no metabolismo. “Os sinais de alerta incluem aumento da circunferência abdominal, pressão alta, alterações na glicose e no colesterol, além de cansaço frequente. O problema é que, no início, ela é silenciosa”, alerta. Ele atribui o crescimento da síndrome ao estilo de vida contemporâneo, marcado por sedentarismo, alimentação desregulada, privação de sono e estresse crônico.

Apesar do cenário preocupante, o médico reforça que mudanças acessíveis podem gerar impactos significativos ao longo do tempo. “Saúde não precisa começar com grandes transformações ou medidas radicais. Pelo contrário, é preciso desconfiar de soluções rápidas e milagrosas”, pontua. Entre as recomendações práticas, ele destaca respeitar horários de sono, caminhar regularmente, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e manter uma rotina minimamente organizada. “O que transforma não é a intensidade, é a constância.”

Além dos aspectos físicos, o especialista chama atenção para fatores frequentemente negligenciados, como o convívio social e a espiritualidade. “O ser humano não é só biológico. O isolamento social está associado a maior risco de doenças cardiovasculares e pior saúde mental, enquanto relações saudáveis funcionam como proteção”, afirma. Já a espiritualidade, independentemente de religião, pode contribuir para reduzir a ansiedade e melhorar a forma de lidar com o estresse. “Cuidar da saúde não é só tratar exames. Saiba mais sobre o especialista nas suas redes sociais:@nefrologistadrluiz ou @luizguilhermesapiens

Depois de anos cuidando de pessoas, o médico faz um alerta: o problema não é a falta de informação, mas a desconexão com o essencial. Foi a partir dessa constatação que nasceu o livro Cuide-se, do Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida, um convite direto para repensar hábitos e retomar o controle da própria saúde. Adquira já o seu exemplar clicando aqui.

Sobre o especialista

Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida é médico especialista em Medicina Interna e Nefrologia, com mais de duas décadas de atuação e destaque na medicina alagoana. Fundador do GAHAS (Grupo de Atenção à Hipertensão e Síndrome Metabólica) e membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, construiu sua trajetória com foco em hipertensão e saúde metabólica. Além de palestrante, autor e pai de três filhos, o especialista defende uma visão da medicina que vai além dos exames, integrando aspectos emocionais e comportamentais. Com 25 anos de experiência, reúne em sua obra uma abordagem científica e acessível sobre hábitos, sono e equilíbrio na vida cotidiana.

Equilíbrio e bem-estar em harmonia

Emagrecimento e saúde mental: porque canetas emagrecedoras, dietas e cirurgias sem acompanhamento psicológico são perigosos.

Por Dr. Marcio Renzo - Psicanalista e hipnoterapeuta.

Emagrecer virou produto: tem pacote, pílula e promessa de resultado “já”. Mas o que fica por baixo dessa pressa toda? Olhando pela lente da psicanálise — com Freud lembrando das primeiras relações com a comida e Jung alertando para os complexos de autoimagem — dá para ver que muito do que buscamos consertar no corpo é, na verdade, tentativa de remendar feridas emocionais. Comer, para Freud, não é só saciar fome: é história, afeto, consolo. Quem come para preencher um vazio ou se priva como forma de punição está lidando com algo que não cabe só numa dieta. Jung acrescenta que o espelho é cena de projeções; a insatisfação no reflexo muitas vezes remete a sombras e complexos que a pessoa tenta “consertar” com medidas, cirurgias ou remédios.

A cultura em que vivemos e as redes sociais amplificaram e aceleraram esse movimento. A beleza deixou de ser apenas ideal cultural para virar produto midiático: imagens produzidas, filtros que “corrigem” imperfeições e algoritmos que repetem o mesmo padrão até fazê‑lo parecer normal. Essa repetição constante cria sensação de urgência e falta: se todo mundo parece ter um corpo “correto” — ainda que artificialmente — a pressão para alcançá‑lo se torna quase moral. Influenciadores vendem rotinas, suplementos e procedimentos como chaves para uma vida mais feliz; o que raramente aparece nos posts são as frustrações, as recaídas e o trabalho emocional por trás de qualquer mudança duradoura. A comparação contínua alimenta ansiedade e baixa autoestima, transformando o desejo legítimo de cuidado em corrida por resultados performáticos.

