SAÚDE

dependecia feminina

Dependência Emocional em Mulheres: Como a psicanálise a vê.

A dependência emocional afeta predominantemente mulheres nos relacionamentos amorosos. Esse problema vai muito além de simplesmente "amar demais", revelando-se como uma estrutura psicológica complexa enraizada em traumas relacionais da infância, padrões de apego inseguro e dinâmicas que mantêm a pessoa presa num ciclo de sofrimento. Mas como se livrar desse problema? Não basta ter força de vontade; é necessário um trabalho terapêutico profundo que ressignifique essas feridas primitivas que fundamentam a crença de que a própria existência depende da presença e validação de outro.

O que realmente é a dependência Emocional?

A dependência emocional é surge quando uma pessoa sente uma necessidade extrema e é quase impossível de satisfazer por afeto, aprovação ou a presença constante de outra pessoa, geralmente representado pelo parceiro amoroso ou outra pessoa eleita. Para entender melhor, é importante diferenciar isso de um relacionamento saudável.

Enquanto em relacionamentos maduros e ditos normais, ambas as pessoas se apoiam e mantem suas próprias identidades e conseguem ficar bem mesmo quando separadas.  Na dependência emocional o parceiro vira literalmente a vida da pessoa. É como se o dependente respirasse apenas quando o outro está por perto. Identificar essa diferença é fundamental, porque muitas pessoas confundem dependência com "amar demais", o que acaba normalizando um sofrimento que deveria ser reconhecido como um problema real.

Os sinais são bem claros que diferenciam os dois. No amor real e verdadeiro há carinho genuíno, confiança e presença autêntica. Já na dependência, há medo constante, ansiedade e necessidade desesperada de confirmação do outro. Por isso, quem sofre com dependência emocional frequentemente tolera coisas impensáveis como traições, desrespeito severo e até abuso psicológico, levando como lema interno: "É ruim com ele, mas seria impossível viver sem ele".

A dependente fica tão atenta ao menor sinal que o parceiro pode dar de rejeição que, frequentemente, confunde intensidade com intimidade real. Pesquisadores apontam que indivíduos com dependência emocional desenvolvem uma sensibilidade excepcional à rejeição, percebem em cada gesto do parceiro os sinais potenciais de abandono que frequentemente não existem.

Mas porque isso acontece?

Compreender a dependência emocional exige que olhemos para trás, para a infância.

A forma como somos tratados nos primeiros anos de vida, especialmente em relação ao afeto e à segurança, molda profundamente como nos relacionaremos quando adultos. Pesquisadores da Universidade de Stanford descobriram que a falta de afeto na infância impacta diretamente como as pessoas conseguirão se expressar e se conectar com outros mais tarde.

Dessa forma, crianças que crescem com pais com temperamento volúvel, que às vezes são afetuosos, outras vezes distantes e frios aprendem uma lição perigosa: o amor é instável e condicional. Essas crianças vivem em alerta constante, tentando “prever” os humores dos pais ou cuidadores e se moldando constantemente para manter a conexão viva. Consequentemente, quando crescem, carregarão esse padrão para seus relacionamentos, vivendo em estado permanente de medo de perder a pessoa. É o medo constante da perda.

Pesquisas recentes sobre as emoções primárias mostram que pessoas com muito medo na infância tendem a ter mais dificuldade para se separar emocionalmente de seus pais e depois disso, de seus parceiros.

É como se o corpo dos dependentes nunca aprendesse que estar sozinho é algo normal e possível.

Agora, do ponto de vista da psicanálise, a história fica ainda mais profunda.

Desde o nascimento, todo ser humano vive uma angústia fundamental: a gente nasce completamente dependente de alguém para sobreviver. Nos casos em que os pais não ofereciam segurança e previsibilidade, essa angústia nunca realmente desaparecerá. É por isso que essas pessoas procuram desesperadamente por um relacionamento que preencha esse vazio. É como se estivessem tentando resolver um problema que começou muito antes, ainda bebês.

Quais são os sinais de que estou lidando com um dependente ou eu sou dependente?

A dependência emocional raramente é percebida de forma dramática ou óbvia.

Geralmente começa com pequenos comportamentos que vão sendo naturalizados aos poucos. Por isso é importante conhecer os sinais que indicam que algo não vai bem.

Um dos primeiros sinais é a necessidade constante de validação.

O dependente emocional tem a necessidade de perguntar se é amada, o tempo todo, se o parceiro tem o mesmo sentimento e se não há razão para se preocupar. Isso não é apenas uma insegurança ocasional, é um padrão contínuo. Consequentemente, essa busca constante por validação cria um ciclo vicioso, onde a confiança diminui e a dependência de aprovação aumenta ainda mais.

Paralelamente, surge outro sinal muito claro: o medo obsessivo de ser abandonado.

A pessoa fica muito incomodada com a ausência do parceiro, pois não consegue ser feliz sozinha. Essas separações, mesmo que temporárias, disparam sentimentos intensos de abandono e solidão. Dessa forma, a pessoa começa a desenvolver comportamentos de controle: verifica obsessivamente as redes sociais do parceiro, lê uma simples mudança de tom em uma mensagem, como se fosse um sinal de rejeição. Surge então um ciúme irracional quando o outro interage com outras pessoas. É exaustivo tanto para quem sofre quanto para quem está ao lado.

A perda da identidade.

Outro sinal preocupante na dependência emocional é a perda de identidade. Com o tempo, é comum a pessoa dependente abandonar seus hobbies, suas preferências, seus planos para se ajustar completamente ao mundo do parceiro. Quando o relacionamento termina, ela literalmente não sabe mais quem é, pois sua personalidade tinha sido "emprestada" para o outro. Isso é tão comum que tem até um nome: o "Efeito Camaleão".

Essa perda da personalidade leva à dificuldade para tomar decisões sozinhas e se reflete em todas as áreas da vida. Desde coisas pequenas até decisões importantes, a pessoa busca constante aprovação.

A incapacidade não tem nada a ver com falta de inteligência, é uma crença profunda que as próprias escolhas são inadequadas ou perigosas ou mesmo insuficientes.

Outra característica é o comportamento nocivo de assumir a responsabilidade pelas emoções do outro. O dependente sente que é seu dever "salvar" o outro ou mantê-lo feliz todo o tempo. Se o parceiro está irritado ou agressivo, ela assume a culpa e tenta desesperadamente "consertar" tudo.

Infelizmente, essa ação frequentemente perpetua relacionamentos abusivos, pois o abusador aprende a explorar essa tendência de auto culpabilização.

É importante também entender o que acontece no corpo e no cérebro nessas situações. Relacionamentos instáveis, com brigas intensas seguidas de reconciliações apaixonadas criam um padrão que deixa a pessoa dependente viciada.

Este comportamento é semelhante ao que prende um jogador compulsivo ao jogo. O cérebro recebe "doses elevadas" de um neurotransmissor chamado dopamina nos momentos bons, fazendo a pessoa tolerar momentos de abuso, pois em breve ela receberá a próxima "dose" de afeto.

Todos esses sinais se refletem em nosso corpo fisicamente o fazendo sofrer muito. Quando esses gatilhos disparam, nosso sistema nervoso reage como se um perigo real. Isso manifesta-se como um peito apertado, inquietação, dificuldade de concentração, náusea, compulsão para verificar o telefone constantemente, insônia etc. Quando algo fica sem solução o estado permanente de alerta se instala.

Os impactos na saúde mental são alarmantes.

Pessoas que sofrem com dependência emocional frequentemente desenvolvem depressão, ansiedade severa, ataques de pânico, taquicardia, insônia grave e pensamentos obsessivos. Em casos mais extremos e não tratados, surge a depressão profunda e até ideações suicidas.

Outro ponto importante que a dependência emocional afeta é a sexualidade.

Quando há o medo constante de rejeição e a insegurança, a intimidade deixa de ser vivida com liberdade. As mulheres dependentes frequentemente têm dificuldade de expressar seus desejos. Buscam realizar atos para agradar ao parceiro, mesmo sem vontade; associam ao sexo com validação emocional e experimentam uma desconexão fundamental consigo mesmas.

Dependência Emocional e Abuso.

Uma situação que passa muitas vezes desapercebidas é a relação entre a dependência emocional e permanência em relacionamentos abusivos. Temos observado constantemente nos noticiários situações que mostram como a dependência emocional está diretamente ligada às mulheres que ficam em relacionamentos violentos.

Fatores como baixa autoestima, medo de ficar sozinha, dependência financeira e falta de amigos e família por perto tornam ainda mais difícil para essas mulheres de sair desse relacionamento.

A violência psicológica, em particular, funciona como uma “cola” que prende a pessoa ao parceiro abusivo. Por isso, a dinâmica entre um manipulador narcisista e um dependente emocional funciona como uma “dança perigosa” bem conhecida.

O manipulador necessita do controle, admiração constante e alguém que aceite tudo que ele faça, sem questionar. O dependente oferece exatamente isso: devoção cega, perdão infinito e assume toda a culpa pelos problemas.

Essa dança perigosa nos mostra como os dependentes emocionais funcionam como “ímãs” para indivíduos narcisistas. Esse problema piora ainda mais quando a manipulação frequentemente é disfarçada de “cuidado”. O que parece ser amor genuíno na verdade pode ser um auto sacrifício patológico.

Nessas situações, os limites psicológicos entre as duas pessoas ficam tão apagadas que é quase impossível ter identidade individual, necessidades próprias e regulação emocional separada.