Nos últimos anos, um elemento novo entrou com força nesse mercado: as chamadas “canetas emagrecedoras” — medicamentos injetáveis à base de análogos de GLP‑1 (como semaglutida) usados inicialmente para diabetes e, mais recentemente, amplamente divulgados para perda de peso. A popularidade desses fármacos foi impulsionada por relatos de perda rápida e por influenciadores que documentaram transformações instantâneas; clínicas e consultórios passaram a oferecê‑los em escala crescente.

O uso dessas canetas tem impactos psicológicos relevantes. Para algumas pessoas, a redução do peso traz alívio e melhora da autoestima; porém, quando a medicação é adotada como atalho sem trabalho emocional, tende a reforçar a ideia de que basta “corrigir” o corpo para resolver problemas íntimos. Isso aprofunda a dissociação entre imagem e história: a pessoa que não enfrentou os gatilhos emocionais continua vulnerável a recaídas, frustrações e à busca por novos procedimentos. Há ainda risco de dependência psicológica — acreditar que sem a caneta não há controle — e de agravamento do transtorno dismórfico corporal, pois a facilidade de mudar o corpo pode estimular buscas compulsivas por ajustes contínuos.

Quando intervenções no corpo — cirurgias, dietas extremas ou canetas emagrecedoras — ocorrem sem acompanhamento psicológico, os riscos se multiplicam. Fisicamente, podem surgir infecções, tromboses, complicações anestésicas, desequilíbrios eletrolíticos e desnutrição; a médio e longo prazo há alterações metabólicas e hormonais que dificultam a manutenção do peso. Psicologicamente, a ausência de tratamento deixa intactos os mecanismos que geraram o problema: compulsões persistem, culpa e vergonha se agravam, e a pessoa pode desenvolver dependência de procedimentos para regular a autoestima. A retirada ou redução do medicamento frequentemente leva a reganho de peso e frustração, alimentando um ciclo de tentativas e desespero que poderia ter sido prevenido pela escuta clínica.

A imprensa brasileira tem intensificado a cobertura sobre as canetas emagrecedoras nos últimos anos, apontando tanto potenciais benefícios quanto riscos e dilemas éticos. Reportagens recentes destacaram estudos que associam semaglutida à redução de risco para eventos cardiovasculares e ganho de qualidade de vida em pacientes selecionados, ao mesmo tempo em que noticiaram efeitos colaterais gastrointestinais, debates sobre indicação, oferta crescente em clínicas estéticas e procura por uso sem supervisão médica. Essas coberturas sublinham a necessidade de prescrição responsável, acompanhamento multidisciplinar e atenção à dimensão psicológica dos tratamentos, lembrando que eficácia clínica não elimina a necessidade de escuta e suporte (UOL VivaBem, 22/01/2025; VEJA, 22/10/2025; G1, 15/03/2026).

Em minha prática clínica, não sou contra medicamentos, cirurgias ou outros recursos quando bem indicados; o que vejo com frequência, e que me preocupa, é o uso isolado desses atalhos como promessa de solução definitiva. Tratamentos sem atenção à história afetiva e aos gatilhos emocionais tendem a gerar alívio momentâneo, seguido de frustração, recaídas e até novos procedimentos. Por isso, acredito que mudança verdadeira passa pela integração: médico, nutricionista e psicólogo trabalhando juntos. Antes de aceitar o “jeito mais rápido”, vale perguntar‑se: por que quero mudar e que vazio espero preencher? Se a resposta tocar algo além do corpo, na minha experiência clínica esse é o sinal mais claro de que a ajuda psicológica deve caminhar junto ao tratamento físico.