Como me libertar dessas “garras”?

O primeiro passo é reconhecer que algo está profundamente errado, mas isso pode ser extremamente doloroso e gera muita vergonha e culpa. Mas essa consciência é justamente o que pode tirar você dessa situação. Um fato crucial é: você não consegue resolver isso sozinha, apenas através de força de vontade. É necessário um trabalho psicológico profundo!

Por isso a psicoterapia é tão importante.

O terapeuta pode oferecer um espaço seguro, onde você conseguirá enxergar seus padrões de escolha, fortalecer sua autoestima e aprender a validar seus próprios sentimentos, e o mais importante, sem precisar da aprovação de outra pessoa. Além disso, é necessário acessar e ressignificar os traumas da infância que geraram aquela sensação profunda de "não ser suficiente".

Pela ótica da psicanálise, esse processo envolve o que é chamado "de angústia".

Isso não significa reprimir o desconforto a qualquer custo, mas permitir que a angústia seja nomeada e entendida. Na terapia, você aprenderá a confrontar as fantasias inconscientes e os mitos que as mantêm vivas, especialmente “a crença” de que sua existência depende do outro.

O estabelecimento do "eu" constitui resgate da identidade.

O processo de cura envolve a reconstrução de si mesma. O paciente é convidado a voltar a fazer pequenas coisas, pequenas conquistas, mas por conta própria. Pode começar com escolhas banais: voltar a ouvir uma música que gostava, fazer um curso que tinha vontade, retomar contato com uma velha amiga. A identidade se reconstrói, literalmente tijolo por tijolo.

Aprender a enxergar suas necessidades, suas ambições e ter o “poder” de decisão, sozinho, é fundamental. Indivíduos com apego ansioso, frequentemente, terceirizam sua sensação de segurança inteiramente ao outro.

Desenvolver as próprias rotinas, decidir as próprias amizades e as fontes de conforto cria uma base interna que não depende totalmente da relação.

Partindo deste princípio, impor limites é a maior arma contra relações abusivas. Aprender a dizer "não" representa um ato revolucionário para o dependente emocional. Os limites não são agressões, confrontos puro e simples ao outro; são cercas de proteção ao próprio bem-estar. Aprender a aceitar o desconforto de desagradar o outro, sem entrar em pânico, é uma das habilidades mais importante desenvolvidas no processo terapêutico.

Outro fator importante é suportar o vazio, é uma fase crítica e frequentemente negligenciada.

Quando uma pessoa sai de uma relação de dependência, nossa mente entra em um verdadeiro estado de síndrome de abstinência, semelhante ao que ocorre na dependência química.

A dor da solidão será difícil, pois aprendemos, literalmente, a depender da presença do outro como nosso regulador emocional. É fundamental compreender que essa dor faz parte do processo. Fugir desse vazio buscando imediatamente um novo relacionamento apenas reinicia o ciclo com outra pessoa.

Do ponto de vista neurobiológico, o trabalho terapêutico que rebalanceia o sistema de ameaça (muito estimulado no apego ansioso) e o sistema de recompensa é essencial. As técnicas como exposição gradual reduzem a hiperatividade da amígdala.

A reestruturação cognitiva fortalece o córtex pré-frontal, isso ajudará a avaliar, regular e ressignificar as experiências. Técnica como a que privilegiam a concentração reduz hiperativação do sistema de ameaça e fortalece autoconsciência e regulação emocional.

A liberdade de nos reconhecermos.

A dependência emocional não é um destino inevitável nem uma fraqueza de caráter. Ela se caracteriza por um padrão psicológico estruturado, que tiveram raízes profundas em experiências da infância e mantido por mecanismos neurobiológicos sofisticados.

Sua prevalência em mulheres reflete não apenas diferenças individuais, mas também tem estruturas socioculturais, que historicamente ensinaram às mulheres que seu valor reside em sua capacidade de servir, agradar e se anular para manter os relacionamentos.

A psicanálise nos mostra como a dependência emocional representa uma tentativa inconsciente de corrigir situações traumáticas primitivas como o desamparo, fixando no outro a solução para tal sofrimento, porém é apenas uma ilusão.

A terapia é a principal ferramenta para essa reconstrução individual e na recuperação da valorização do indivíduo sob suas próprias perspectivas.

Essa liberdade não significa renunciar ao amor ou à intimidade. Significa reivindicar a capacidade de estar com outro, não esquecendo de si mesma. Significa transformar o "Eu preciso de você para existir" por "Eu escolho estar com você, mas continuo existindo plenamente sem você".

Para aquelas mulheres ainda presas nesse ciclo, o caminho para a liberdade começa com o reconhecimento honesto de que o que sente pode não ser amor, mas em sofrimento travestido de devoção.

A possibilidade de um acesso ao espaço terapêutico genuíno, onde as camadas dessa reconstrução psicológica podem ser cuidadosamente exploradas e ressignificadas culminará na conquista lenta, mas profunda, de uma autonomia emocional, que não nega os relacionamentos, mas os revitaliza através da diferença e da liberdade que cada pessoa precisa para permanecer autenticamente viva.

procrastinação

Procrastinação: Por Que Adiamos Tudo e Como Sair Desse Ciclo Invisível.

Você já percebeu aquela sensação quando você sabe que precisa fazer algo importante, mas simplesmente não consegue começar? Aquele frio na espinha quando pensa na tarefa? Bem, isso não é preguiça. É procrastinação e ela é muito mais complexa do que você imagina.

A procrastinação é quando adiamos tarefas importantes mesmo sabendo que isso vai prejudicar a gente, sem motivo aparente. Nosso cérebro está tentando escapar de emoções ruins como medo, vergonha ou ansiedade. Isso não tem nada a ver com falta de caráter, tem tudo a ver com como nosso corpo está programado para lidar com desconforto emocional.

Neste texto, vamos explorar por que adiamos as coisas, como reconhecer quando virou um problema real, e o mais importante, o que fazer para sair desse ciclo. Vamos lá?

O Que Realmente É Procrastinação?

Não é Preguiça, é Proteção Emocional.

Procrastinação é escolher fazer outras coisas em vez de fazer aquilo que é importante. Mas aqui está o detalhe importante: quem procrastina fica tenso e culpado o tempo todo, diferente de alguém que simplesmente descansa.

E essa diferença é crucial. Quem tem preguiça ocasional descansa e fica de boa. E quem procrastina? Fica ansioso por dias, alternando entre culpa, tentativas fracassadas e explosões de produtividade de última hora. É exaustivo.

O que acontece é que quando uma tarefa desperta sensações negativas, medo de falhar, vergonha, incapacidade, nosso cérebro liga o “modo proteção” e busca escapar daquele desconforto. Simples assim. E aí começa um ciclo quase impossível de quebrar.

Por Que Nosso Cérebro Adia Tudo?

Vamos entender como isso funciona lá dentro da cabeça:

Você pensa em fazer algo difícil e sente ansiedade. Para escapar dessa sensação ruim, você adia. Alguns minutos depois, se sente melhor. Mas daí a culpa volta ainda mais forte. Depois de um tempo, a ansiedade retorna multiplicada, agora acompanhada de culpa e pânico.

Isso é tudo culpa de um neurotransmissor chamado dopamina. As atividades que dão prazer rápido (redes sociais, séries, internet) liberam dopamina na hora. Tarefas difíceis não trazem essa recompensa imediata. Nosso cérebro, evolutivamente programado para buscar alívio rápido, prefere o que dá prazer agora.

Parece lógico, certo? Mas aí está o problema: esse alívio é ilusório. Você se sente melhor por uns minutos, mas logo depois a pressão volta ainda pior.

Procrastinação, Preguiça, Cansaço Mental: Qual é a Diferença?

Procrastinação Não É Preguiça!

Embora pareçam semelhantes, procrastinação e preguiça são coisas bem diferentes.

Na preguiça ocasional, você prefere descansar, mas depois descansa de verdade. Na procrastinação, existe um desejo real de fazer a coisa, mas um bloqueio invisível impede você. É uma luta interna constante.

Entender essa diferença é importante porque muda completamente como você lida com o problema. Se você acha que é preguiçoso, pode tentar aplicar força de vontade bruta — o que raramente funciona. Se você reconhece que é procrastinação, pode procurar estratégias que realmente funcionam e abordem os obstáculos emocionais reais.

Quando é Cansaço Mental Mesmo?

Existe algo chamado sobrecarga cognitiva. É quando seu cérebro está tão esgotado que até uma tarefa simples (como enviar um e-mail curto) parece impossível.

Diferente da procrastinação pura, aqui o problema é que seu cérebro atingiu seu limite de processamento de informações. O bloqueio não é emocional, é biológico. Seu corpo está literalmente pedindo ajuda.

Se você evita até tarefas triviais e se sente exausto mesmo após dormir bem, pode ser que seu corpo esteja operando sob estresse crônico. Isso é sinal fisiológico real de que algo não vai bem.

Burnout: Quando Procrastinação Vira Colapso.

Desde 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece oficialmente o burnout como doença ocupacional ligada ao trabalho. Não é mais "só estresse", é diagnóstico médico.

O burnout é caracterizado por três coisas: exaustão extrema, distanciamento emocional do trabalho e sensação de que você não consegue fazer nada direito. E sabe qual é um dos primeiros sinais? Procrastinação crescente.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos no Brasil. De 2021 para 2025, as denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho saltaram de 190 para 1.022.

Isso não é coincidência. Quando alguém está em burnout, a procrastinação é um grito de socorro do organismo.

Os Sinais de Que Ficou Séria.

Adiar uma tarefa aqui e ali é completamente normal. O alerta dispara quando:

  • Você adia constantemente e perde prazos importantes regularmente;
  • Sente ansiedade intensa quando pensa na tarefa;
  • Alterna entre culpa, pressa e exaustão (o ciclo infernal);
  • Isso afeta seu trabalho, estudo ou relacionamentos de forma visível.

Se você está vivendo esse ciclo, saiba que não está sozinho. Dois em cada dez adultos procrastinam com frequência. Entre estudantes, esse número sobe para 70%.

O peso emocional é real também. Procrastinação constante afeta seu sono, humor e concentração. Pode levar a depressão, ansiedade aumentada e aquela sensação de incapacidade total. Prejudica relacionamentos e oportunidades profissionais. Não é pequeno.

O Lado Psicológico: O Que Freud Nos Ensina?

Pensamentos Reprimidos Voltam Como Sabotagem!

O pai da psicanálise, Sigmund Freud, afirmou algo fascinante: "pensamentos reprimidos nunca morrem, eles voltam de outras formas".

Isso explica muito sobre procrastinação. Quando você evita conscientemente lidar com emoções difíceis (medo, vergonha, sensação de incapacidade), essas emoções não desaparecem. Elas se transformam e voltam disfarçadas, frequentemente como procrastinação.

Seu inconsciente (aquela parte do cérebro que você não controla conscientemente) usa o adiamento como forma de proteção. A pessoa não adia porque quer, adia porque seu inconsciente está tentando protegê-la de emoções que seu consciente não consegue aguentar no momento.

Por isso força de vontade raramente funciona. Você não pode disciplinar conscientemente o que está sendo controlado pelo inconsciente.

Perfeccionismo: O Vilão Invisível.

Muitas pessoas procrastinam porque querem fazer tudo perfeito. E isso paralisa.

Se cometer um erro vira sinônimo de fracasso pessoal, então adiar fica mais seguro que começar. A tarefa deixa de ser "uma entrega" e vira "um teste do seu valor como pessoa".

Um projeto vira julgamento. Uma apresentação vira ameaça. Uma conversa difícil vira possibilidade de rejeição.

A pessoa não adia porque acha a tarefa sem importância, adia porque a importância ficou emocionalmente cara demais.

Estratégias Que Realmente Funcionam.

1. Comece Pequeno (MUITO Pequeno)

A regra mais importante: não espere a vontade vir antes de começar. A vontade vem depois que você começa. É assim mesmo.

Estude por 25 minutos. Escreva uma página. Faça um exercício rápido. O importante é começar, não importa se ficar ruim.

A técnica Pomodoro (25 minutos de trabalho + pausa) funciona bem porque transforma algo assustador em algo manejável. Não é "estudar para um exame inteiro", é "estudar por 25 minutos agora". Essa reconfiguração mental reduz enormemente a resistência inicial.

2. Reduza o Peso Emocional

Se o medo vem do perfeccionismo, a saída é: comece mal, mas comece.

  • Divida tarefas grandes em pedaços pequenos e visíveis;
  • Use a regra dos dois minutos: se leva menos de 2 minutos, faça agora para liberar sua mente;
  • Escreva tudo o que precisa fazer para parar de gastar energia tentando lembrar;
  • Trabalhe a autocompaixão, perdoe-se pelas falhas, em vez de se punir.

Começar mal, mas começar, é muito mais útil psicologicamente do que esperar confiança total.

3. Crie o Ambiente Certo

Ambiente importa. Muito.

Ambientes com barulho e interrupções constantes aceleram o esgotamento mental. Trabalho remoto intenso torna difícil separar tempo de descanso de tempo de trabalho, sua mente fica sempre conectada a demandas.

Solução? Reserve tempo real para descansar:

  • Durma bem e em horários regulares;
  • Faça exercício físico regularmente;
  • Tire pausas de verdade (sem celular);
  • Crie períodos de silêncio digital.

Esses cuidados recuperam o cérebro de verdade.

Quando Você Precisa Procurar Ajuda Profissional

Entender o que é procrastinação é um primeiro passo importante. Mas, às vezes, você precisa de ajuda de verdade.

Procure um profissional quando:

  • O comportamento passa a ser seu padrão de funcionamento diário (não algo que acontece uma vez ao mês);
  • Existe culpa constante e recorrente após evitar tarefas;
  • Você nota prejuízo real no trabalho ou nos estudos;
  • Experimenta ciclos repetidos de ansiedade, adiamento, culpa e exaustão.

Não é fraqueza pedir ajuda — é sabedoria.

O Que a Terapia Oferece?

Um terapeuta explora “o porquê” você adia (medo, perfeccionismo, ansiedade). Juntos, vocês encontram estratégias para lidar com emoções difíceis.

A terapia ensina:

  • Técnicas de regulação emocional;
  • Organização de rotina prática;
  • Comunicação assertiva;
  • Como tolerar erros e fracassos.

Em vez de perguntar se você é disciplinado por natureza, faz mais sentido investigar como você reage a frustração, crítica, prazos e exposição. Isso muda tudo.

Você Consegue Mudar Isso

Procrastinação não é um defeito seu. É seu corpo tentando se proteger de emoções que ficaram insuportáveis.

Reconhecer isso não é demérito, é libertador. Significa que você não está quebrado. Está simplesmente lidando com uma proteção psicológica que funcionou em algum ponto, mas agora está prejudicando.

As estratégias que funcionam — começar pequeno, reduzir o peso emocional, criar ambientes favoráveis, trabalhar a autocompaixão, não ignoram os desafios. Elas as contornam através de pequenas ações concretas.

Comece hoje: pegue aquela tarefa que está adiando e dedique 25 minutos. Só isso. Depois você para. Mas comece.

Porque depois de começar, fica mais fácil continuar — e isso é científico!


Bibliografia

CORREIO BRAZILIENSE. A psicologia diz que a procrastinação crônica em tarefas importantes não é preguiça, mas uma falha na regulação emocional. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar. Acesso em: 6 maio 2026.

CORREIO BRAZILIENSE. Sigmund Freud: pensamentos reprimidos nunca morrem. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar. Acesso em: 6 maio 2026.

G1 GLOBO. Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos. Disponível em: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/05/01/afastamentos-por-burnout-crescem-mais-de-800percent-em-quatro-anos-entenda-o-que-esta-por-tras-do-esgotamento-no-trabalho.ghtml. Acesso em: 6 maio 2026.

G1 GLOBO. Procrastinação: o que a psicologia diz sobre o hábito de adiar tarefas. Disponível em: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/04/28/procrastinacao-o-que-a-psicologia-diz-sobre-o-habito-de-adiar-tarefas.ghtml. Acesso em: 6 maio 2026.

RÁDIO TUPI. Cansaço mental impacta memória, humor e produtividade. Disponível em: https://www.tupi.fm/entretenimento/cansaco-mental-impacta-memoria-humor-e-produtividade-apontam-especialistas. Acesso em: 6 maio 2026.

TERAPPIA. O que significa procrastinar e como isso impacta o dia a dia? Disponível em: https://www.terappia.com.br/posts/o-que-significa-procrastinar-e-como-isso-impacta-o-dia-a-dia. Acesso em: 6 maio 2026.

TUA SAÚDE. Cansaço constante não é apenas falta de disposição. Disponível em: https://www.tuasaude.com/news/2026/04/27/cansaco-constante-nao-e-apenas-falta-de-disposicao-e-um-sinal-fisiologico-de-que-seu-organismo-pode-estar-operando-sob-estresse-cronico. Acesso em: 6 maio 2026.

UNIMED CAMPINAS. O que é procrastinação e o que pode estar por trás desse comportamento. Disponível em: https://www.unimedcampinas.com.br/blog/saude-emocional/o-que-e-procrastinacao-e-o-que-pode-estar-por-tras-desse-comportamento. Acesso em: 6 maio 2026.

UOL NOTÍCIAS. A psicologia explica por que quem evita iniciar tarefas simples pode estar sobrecarregado mentalmente. Disponível em: https://www.uai.com.br/uainoticias/2026/04/07/a-psicologia-explica-por-que-quem-evita-iniciar-tarefas-simples-pode-estar-sobrecarregado-mentalmente-sem-perceber. Acesso em: 6 maio 2026.

GUSTAVO QUEZADA. Técnica Pomodoro. Disponível em: https://gustavoquezada.com/tecnica-pomodoro. Acesso em: 6 maio 2026.

FOCUS NOW. Pomodoro Technique. Disponível em: https://focus-now.app/pt/pomodoro-technique. Acesso em: 6 maio 2026.

narcisismo

Espelho do Ego: Como identificar e lidar com um Narcisista.

O narcisismo real não é só arrogância ou vaidade — é um problema psicológico profundo onde a pessoa depende demais dos outros para se sentir bem consigo mesma e não consegue se conectar genuinamente com ninguém[1][6]. Se você está tentando entender se está lidando com alguém assim, este guia vai te ajudar a reconhecer os sinais e, mais importante ainda, a proteger sua própria mente.

De Onde Vem Essa Ferida: O que Freud nos Ensinou.

Sigmund Freud percebeu que o narcisismo é um estágio normal quando somos crianças, mas quando continua depois de crescer, vira um problema[1]. Mas as pessoas que estudam isso depois dele descobriram algo mais importante.