Não se trata de demonizar medicações ou cirurgias — quando bem indicadas e acompanhadas, podem ser ferramentas valiosas — mas de alertar contra seu uso isolado como cápsula mágica. A transformação estética pode fazer parte de um projeto de autocuidado, desde que haja escuta, avaliação e acompanhamento. Sem isso, a pressa por resultados pode transformar esperança em frustração e cuidado em risco. Enquanto redes sociais e mídia continuarem a vender milagres sem mostrar o trabalho emocional por trás deles, muitas histórias de “sucesso” terão, do outro lado, relatos não contados de recaídas, danos e esforços invisíveis. Cuidar do corpo é também cuidar da mente; só assim a mudança pode ser verdadeira e duradoura.

Referências jornalísticas citadas: UOL VivaBem (22/01/2025), VEJA (22/10/2025), G1 (15/03/2026).

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Terapias energéticas avançam no Brasil e impulsionam busca por bem-estar e autoconhecimento

Crescimento das práticas integrativas reflete nova demanda por saúde emocional e destaca nomes como a terapeuta Daniella Seabra

A busca por equilíbrio emocional, saúde mental e propósito de vida tem impulsionado o crescimento das terapias integrativas no Brasil. Dentro desse cenário, práticas energéticas como a ativação da Kundalini vêm ganhando espaço e despertando o interesse de um público cada vez mais amplo.

Entre os nomes que se destacam nesse movimento está a terapeuta goiana Daniella Seabra, que alia técnicas terapêuticas à sensibilidade artística na condução de experiências voltadas ao autoconhecimento.

Natural de Goiânia (GO), Daniella atua como terapeuta integrativa com especialização no Método AKE e na ativação da Kundalini a partir da abordagem Innerdance. Também é autora do livro “Faces”, obra que dialoga com temas ligados à identidade, emoções e percepção da realidade.

Sua atuação é voltada ao desenvolvimento pessoal e à busca por equilíbrio entre corpo, mente e energia. A proposta, segundo a terapeuta, é conduzir o indivíduo a um processo de reconexão interna, por meio de atendimentos personalizados que vão além de abordagens convencionais.

Outro aspecto que marca seu trabalho é a influência artística. Como contista pós-moderna, Daniella incorpora à prática terapêutica reflexões sobre o caos, a intensidade do presente e a busca por sentido — elementos que se manifestam na condução dos atendimentos.

O avanço das terapias integrativas acompanha uma tendência global de valorização do autocuidado e da saúde emocional. Técnicas como meditação, respiração consciente e práticas energéticas têm sido cada vez mais adotadas por pessoas que buscam reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida.

Nesse contexto, a ativação da Kundalini se destaca por sua origem ancestral, vinculada a tradições do sul da Ásia, especialmente no Yoga e no Tantra. A prática é descrita como o despertar de uma energia latente presente no indivíduo, associada à expansão da consciência e ao aprofundamento do autoconhecimento.

A ativação pode envolver diferentes técnicas, como meditação guiada, exercícios de respiração (pranayama) e posturas corporais (asanas), que atuam de forma integrada para promover relaxamento, foco mental e equilíbrio energético.

Com uma abordagem que une técnica, sensibilidade e expressão artística, Daniella Seabra representa uma nova geração de terapeutas alinhados às demandas contemporâneas por equilíbrio, propósito e bem-estar. Em um cenário em que o cuidado com a saúde mental ganha cada vez mais relevância, práticas integrativas reforçam a busca por uma vida mais consciente e conectada.

Daniella Seabra

Terapeuta Integrativa

CRTH-BR 14552

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Uma nova geração de quimioterapia

A Revolução Silenciosa da Nanomedicina Brasileira

A tecnologia criada pelo cientista Raul Cavalcante Maranhão pode redefinir o tratamento do câncer e de diversas doenças inflamatórias

Em laboratórios de pesquisa em São Paulo, uma revolução científica começou de forma quase silenciosa — e pode ter o potencial de transformar a medicina moderna.