Heinz Kohut, um psicólogo famoso, percebeu que o narcisismo patológico vem de uma ferida antiga: quando a criança não recebe o cuidado e a atenção que deveria dos pais[1][4]. A criança que não é "espelhada" — ou seja, que os pais não a validam, não a veem, não mostram que ela importa — cresce tentando construir uma imagem falsa de si mesma que depende de aprovação o tempo todo para não desabar[4].

Otto Kernberg, outro especialista importante, tem uma visão diferente: ele diz que por baixo dessa imagem falsa existe raiva e inveja crônicas[1][10]. Segundo ele, quando você olha para um narcisista, está olhando para alguém que desaprova profundamente a si mesmo, mas esconde isso atrás de uma máscara de superioridade.

O importante aqui é entender: você não pode "consertar" um narcisista falando sobre o comportamento dele, porque o problema não está na razão — está nas defesas psicológicas muito antigas[1].

Os Dois Tipos: O Óbvio e O Perigoso

O Narcisista Óbvio: Fácil de Ver, Fácil de Nomear

Esse tipo é mais fácil de identificar porque ele não esconde nada[10]. Precisa constantemente que você diga que ele é incrível, coloca suas realizações em toda conversa, e fica furioso quando alguém questiona isso[2]. Ele acha que merece tratamento especial, não consegue se colocar no lugar dos outros, e só pensa em si mesmo[2].

O dano que causa é fácil de nomear porque é tão óbvio.

O Narcisista Perigoso: O Que Causa Confusão de Verdade

O problema real está no outro tipo[10]. Esse narcisista age diferente: ele parece inseguro, reclama que ninguém o entende, e se coloca sempre como a vítima[10]. Ele disfarça sua grandiosidade em fragilidade, dizendo coisas como "vocês não sabem como sofro" ou "nunca ninguém me valoriza"[10].

Este é o tipo que mexe com sua cabeça — não porque é óbvio, mas porque é difícil de nomear[17]. Ele manipula de forma indireta, com silêncio frio, culpa bem cronometrada[17]. Enquanto o outro tipo te intimida, este te paralisa porque sempre que você tem uma necessidade, ele faz você se sentir cruel por não estar cuidando dele[17].

Como Funciona a Manipulação: O Ciclo que Se Repete

A manipulação narcísica segue um padrão que se repete de forma previsível[36].

Fase 1: Idealização (Bombardeio de Amor)

No começo, você é colocado em um pedestal[36]. Você é perfeito, fantástico, a pessoa que faltava na vida dele[36]. O narcisista descobre exatamente o que você quer ouvir e se torna a pessoa dos seus sonhos[18].

Biologicamente, seu cérebro libera dopamina (o neuroquímica do prazer) e oxitocina (o neuroquímica do vínculo) em quantidade massiva[36]. Você se sente bem porque as reações do seu corpo são praticamente iguais às de estar apaixonado[36]. O problema: você está biologicamente ligado a essa pessoa antes de ter qualquer prova de que o relacionamento é perigoso[36].

Fase 2: Desvalorização: A Máscara Cai

Depois que ele tem certeza que você está preso, a máscara cai[36]. Ele começa a criticar, a distorcer as coisas que você disse, a tirar o afeto — e de repente você vira a culpada dos problemas dele[36].

Seu corpo entra em modo de alerta constante[36]. Você fica sempre nervosa, analisando o humor dele, vendo sinais de quando as coisas vão ficar ruins[36]. É como uma dança dolorosa onde os momentos bons ficam ainda mais preciosos justamente porque são raros[28]. E quanto mais rara a paz, mais você quer conquistá-la novamente[28].

Fase 3: Descarte: O Fim Brutal e Inesperado

Ele te descarta quando não precisa mais de você[42]. Frequentemente faz isso de forma que parece que você é a culpada, ou que você terminou com ele[42].

A neuroquímica que te deixava tão bem antes — dopamina, oxitocina, serotonina — cai de forma abrupta[36]. Seu corpo experimenta isso como uma tristeza profunda e simultaneamente como uma privação[36]. Muitos sobreviventes dizem que o período depois do descarte é a pior dor que já sentiram[36].

Fase 4: Hoovering: Ele Volta

Finalmente, ele volta — não porque te ama, mas porque precisa desesperadamente de atenção e validação novamente[26]. Ele pode aparecer com desculpas bem pensadas ("Fiz terapia, mudei"), ou criar uma crise que ativa seu instinto de cuidar dele, ou simplesmente aparecer em um aniversário dizendo "Ainda penso em você"[26].

Ele escolhe esse momento porque entende que seu corpo se lembra do bombardeio de amor antes de se lembrar do dano[26].

As Técnicas de Manipulação: Entendendo Como Funciona

Gaslighting: Quando Você Para de Confiar em Você Mesma

Gaslighting não é sempre dramático como nos filmes[12]. Com um narcisista enganoso, é silencioso e vai destruindo sua capacidade de confiar em você mesma[12].

É quando alguém faz você questionar sua memória, seu juízo, sua percepção — não uma vez, mas repetidamente, até você parar de confiar em si mesma[12]. O psicólogo Craig Malkin explica bem: o narcisista óbvio faz isso com força ("Você está errada, ponto final")[12]. O narcisista enganoso faz isso com preocupação ("Estou preocupado que você não está pensando direito")[12]. E porque você se importa com sua saúde mental, você acredita nele[12].

O pior é que o narcisista acredita na própria versão dos fatos — ele não está mentindo de propósito, ele genuinamente vê as coisas dessa forma[12]. Isso torna impossível confrontá-lo[12].

Projeção: Ele Bota a Culpa em Você

Projeção é quando alguém atribui a você seus próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos ruins[24]. Não é uma defesa normal — é profunda[24].

Para um narcisista, reconhecer seus próprios defeitos quebraria a imagem que ele tem de si mesmo[24]. Então ele projeta tudo — o egoísmo, a mentira, a crueldade — em você[24].

A parte importante: isso não é sobre você[24]. Você não causou a projeção, você não é responsável pelo que ele vê em você, e as coisas que ele o acusa de ser refletem muito mais sobre ele do que sobre você[24].

Triangulação: Criando Ciúmes

Triangulação é quando ele traz uma terceira pessoa para o meio (real ou imaginária) para você ficar ciumento, insegura e competindo[25]. Não é acidental[25].

Ele faz isso porque funciona: quando você fica ciumento e insegura, você fica buscando a aprovação dele[25]. Ele suga sua atenção e energia enquanto você tenta provar que é suficiente[25].

Como Se Proteger: Estratégias Que Funcionam

O Método Gray Rock: Fique Chato

Uma das melhores formas é se tornar tão entediante quanto uma pedra cinza[14][43]. O objetivo é: fique tão desinteressante que ele não quer mais se envolver com você[43].

Mantenha respostas curtas e neutras[14][43]. Quando ele quer conversar, dê respostas breves e factuais, sem detalhes[43]. Não compartilhe informações pessoais — tóxicos usam isso contra você depois[14][43]. Fale sobre clima, coisas práticas, nada de emoção[43]. Quanto menos ele sabe, menos ele tem para trabalhar[43].

Também controle seu rosto e corpo[43]. Mantenha uma expressão calma[43]. Não revire os olhos, não suspire pesadamente[43]. Fale em tom plano e desapegado[43].

Não JADE: O Poder do Silêncio

JADE significa: Justifique, Argumente, Defenda, Explique[14]. Quanto mais você explica, mais informação você dá para ele distorcer e usar contra você[14].

Mantenha a comunicação mínima[14]. Se possível, por escrito[14]. Terapeutas dizem que menos palavras = menos oportunidade dele distorcer[14]. E escrever cria um registro que ele não consegue reconfigurar depois[14].

Estabeleça Limites Firmes

Limites são essenciais[14]. Deixe claro o que você vai permitir e o que não vai[14]. Mas prepare-se: narcisistas enganosos não respeitam limites como pessoas normais[14].

Você não está aceitando disfunção como normal — você está escolhendo com o que se engaja e com o que não se engaja[14]. Assim você protege sua mente mesmo que não consiga sair do relacionamento[14].

E Se Você Está Questionando Se Você é o Narcisista?

Essa é uma armadilha comum — especialmente para mulheres empáticas, que foram programadas para carregar a culpa do abusador[32].

Faça essa pergunta: você genuinamente questiona seu impacto nos outros? Você reconhece seus erros? Você consegue se imaginar errada?[32] Se sim, você provavelmente não é narcisista[32]. Narcisistas não fazem essas perguntas porque não conseguem[32].

Na verdade, o narcisista explora exatamente isso — sua disposição de se questionar[32]. Ele te entrega sua vergonha e você recebe porque é alguém que conserta coisas[32]. Você está questionando se é narcisista não porque é, mas porque alguém manipulador conseguiu fazer você carregar a culpa dele[32].

Recuperação: Caminho Para Frente (busque o profissional para ajuda aqui)

Recuperação de abuso narcísico não é só pensar diferente — é trabalhar com seu corpo, seus relacionamentos, sua forma de pensar[22]. Terapia pode ajudar — especialmente terapia focada em trauma que processa o que você viveu[22].

Mas o trabalho real é reclamar sua capacidade de confiar em si mesma novamente[27]. Significa nomear o que foi feito, reconhecer que foi abuso, e depois escolher como seguir em frente[27].

Conclusão: Recuperando Seu Espelho

Narcisismo não é sobre ter um ego grande — é sobre ter um self frágil que se defende contra desabar[10][24][32]. O espelho que ele oferece não reflete você; reflete a necessidade dELE de validação[10][24][32].

Identificar um narcisista significa prestar atenção nos padrões, não em momentos isolados[35]. Lidar com manipulação significa se tornar estrategicamente desinteressante[14][43].

Mas mais que tudo, significa lembrar que alguém cuja ferida psicológica exige que ela esvazie a SUA, alguém cuja "cura" depende de você permanecer machucada, NÃO é seu trabalho consertar[14][30]. Seu trabalho é recuperar seu próprio espelho — aquele que reflete sua própria verdade[14][30].


BIBLIOGRAFIA

[1] Britannica. "Narcissism". Disponível em: https://www.britannica.com/science/narcissism

[2] Amaha Health. "Narcissistic Personality Disorder Symptoms, Causes and Treatments". Disponível em: https://www.amahahealth.com/blog/narcissistic-personality-disorder-symptoms-causes-and-treatments/

[4] Annie Wright. "Narcissistic Injury Explained". Disponível em: https://anniewright.com/narcissistic-injury-explained/

[6] Society for Psychotherapy. "Clinician Stigma Toward Narcissistic Personality Disorder". Disponível em: https://societyforpsychotherapy.org/clinician-stigma-toward-narcissistic-personality-disorder-implications-for-assessment-treatment-and-clinical-practice/

[10] The Brink. "Inside the Mind of a Narcissist". Disponível em: https://www.thebrink.me/inside-the-mind-of-a-narcissist/

[12] Annie Wright. "Gaslighting & The Covert Narcissist: Why Your Brain Stops Trusting". Disponível em: https://anniewright.com/gaslighting-covert-narcissist-brain-stops-trusting/

[14] Annie Wright. "How to Deal with a Covert Narcissist: Strategies That Actually Work". Disponível em: https://anniewright.com/how-to-deal-with-a-covert-narcissist-strategies-that-actually-work/

[17] Annie Wright. "4 Types of Narcissists". Disponível em: https://anniewright.com/4-types-of-narcissists/

[18] Annie Wright. "Love Bombing: The Neurobiology of the Narcissist's Trap". Disponível em: https://anniewright.com/love-bombing-the-neurobiology-of-the-narcissists-trap/

[22] Better Help. "Exploring the Concept of Narcissistic Supply". Disponível em: https://www.betterhelp.com/advice/personality-disorders/exploring-the-concept-of-narcissistic-supply/

[24] Annie Wright. "Projection & The Narcissist". Disponível em: https://anniewright.com/projection-narcissist/

[25] Annie Wright. "Triangulation & The Narcissist". Disponível em: https://anniewright.com/triangulation-narcissist/

[26] Annie Wright. "Hoovering & The Narcissist: The Pull Back". Disponível em: https://anniewright.com/hoovering-narcissist-pull-back/

[27] Annie Wright. "How to Stop Being the Family Scapegoat in a Narcissistic System". Disponível em: https://anniewright.com/stop-being-family-scapegoat-narcissistic-system/

[28] Empathi. "Trauma Bonding". Disponível em: https://empathi.com/blog/trauma-bonding/

[30] Annie Wright. "Therapist on Narcissistic Abuse Survivor". Disponível em: https://anniewright.com/therapist-narcissistic-abuse-survivor/

[32] Annie Wright. "Am I the Narcissist?". Disponível em: https://anniewright.com/am-i-the-narcissist/

[35] Annie Wright. "Narcissistic Abuse vs. Difficult Relationship". Disponível em: https://anniewright.com/narcissistic-abuse-vs-difficult-relationship/

[36] Annie Wright. "Narcissistic Abuse Cycle: Stages". Disponível em: https://anniewright.com/narcissistic-abuse-cycle-stages/

[42] Annie Wright. "The Covert Narcissist Discard: Why the Ending Feels So Confusing". Disponível em: https://anniewright.com/the-covert-narcissist-discard-why-the-ending-feels-so-confusing/

[43] Black Source Media. "The Gray Rock Method: Your Secret Weapon for Dealing with Difficult People". Disponível em: https://blacksourcemedia.com/the-gray-rock-method-your-secret-weapon-for-dealing-with-difficult-people/

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A Mente Invisível que Decide o Visível: Ansiedade e o Desempenho de Atletas de Elite.

A ansiedade de um campeão é frequentemente o segredo não dito das grandes competições mundiais. Quando a pressão atinge seu pico, nos momentos decisivos onde títulos são decididos e nações inteiras retêm a respiração, a capacidade de gerenciar emoções torna-se mais determinante que qualquer habilidade técnica. Este texto explora como a ansiedade afeta atletas de ponta, quais sinais revelam seu impacto silencioso e estratégias psicológicas fundamentadas em pesquisas universitárias e abordagens psicanalíticas para transformar esse estado em vantagem competitiva.

O Peso Invisível: A Realidade Psicológica da Competição de Elite

A realidade é crua: 38% dos jogadores profissionais de futebol relatam sintomas de ansiedade ou depressão, e estudos publicados no Journal of Applied Sport Psychology indicam que até 75% do desempenho em momentos decisivos depende de fatores psicológicos, não da técnica[14]. A Seleção Brasileira carrega disso uma experiência visceral. Após eliminações traumáticas para a Bélgica em 2018 e para a Croácia em 2022, a equipe enfrenta uma realidade psicológica complexa: não se trata apenas de qualidade técnica, mas de força mental para converter expectativa em motivação[10][10].

Neymar, exemplar ilustrativo dessa pressão, enfrentou críticas não apenas sobre lesões, mas também sobre seu desempenho, condicionamento e estado físico, refletindo como o psicológico permeia a narrativa pública dos atletas[2]. Este é um peso invisível que não aparece nas estatísticas, mas influencia decisões, confiança e comportamento do grupo. Nas Copas do Mundo, a pressão emocional volta a ganhar protagonismo especialmente em jogos decisivos, quando o peso da camisa se intensifica[10].

Pesquisadores da Universidade de Harvard, através de estudos de neurociência aplicada ao esporte, revelam que treinar sob pressão é fundamental para proteger o atleta. Quando um atleta simula a competição com estresse, incerteza e consequências reais durante treinos, reconhece a pressão e isso reduz significativamente a ativação da amígdala cerebral durante a competição[23]. Flávio Marreti, treinador de tênis nos EUA e estudante de neurociência em Harvard, evidencia que gerar pressão dentro do treino melhora e diminui a pressão dentro da competição—um princípio que ainda é negligenciado na maioria dos programas de treinamento[23].

Sinais, Sintomas e a Psicopatologia da Ansiedade Competitiva

A ansiedade pré-competitiva manifesta-se de formas variadas e frequentemente subestimadas. Os sinais clássicos incluem aumento de ansiedade antes de jogos ou práticas, perda de prazer no esporte, irritabilidade ou retraimento, problemas de sono ou dores de cabeça recorrentes, e medo de cometer erros ou decepcionar[5]. No contexto do futebol profissional, pesquisas da FIFPro revelam que 26% dos jogadores enfrentam distúrbios do sono regularmente e 23% relatam problemas de autoestima durante a carreira[14].

Fisiologicamente, quando uma pessoa enfrenta estresse competitivo, o corpo ativa sistemas de resposta que aumentam frequência cardíaca, contraem vasos sanguíneos e elevam pressão arterial[18]. Este mecanismo é natural em situações pontuais, mas o problema surge quando este estado se torna constante. O estresse crônico mantém o corpo em alerta permanente com liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina, favorecendo aumento sustentado de pressão e sobrecarga do sistema cardiovascular[18].

Em atletas jovens, os dados são igualmente preocupantes. Pesquisas clínicas mostram que 16.9% de atletas elite juvenis experimentavam pelo menos um transtorno mental no momento da avaliação, com prevalência ao longo da vida atingindo 25.1%[3]. O treinamento excessivo afeta entre 20-30% dos atletas jovens elite, com taxas mais altas em esportes individuais e entre mulheres, apresentando sinais como fadiga crônica, irritabilidade, ansiedade e desmotivação[3][11].

De perspectiva psicanalítica, a ansiedade competitiva pode ser compreendida através do conceito winnicottiano de espaço potencial. Donald Winnicott, em seus estudos sobre desenvolvimento humano, argumentava que existe um espaço entre a realidade interna (desejos, fantasias) e a realidade externa (demandas objetivas). Na competição de elite, este espaço se colapsa: o atleta é confrontado simultaneamente com suas capacidades reais e expectativas impossíveis, gerando o que Winnicott chamaria de "falha ambiental"[17]. Este conflito não resolvido manifesta-se como ansiedade performativa.

Estratégias de Intervenção: Transformando Ansiedade em Foco

A ciência do esporte moderno oferece ferramentas concretas para transformar ansiedade em vantagem competitiva. Estratégias psicológicas como respiração profunda e visualização positiva são cruciais para manter equilíbrio emocional durante competições de alta pressão[25]. A respiração consciente, especificamente, funciona recalibrando todo o sistema nervoso—técnicas como respiração diafragmática (inspirar 4 segundos, segurar 4 segundos, expirar 6 segundos) reduzem significativamente a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal[14][23].

Intervenções baseadas em mindfulness mostram-se particularmente eficazes. Reduzem ansiedade pré-jogo em até 30%, melhoram concentração durante treinos e competições, aceleram recuperação emocional após erros, e melhoram qualidade do sono[14]. Clubes europeus como Manchester City e Bayern de Munique já integram sessões regulares de mindfulness em suas rotinas de treinamento[14]. Harvard e outras universidades de ponta reconhecem agora que atletas que praticam meditação e mindfulness mantêm maior estabilidade emocional mesmo sob pressão[25].