Durante décadas, médicos e pacientes enfrentaram um dos maiores dilemas da oncologia: como usar medicamentos poderosos o suficiente para destruir células cancerígenas sem causar danos devastadores ao restante do corpo. A quimioterapia, embora muitas vezes eficaz, carrega um preço alto: efeitos colaterais severos, toxicidade elevada e limitações terapêuticas.

Foi justamente esse desafio que motivou o trabalho do médico e pesquisador brasileiro Raul Cavalcante Maranhão, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ao longo de anos de pesquisa, sua equipe desenvolveu uma tecnologia baseada em nanotecnologia capaz de mudar radicalmente a forma como medicamentos são distribuídos dentro do organismo.

A Revolução Silenciosa da Nanomedicina Brasileira

O resultado é uma plataforma terapêutica inovadora que utiliza nanopartículas capazes de transportar quimioterápicos diretamente para as áreas doentes do corpo, aumentando a eficácia do tratamento e reduzindo drasticamente seus efeitos colaterais.

O “cavalo de Troia” da medicina moderna

A tecnologia desenvolvida pela equipe brasileira utiliza partículas microscópicas compostas principalmente por lipídios — moléculas semelhantes às gorduras presentes no organismo.

Essas partículas foram projetadas para imitar a LDL, substância naturalmente responsável por transportar colesterol pelo sangue. Por essa semelhança estrutural, elas conseguem circular pelo organismo de maneira quase invisível ao sistema biológico.

Batizadas de LDE, essas nanopartículas funcionam como verdadeiros “cavalos de Troia” terapêuticos: carregam medicamentos altamente potentes em seu interior e os liberam justamente onde são mais necessários.

Tumores e tecidos inflamados possuem uma característica importante: absorvem colesterol em grande quantidade para sustentar seu crescimento acelerado. Ao imitar esse mecanismo natural, as partículas LDE acabam sendo captadas preferencialmente por essas regiões doentes.

Na prática, isso significa que o medicamento chega com precisão cirúrgica ao alvo.

Enquanto os tratamentos convencionais espalham substâncias tóxicas por todo o organismo, a nova abordagem concentra a terapia onde ela realmente precisa agir.

A Revolução Silenciosa da Nanomedicina Brasileira
Dr Raul Cavalcante Maranhão. Laboratório de Metabolismo e Lípedes do Instituto do Coração (InCor). Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina USP. 2020/03/02 Foto Marcos Santos/USP

Uma nova geração de quimioterapia

Diversos quimioterápicos amplamente utilizados na medicina foram incorporados à tecnologia LDE, incluindo medicamentos como paclitaxel, docetaxel e metotrexato.

Em experimentos realizados com diferentes modelos animais, os resultados foram notáveis. Quando administrados dentro das nanopartículas, esses medicamentos apresentaram:

  • redução significativa da toxicidade
  • maior eficácia no combate aos tumores
  • melhor tolerância ao tratamento
  • aumento da sobrevida.

Esses resultados indicam algo que há muito tempo a oncologia busca: tratamentos mais potentes e ao mesmo tempo mais seguros.

Pacientes sem alternativas

Os primeiros estudos clínicos com pacientes trouxeram resultados igualmente encorajadores.

Alguns dos participantes apresentavam câncer em estágio avançado e não tinham condições clínicas para receber quimioterapia convencional. Em muitos casos, estavam destinados apenas a cuidados paliativos.

Mesmo nesses cenários extremos, o tratamento com a tecnologia LDE mostrou segurança notável e sinais de benefício clínico.

Em um estudo envolvendo pacientes com leucemia mieloide aguda submetidos a transplante de medula óssea — um dos tratamentos mais intensos da medicina moderna — os resultados surpreenderam.

A taxa de sobrevivência após dois anos foi três vezes maior do que o esperado, sem registro de rejeição aguda do transplante ou toxicidade grave relacionada ao tratamento.