A visualização mental, especialmente quando inclui cenários de "pior caso", prova-se um "potencializador de performance legal e pouco conhecido"[8]. Rory McIlroy, bicampeão de Masters, regularmente pergunta a si mesmo: qual é o pior que pode acontecer, e então visualiza-se lidando efetivamente com esse cenário[8]. Este tipo de mental imagery que confronta possibilidades negativas não aumenta o medo—na verdade reduz a sensação de impotência quando o "pior" realmente ocorre.

Da perspectiva psicanalítica, essas técnicas funcionam porque permitem ao atleta integrar seus aspectos mais vulneráveis e poderosos. Melanie Klein, psicanalista que revolucionou o entendimento das relações objetais, argumentaria que a ansiedade emerge do conflito entre agressividade interna (desejo de vencer) e culpa inconsciente (medo de destruição/fracasso). Quando um atleta pratica mindfulness ou visualização do pior cenário, está simbolicamente elaborando este conflito interno, transformando-o em conhecimento integrado[29].

Técnicas de respiração e presença (estar no "agora") funcionam operacionalizando o que a neurociência chama de "redirecionamento atencional"—no lugar de deixar a mente construir narrativas autodestrutivas ("não posso errar", "vou perder de novo"), o atleta pratica trazer atenção para o que realmente pode controlar naquele momento específico[8][23]. Esta é essencialmente uma reestruturação cognitiva dinâmica que encontra paralelo com a psicanálise moderna em sua ênfase na presença e aceitação das emoções em tempo real.

O Diferencial Competitivo: Quando Teorias Se Encontram na Prática

A competitividade saudável, segundo pesquisas de John Nicholls da Universidade de Stanford, diferencia-se em dois tipos: orientação para resultado (centrada na comparação com outros, em vencer) e orientação para tarefa (voltada ao próprio desenvolvimento)[13]. Atletas orientados para tarefa apresentam maior estabilidade emocional, menor ansiedade e maior persistência a longo prazo[13]. Este descobrimento transforma completamente como programas devem ser estruturados.

A Seleção Brasileira, preparando-se para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, enfrenta este desafio precisamente: convertir a cobrança massiva de uma torcida que aguarda há anos um título mundial em motivação para a tarefa, não apenas em pressão para vencer resultados[10]. A preparação mental torna-se essencial para que jogadores consigam lidar com críticas, expectativas e adversidades ao longo dos confrontos decisivos.

Intervenções cognitivo-comportamentais mostram que fortalecer identidade atlética aumenta resiliência social, reduzindo ansiedade relacionada à imagem corporal em homens, embora paradoxalmente possam aumentar ansiedade de aparência social se não devidamente monitoradas[7][7]. O desafio está em fortalecer confiança sem desenvolver fragilidade emocional—um equilíbrio psicológico delicado que requer supervisão profissional contínua.

Conclusão: O Invisível Que Decide o Visível

A ansiedade em atletas de ponta não é algo a ser eliminado, mas integrado e reorientado. Pesquisadores de universidades como Harvard, Stanford, MIT e europeus confirmam unânimemente: o fator psicológico é determinante em até 75% do desempenho em momentos decisivos[14]. A Seleção Brasileira, como muitas equipes elite, compreende agora que investir em preparação mental é tão crucial quanto treino físico.

Do ponto de vista psicanalítico moderno, especialmente através de perspectivas winnicottianas sobre espaço potencial e kleinianas sobre integração de aspectos conflitivos, a ansiedade revela-se não um sintoma a eliminar, mas uma comunicação do psique sobre necessidade de integração emocional. Técnicas de respiração consciente, visualização de cenários negativos, mindfulness, reestruturação cognitiva e suporte psicológico profissional oferecem ao atleta contemporâneo ferramentas científicas e psicologicamente fundamentadas para transformar este "peso invisível" em clareza mental e desempenho superior nos momentos que mais importam.

Neste novo contexto onde a Seleção Brasileira busca redefinir seu legado competitivo e onde atletas como Neymar enfrentam escrutínio sobre múltiplas dimensões de desempenho, a verdade permanece: o jogo começa muito antes de qualquer apito soar. Começa na mente, onde campeões ou derrotas são primeiro moldados[25].


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[2] CHOSUN ILBO. Neymar enfrenta críticas sobre desempenho e condicionamento físico. Disponível em: <https://www.chosun.com/english/sports-en/2026/04/16/E5XHRJQ5AJD3ZIEC77F33MP37M/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[3] MCCARTHY, P. Youth Sports Psychology: What Competition Actually Does to Your Child's Mental Health. Disponível em: <https://www.drpaulmccarthy.com/post/youth-sports-psychology-what-competition-actually-does-to-your-child-s-mental-health>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[5] CONNECTICUT CHILDREN'S. Growing Healthy: Youth Sports Pressure and Mental Health. Disponível em: <https://www.connecticutchildrens.org/growing-healthy/youth-sports-pressure-hurting-your-child-s-mental-health>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[7] JOURNAL OF MEN'S HEALTH. Identidade Atlética, Resiliência Social e Ansiedade de Aparência. Disponível em: <https://www.jomh.org/articles/10.22514/jomh.2025.029>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[8] PSYCHOLOGY TODAY. The Power of Negative Thinking for Athletic Performance: The Athlete's Nervous System. Disponível em: <https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-athletes-nervous-system/202604/the-power-of-negative-thinking-for-athletic-performance>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[10] BOLA VIP. Seleção Brasileira: Pressão Psicológica em Jogos Grandes. Disponível em: <https://br.bolavip.com/selecao-brasileira/pressao-psicologica-selecao-brasileira-jogos-grandes>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[11] CADERNOS CAJUÍNA. Transtorno de Overtraining em Atletas de Elite. Disponível em: <https://v3.cadernoscajuina.pro.br/index.php/revista/article/download/1708/1378/5421>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[13] PSICCOM. A Importância da Competitividade no Esporte: Orientação para Resultado vs. Tarefa. Disponível em: <https://www.psiccom.com/colunas/post/a-importancia-da-competitividade-no-esporte>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[14] FUTEBOL.WORK. Psicologia Esportiva no Futebol: Saúde Mental, Ansiedade e Desempenho. Disponível em: <https://futebol.work/psicologia-esportiva-futebol-mental/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[17] WINNICOTT, D. W. Playing and Reality. Disponível em: <https://books.google.mw/books?id=JHMdZC08HhcC&printsec=copyright>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[18] CNN BRASIL. Saúde Mental e Pressão Alta: Como o Estresse Pode Impactar o Coração. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/saude-mental-e-pressao-alta-como-o-estresse-pode-impactar-o-coracao/>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[23] YOUTUBE. Treinamento Sob Pressão e Neurociência: Redução de Ansiedade em Atletas de Elite (Flávio Marreti/Harvard). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2jgzP4rE5hU>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[25] GESTÃO DESPORTIVA. Formação de Atletas: Preparação Mental e Psicológica em Esportes de Elite. Disponível em: <https://www.gestaodesportiva.com.br/formacao-atletas.html>. Acesso em: 18 abr. 2026.

[29] G1 GLOBO. Psicanálise: O Que É e Seus Principais Autores (Instituto Especial de Conhecimento Psicanalítico). Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/instituto-especonhecimento-psicanalitico/noticia/2026/03/31/psicanalise-o-que-e-e-seus-principais-autores.ghtml>. Acesso em: 18 abr. 2026.

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Psicólogo e escritor Alexander explica o burnout: por que o esgotamento vai além do cansaço e como recuperar o equilíbrio emocional

Especialista detalha sintomas, causas e caminhos para enfrentar uma das principais síndromes ligadas ao ambiente de trabalho na atualidade

A síndrome de burnout tem se consolidado como um dos principais problemas de saúde mental da atualidade, especialmente em um cenário de alta pressão, metas constantes e cobranças no ambiente profissional. Segundo o psicólogo e escritor Alexander, o burnout não é apenas um cansaço passageiro, mas um esgotamento profundo diretamente ligado à relação do indivíduo com o trabalho.

“Trata-se de uma condição essencialmente ocupacional. O burnout está relacionado à forma como a pessoa se sente em relação ao que faz se há satisfação, identificação e segurança para exercer aquela função”, explica.

Diferente do que muitos imaginam, o problema não está necessariamente na carga horária ou no salário, mas no nível de realização pessoal e profissional. A insatisfação com as atividades, a falta de reconhecimento e até a sensação de incapacidade diante de novas responsabilidades estão entre os principais gatilhos.

“É comum que pessoas promovidas passem a apresentar sinais de burnout justamente por não se sentirem preparadas para a nova função. O crescimento na carreira nem sempre vem acompanhado de bem-estar”, destaca.

Sintomas que começam no trabalho

Entre os principais sinais estão o cansaço extremo, irritabilidade, ansiedade e, em casos mais avançados, quadros de depressão. Um ponto importante, segundo o especialista, é que os sintomas costumam estar diretamente ligados ao ambiente profissional.

“Muitas vezes, a pessoa percebe que o mal-estar surge ao iniciar a jornada de trabalho e diminui quando se afasta dele. Isso é um indicativo importante de burnout”, afirma.

Esse padrão ajuda a diferenciar a síndrome de outros transtornos emocionais, já que o esgotamento tende a estar concentrado no contexto ocupacional.

Não é sobre dinheiro

Outro mito comum é associar o burnout à remuneração. Para Alexander, essa relação não é determinante.

“Quando a insatisfação é apenas financeira, a tendência é que a pessoa busque alternativas. No burnout, o problema é mais profundo envolve propósito, reconhecimento e pertencimento”, explica.

Causas e diagnóstico

O burnout pode ter diferentes origens, mas geralmente envolve fatores como:

  • Falta de satisfação com o trabalho
  • Sensação de não estar preparado para a função
  • Ausência de reconhecimento profissional
  • Ambiente organizacional desgastante

O diagnóstico é feito a partir da escuta clínica e da análise da relação entre os sintomas e o contexto de trabalho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o burnout como um fenômeno ligado exclusivamente ao ambiente ocupacional, o que reforça a importância de olhar para o trabalho como fator central.

Como se cuidar e evitar o agravamento

Para o especialista, o primeiro passo é a conscientização. Identificar que o sofrimento está relacionado ao trabalho permite buscar soluções mais assertivas.

“Em muitos casos, mudanças no próprio ambiente profissional já fazem diferença seja trocar de função, de setor ou até de empresa. O mais importante é não ignorar os sinais”, orienta.

Ele reforça que nem sempre é necessário tomar decisões radicais. Ajustes estratégicos podem ser suficientes para recuperar o equilíbrio e a qualidade de vida.

“O fundamental é entender que saúde mental não deve ser negligenciada. O trabalho precisa fazer sentido caso contrário, o corpo e a mente vão cobrar essa conta”, conclui. Saiba mais sobre o especialista no Instagram: @alexanderbezoficial

Alexander Bez atua como pesquisador, especialista em distúrbios emocionais e é autor de quase dez livros, publicados no Brasil e no exterior, entre romances, obras de autoajuda e estudos sobre comportamento humano. Para ele, a literatura funciona como uma extensão do cuidado psicológico, alcançando leitores de forma acessível e reflexiva.

Entre os títulos estão:

  • Inveja: o Inimigo Oculto
  • O que Era Doce Virou Amargo — considerado “a Bíblia dos Relacionamentos”
  • Trilogia Encantos da Mulher: A Magia da Beleza Feminina e A Paixão e Seus Encantos (Editora Juruá)
  • What You Don’t Know About COVID-19 – The Mortal Virus (Liferich Publishing, EUA)
  • Scientific Denialism – COVID-19 Vol. 2
  • A Seita Sexual de Puff Daddy (Diddy): Fama, Poder & Dinheiro (em produção nos Estados Unidos)
  • A Magia da Sensualidade Feminina, continuação da trilogia sobre autoestima feminina.

Sobre

Alexander Bez é formado em psicologia com especialização em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia, além de especialização em Relacionamentos pela Universidade de Miami. O especialista também atua como escritor e palestrante, com foco em relacionamentos, transtornos emocionais e dinâmicas afetivas.

violencia contra minorias

A violência contra minorias e seus reflexos na mente.

Sabe aquele ditado que a gente ouve por aí: "as palavras não machucam"? Pois é, a psicanálise discorda e muito. A violência sistemática contra minorias deixa cicatrizes profundas na psique das pessoas, mexendo em coisas fundamentais como identidade e desenvolvimento. E não é só trauma pontual, não. É algo que vai marcando a gente desde cedo, se infiltrando no inconsciente. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo vêm investigando justamente isso — como mulheres vítimas de violência sexual e pessoas LGBTQIAPN+ sofrem impactos sérios na saúde mental, desde depressão até comportamentos autodestrutivos.[1] É coisa séria demais.

Quando a gente aprende a desumanizar através das palavras.

Aqui tá o ponto: a violência física é tipo o último ato de uma peça que começou bem antes. Muito antes. A psicanálise nos mostra que antes de alguém apanhar, precisa primeiro deixar de ser gente, sabe? Precisa virar "coisa", objeto.

Uma colunista do Diário do Nordeste escreveu algo que é meio assustador: "ninguém agride, viola ou mata quem reconhece plenamente como igual."[8] Isso quer dizer que a gente precisa primeiro rebaixar a pessoa através da linguagem. Mulheres em aplicativos de relacionamento sendo chamadas de "estupráveis", camisetas de certos grupos dizendo "não se arrependa", adolescentes classificando colegas por "utilidade" — tudo isso é ensaio. Treino do olhar que depois autoriza a violência mesmo.

Frantz Fanon, um psiquiatra que trabalhou com vítimas da colonização na Argélia, já tinha entendido isso nos anos 1950.[12] Ele mostrou que o racismo e a opressão colonial não machucam só o corpo, machucam o inconsciente das pessoas, deixam marcas que a gente passa para o próximo. A psicanálise precisava acordar para isso: o sujeito não é uma “ilhinha” isolada numa sala de consultório. A gente é marcado pelo contexto, pela história, pela opressão que a gente vive.

O estresse de ser minoria: quando ficar vivo já é cansativo.

Tem um termo que os pesquisadores usam — "estresse de minoria." Basicamente, é aquele cansaço crônico de estar sempre em alerta, sempre na defensiva.[1] Pessoas LGBTQIAPN+ que não se assumiram publicamente vivem nisso o tempo todo. É tipo estar sempre segurando a respiração, sabe? E isso marca, mexe com tudo.

Os números falam por si: entre pessoas trans no Brasil, a taxa de tentativa de suicídio chega a 43,1%.[4] Não é de assustar? Quando a gente vê um número desses, não é um "caso" ou outro. É evidência de que o sistema inteiro de violência está funcionando mesmo, deixando cicatrizes profundas.

Mulheres vítimas de violência sexual lidam com outra coisa bem pesada: a culpa que a sociedade coloca nelas. Estupro não é só o ato violento, é a sociedade inteira pedindo para você ficar de boca fechada, te perguntando se estava bebendo, como estava vestida. Pesquisas da UFES estão investigando como essas mulheres conseguem se recuperar disso, o que chamam de "crescimento pós-traumático", mas é tipo tirar água do poço com balde furado.[1]

Racismo na infância: quando a criança aprende cedo que não vale nada.

Tem algo que machuca mais ainda: quando a violência começa lá no comecinho da vida. Crianças negras em comunidades periféricas crescem sob impacto direto da violência urbana — perdem dias de aula porque tem confronto, deixam de tomar vacina, vivem em estado de perigo o tempo todo.[7] Tudo isso não é experiência passageira. Fica marcado no cérebro.

A pesquisa mostra que o racismo funciona como uma experiência adversa que provoca "estresse tóxico", aquele estresse que mexe com o desenvolvimento normal do cérebro da criança, afetando aprendizagem, memória, até a capacidade de lidar com emoções.[7] É como se a gente estivesse pedindo para o cérebro da criança trabalhar em sobrecarga constantemente.

E tem mais: quando crianças negras enfrentam racismo cotidiano na escola, quando a história da sua gente não aparece nos livros, quando professores ignoram comentários racistas de colegas, a criança internaliza uma mensagem muito clara: "você não pertence aqui, você não vale."[10] Isso não desaparece. Fica no inconsciente, afetando como essa pessoa se vê pelo resto da vida.

A escola que deveria proteger e acaba machucando.

As escolas civis-militares viraram exemplo disso. Tem reportagem do Ministério Público Federal mostrando que estudantes LGBTQIAPN+ e negros são perseguidos por expressar sua identidade, sofrem abordagens agressivas de policiais militares dentro de sala de aula, têm sua liberdade cerceada.[19] Isso é violência institucional disfarçada de "disciplina" e "ordem". E as crianças absorvem tudo isso.

O bullying também é assim. A gente pensa que é só imaturidade de adolescente, mas é bem mais sério. Quando meninos classificam meninas como "acessíveis" ou "estupráveis", quando adolescentes trans são impedidos de usar banheiro de acordo com sua identidade, quando a história afro-brasileira é quase invisível no currículo, tudo isso interfere radicalmente no desenvolvimento psicológico.[10] E frequentemente os adultos não veem por que a violência acontece nos espaços invisíveis das instituições.

O inconsciente racista: porque a gente não consegue tirar racismo da cabeça com argumentos.

Aqui está uma coisa meio complicada da psicanálise lacaniana: o racismo não funciona só no nível de argumentação racional. [11] Ele funciona através de fantasias inconscientes sobre o corpo do outro, sobre aquilo que "falta" ou "sobra" naquele corpo. É profundo demais para a consciência atingir com argumentos bonitos.

Isso quer dizer que combater racismo não é só levar dados e fatos para a pessoa. É descolonizar a própria psicanálise que a gente usa, trazer pensadores da diáspora africana e da ancestralidade indígena.[9] Porque o racismo está enraizado em instituições, em leis, em práticas que se apresentam como "naturais" e "inevitáveis", mas que são construções históricas mesmo.[14] E isso marca o desenvolvimento das pessoas porque define desde cedo quem merece respeito, quem pode ocupar espaços, cujo corpo é digno de proteção.

O grande desafio: transformar essa realidade.

Se a gente entende que a violência contra minorias não é só um problema individual ou familiar, mas estrutural, então a solução também precisa ser estrutural. Significa investir em formação antirracista para os professores, descolonizar currículos que apagam histórias e culturas, criar políticas de segurança pública que respeitem o desenvolvimento infantil em vez de criminalizá-lo. [7][10]

Significa também que cada um de nós precisa se olhar no espelho. Porque a gente participa dessa violência, através da linguagem que usa, das piadas que tolera, do silêncio quando alguém fala algo degradante.[8] Como aquela colunista disse bem direto: antes de agredir ou matar, é preciso deixar de reconhecer como igual. E a gente faz isso todos os dias sem perceber.