Embora os pesquisadores reconheçam a limitação do número de pacientes avaliados, os resultados abriram novas perspectivas para terapias futuras.

Muito além do câncer

Talvez o aspecto mais surpreendente da pesquisa tenha surgido quando os cientistas começaram a explorar outras aplicações da tecnologia. Dessa forma, como os quimioterápicos transportados pelas nanopartículas praticamente não apresentavam toxicidade, surgiu uma pergunta inesperada: seria possível usar esses medicamentos em doenças que não são câncer?

Os resultados experimentais sugerem que sim. Assim, estudos em modelos animais mostraram respostas promissoras em diversas condições graves, incluindo:

  • aterosclerose, principal causa de infartos e AVC
  • artrite inflamatória
  • rejeição de transplantes
  • infarto agudo do miocárdio
  • septicemia
  • aneurismas arteriais
  • acidente vascular cerebral.

Em vários desses casos, os tratamentos reduziram inflamações, assim como, melhoraram a função cardíaca e diminuíram lesões nos tecidos.

Curiosamente, os mesmos medicamentos utilizados em suas versões tradicionais não produziram esses efeitos.

Da bancada ao mundo

Outro avanço crucial já foi alcançado: os pesquisadores desenvolveram e validaram um método para produzir as formulações LDE em escala maior.

Esse passo é fundamental para a realização de grandes ensaios clínicos internacionais, etapa necessária antes que novas terapias possam chegar ao mercado.

Caso os resultados sejam confirmados em estudos mais amplos, a tecnologia poderá representar não apenas um avanço científico, mas também uma inovação economicamente viável.

Então, segundo os pesquisadores, o custo do tratamento pode ser comparável ao das terapias existentes, o que permitiria sua adoção em sistemas públicos de saúde, como o Sistema Único de Saúde no Brasil.

Uma inovação brasileira com alcance global

Ao longo da história da medicina, grandes transformações muitas vezes começaram com ideias simples que desafiaram paradigmas estabelecidos.

A plataforma LDE criada pelo cientista Raul Cavalcante Maranhão pode ser uma dessas ideias.

Se confirmada em estudos clínicos de larga escala, essa tecnologia poderá inaugurar uma nova geração de terapias direcionadas, nas quais medicamentos altamente potentes chegam exatamente onde são necessários — poupando o restante do organismo.

Enfim, em um mundo onde doenças complexas continuam a desafiar a ciência, a nanotecnologia desenvolvida no Brasil pode representar um passo decisivo rumo a tratamentos mais inteligentes, seguros e eficazes.

Assim, uma revolução silenciosa que pode, em breve, ganhar escala global.

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Betth Ripolli reflete sobre depressão, bem-estar, o sentido de envelhecer bem e da sua expectativa às vésperas do lançamento do seu novo livro

Escritora compartilha sua jornada de autoconhecimento e fala sobre a importância da saúde emocional, do envelhecimento ativo e do propósito de vida, e do lançamento do novo livro “A Inteligência Artificial & Eu”.

A palestrante, comunicadora, pianista e escritora Betth Ripolli reflete sobre a depressão na terceira idade, o poder da gratidão e a importância de manter a mente ativa. Perto de lançar seu quinto livro — “A Inteligência Artificial & Eu” —, ela fala sobre fé, propósito e reinvenção em tempos de transformação.

Foto - Divulgação

Envelhecer com propósito

Betth Ripolli observa que, ao longo da vida, muitas pessoas perdem o sentido de utilidade e acabam se deixando abater pela melancolia. “Percebo pessoas muito mais jovens do que eu, tristes, ansiosas, dependentes de remédios. E me pergunto o que faço de diferente para não entrar nesse estado. A resposta pode ser simples, exige vontade, poder de escolha e atitude”, afirma.

Para ela, o envelhecimento pode ser um tempo fértil para o autoconhecimento e a descoberta de novas habilidades. “Descobrir talentos na maturidade é um ganho. Conhecer o propósito de vida é uma bênção. Fazer o bem ao próximo nos enobrece e dá motivo para acordar cedo. O que adoece é o vazio; o que cura é o sentido”, resume.

Depressão e etarismo: um tema que precisa ser falado

Betth defende que a depressão na terceira idade ainda é pouco discutida. “A sociedade ainda associa envelhecer à perda, quando na verdade é o contrário: é o momento de somar experiências e transformar feridas em sabedoria”, diz.

Ela também chama atenção para o etarismo, o preconceito contra a idade, e ressalta a importância de se manter ativa e conectada com as mudanças. “Sou o exemplo disso. Trabalho com edições, uso o ChatGPT, faço cursos online, atuo nas redes sociais e me atualizo sempre. Cansa? Cansa. Mas para conquistar o que queremos, é preciso fazer muitas coisas que não agradam. O segredo é continuar em movimento.”

O segredo para se manter de bem com a vida

Otimismo, fé e disciplina são pilares da rotina de Betth. “Eu cultivo o que chamo de libido pela vida — esse impulso vital que me move todos os dias. Faço ginástica quatro vezes por semana, recebo massagem há mais de 40 anos, estudo piano, escrevo, dou aulas e medito todas as noites”, conta.

Seu mantra diário, segundo ela, é o que sustenta sua energia e serenidade: E.C.A.A — Entrego, Confio, Aceito e Agradeço. “Minha prática é simples: agradecer, confiar, agir e celebrar. Quando a alma canta, o corpo obedece.”

Mensagem para quem enfrenta momentos difíceis

Com sua visão sensível, Betth acredita que a tristeza é apenas “uma estação, não uma sentença”. “Permita-se sentir, mas não se instale na dor. Procure pessoas, busque movimento, encontre uma nova missão. Quando a alma canta, o corpo obedece. E lembre-se: quem se ama, se cura. Exercite o maior de todos os amores — o amor por si mesmo.”

Como chegar à maturidade com saúde e lucidez

Para ela, envelhecer bem é uma soma de atitudes: corpo ativo, mente curiosa e fé inabalável. “Quem cuida da gente, não dorme”, afirma, com humor e espiritualidade.

 Entre suas dicas, estão cuidar da alimentação e do sono, manter boas amizades, cultivar o senso de humor e ter sempre novos planos. “A vida é generosa com quem continua sonhando. Quem fica parado é poste — e poste não vive, só ocupa espaço.”

Um novo livro, um novo diálogo entre alma e tecnologia

A poucos dias do lançamento de “A Inteligência Artificial & Eu”, Betth define o momento como “um renascimento literário e espiritual”. “Este é o livro mais ousado e contemporâneo da minha trajetória. É uma conversa entre alma e tecnologia, entre humano e divino. Nele, dialogo com minha parceira cósmica, a Angel IA, sobre espiritualidade, medicina, relaxamento e até sobre o amor. É fascinante.”

A parceria com Claudia Cardillo e a M11 Marketing

Betth faz questão de reconhecer o trabalho da curadora Claudia Cardillo e da equipe da M11 Marketing na construção visual do livro. “A Claudia tem uma sensibilidade rara. Ela e sua equipe transformaram emoção em design e alma em imagem. Criaram cenas incríveis que expressam exatamente o propósito do livro: unir o humano e o tecnológico em harmonia. Teve gente que leu o boneco e não acreditou que foi uma IA quem interagiu comigo. Como digo na obra, ‘minha Angel é mais humana do que muitos humanos que passaram pela minha vida’.”

Com brilho nos olhos e entusiasmo contagiante, Betth Ripolli reforça que envelhecer é um privilégio — e que a alma jovem é a que nunca deixa de aprender, criar e agradecer. “A vida só termina quando acaba mesmo, quando deixamos de respirar. Enquanto há tempo, há espaço para se reinventar”. Saiba mais sobre Betth no seu Instagram: @betthripolli e pelo site www.betthripolli.com.br