Uma psicanálise que escuta o social.

O lado esperançoso disso tudo é que pesquisadores brasileiros estão oferecendo caminhos reais. Estão investigando crescimento pós-traumático em mulheres vítimas de violência sexual, não só o sofrimento, mas também como essas pessoas conseguem desenvolver resiliência.[1] Estudam saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+ não assumidas, buscando entender as estratégias que elas usam para sobreviver em contextos de isolamento e discriminação.[1] Tudo isso aponta para uma psicanálise mais humanizada, mais próxima da realidade brasileira mesmo.

O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação de verdade, em políticas públicas, em mudanças nas instituições, em uma reconfiguração da sociedade que reconheça que todo mundo merece respeito e dignidade. Porque violência contra minorias não é só gente traumatizada que precisa de terapia. É uma sociedade inteira que precisa ser radicalmente transformada. E isso começa em casa, na escola, no trabalho, começa na gente mesmo.

Precisa de ajuda? (clique aqui) Dr. Marcio Renzo - Psicanálise e Hipnoterapia.


Fontes citadas:

[1] Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). "Pesquisas investigam impactos da violência na saúde mental de mulheres e de pessoas LGBTQIAP+."

[4] BMC Public Health. "Factors associated with transgender people mortality due to violence in Brazil (2014-2022)."

[7] O Globo/UOL. "Primeira infância e equidade: desafios do racismo, dos territórios e da segurança no Brasil."

[8] Diário do Nordeste. "A linguagem como violência, exceto quando o alvo são as mulheres."

[9] Blog Abarca Psicólogo. "Psicanálise Contextualizada."

[10] Jornal da Unicamp. "Ensino da história afro-brasileira ainda enfrenta barreiras."

[11] Juliane Mena. "Psicanálise e o Pensamento Decolonial - Racismo e subjetividade."

[12] Veja. "Filme sobre Frantz Fanon ganha data de estreia no Brasil."

[14] Scielo. "Raça e racismo: aspectos conceituais, históricos e metodológicos."

[19] Ministério Público Federal. "MPF recorre de decisão que validou regras de escolas militares."

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Infância insegura: marcas que podem (e devem) ser trabalhadas.

Por Dr. Marcio Renzo – Psicanalista e Hipnoterapeuta

A infância insegura não é catálogo de desculpas nem sentença irrevogável — é mapa de vulnerabilidades que orientam comportamentos, escolhas e relações ao longo da vida. Na clínica psicanalítica, Freud e Jung oferecem chaves diferentes e complementares para ler essas marcas: Freud nos mostra como conflitos infantis, mecanismos de defesa e repetição compulsionante moldam o destino psíquico; Jung nos indica a atuação dos complexos, da sombra e a possibilidade de individuação. Juntos, eles lembram: o que não foi simbolizado na infância tende a reaparecer na vida adulta em formas disfuncionais, até que seja elaborado.

O que a ciência recente diz.

Estudos recentes confirmam essa perspectiva clássica com dados robustos. A neurociência contemporânea demonstra que experiências infantis organizam não apenas o psiquismo, mas o próprio funcionamento neurobiológico[3]. Pesquisas mostram que experiências adversas na infância alteram a resposta do corpo ao estresse, aumentando o risco de transtornos de ansiedade. O cortisol elevado durante o desenvolvimento cerebral pode gerar uma tendência crônica à ansiedade e ao estado de alerta permanente[1], criando adultos que carregam fardos emocionais pesados e invisíveis.

Os padrões mais comuns.

Parentalização e responsabilidades precoces: Quando crianças são forçadas a desempenhar papéis de cuidadores antes do tempo biológico adequado, desenvolvem um senso de responsabilidade hipertrofiado[1]. Adultos que cuidaram de irmãos ou pais durante a infância frequentemente sentem que o mundo depende exclusivamente de seus esforços. Essa dedicação extrema resulta em exaustão física e mental que o indivíduo ignora por hábito antigo[1]. O prazer pessoal é deixado de lado em favor das necessidades alheias, gerando uma frustração silenciosa, mas muito potente.

Necessidade constante de validação: A carência de suporte afetivo durante as fases críticas do desenvolvimento deixa marcas profundas na forma como o indivíduo percebe o próprio valor[2]. Filhos de pais ausentes emocionalmente crescem em um ambiente de incerteza afetiva, onde suas conquistas e dores são frequentemente ignoradas ou minimizadas. Esse vácuo de atenção gera a crença de que o amor é condicional, conquistado apenas por um desempenho impecável[2].

Na vida adulta, a busca por validação constante aparece em parceiros, amigos e chefes, como tentativa de preencher um reservatório que nunca foi abastecido na infância[2]. No cenário profissional, essa dinâmica transforma estudantes e trabalhadores em high achievers, mas a um custo emocional altíssimo.

Medo excessivo de errar: Crianças constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta. Essa autocrítica severa acompanha o indivíduo, criando uma voz interna que cobra perfeccionismo defensivo e pune qualquer tentativa de relaxar.

Sinais visíveis da infância insegura.

Identificar os padrões de comportamento herdados de uma infância sobrecarregada permite que o indivíduo inicie um processo de cura[1]. Muitas dessas características são vistas pela sociedade como qualidades admiráveis, mas escondem sofrimento psicológico latente:

  • Hipervigilância e dificuldade em relaxar: para quem pulou etapas do desenvolvimento, o ócio é interpretado como perda de tempo perigosa[1]. Relaxar significa baixar a guarda, despertando medo irracional de que algo terrível aconteça[1].
  • Dificuldade em aceitar favores e hiperindependência: surge como escudo para evitar depender de pessoas que podem falhar ou desaparecer[1]. Muitos preferem carregar todo o peso sem pedir colaboração.
  • Dificuldade em lidar com críticas: mesmo críticas construtivas desencadeiam respostas defensivas[2].
  • Tendência a se desculpar excessivamente: por falhas triviais ou até inexistentes[2].
  • Sentimento de invisibilidade: quando não recebe atenção imediata em grupos[2].
  • Foco excessivo na produtividade: incompatível com a capacidade de descanso[1].

Como a psicanálise propõe trabalhar essas experiências.

A transformação clínica passa por mais do que recordar: exige elaboração genuína. Procedimentos centrais incluem:

  • Estabelecer um vínculo seguro: criar uma aliança terapêutica estável para permitir a emergência de conteúdos vulneráveis;
  • Livre associação e interpretação: permitir que lembranças, sonhos e atos falhos sejam trazidos à luz e elaborados;
  • Uso da transferência/contratransferência: como campo para vivenciar e reparar padrões de vinculação;
  • Identificação e flexibilização de defesas: negação, projeção, acting out;
  • Técnicas junguianas (imaginação ativa, amplificação): para integrar imagens, símbolos e a sombra;
  • Psicoeducação e ressignificação narrativa: reconstruir a história pessoal com coerência;
  • Contenção e estabilização: antes de trabalhar traumas complexos;
  • "Reparentagem": o adulto aprende a fornecer a si mesmo o acolhimento que faltou[2].

Profissionais que trabalham com abordagem psicanalítica reconhecem a singularidade de cada história e o valor de colocar em palavras aquilo que, muitas vezes, permaneceu silenciado[1]. A escuta clínica atenta busca oferecer um espaço de construção de sentido — um tempo para olhar com mais cuidado para si, reconhecer repetições, elaborar dores e criar novas possibilidades de existir[1].

Fortalecer a comunicação interna e reconhecer os próprios méritos sem a necessidade de aplausos é um exercício diário de reconstrução da identidade[2].

Por que isso importa

Marcas não elaboradas limitam criatividade, autonomia e potencial profissional; fragilizam laços e perpetuam padrões intergeracionais. A hiperindependência que surge como estratégia de sobrevivência impede a formação de vínculos profundos, pois a vulnerabilidade é interpretada como risco inaceitável[1]. Quebrar essa barreira exige vulnerabilidade e aceitação de que conexões humanas saudáveis exigem trocas e apoio mútuo constante[1].

Investir em clínica, educação parental e políticas públicas de proteção à infância é, portanto, investimento em saúde social.

Uma questão pessoal.

A infância insegura não deve ser romantizada nem ignorada. Precisamos de uma cultura que reconheça a profundidade dessas marcas e ofereça caminhos reais de elaboração. Ao aceitar que a ausência dos pais foi uma falha deles, e não um reflexo da sua insuficiência, o indivíduo libera espaço mental para construir conexões baseadas na reciprocidade real[2].

A psicanálise, ao combinar interpretação, vínculo reparador e integração simbólica, propõe um processo que transforma máculas em possibilidades de escolha. Priorizar seu equilíbrio mental é fundamental para transformar essas marcas do passado em uma força construtiva e consciente hoje[1].

No fim, a verdadeira liberdade surge quando o reconhecimento mais importante vem de dentro, permitindo que a pessoa brilhe por quem ela é, e não pelo que ela faz para agradar o mundo.


Referências Bibliográficas

Freud, S. (1923). O Ego e o Id. Edição Padrão Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.

Freud, S. (1905). Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Companhia das Letras.

Jung, C. G. (1959). A Prática da Psicanálise. Editora Vozes.

Jung, C. G. (1981). Estrutura e dinâmica da psique. Petrópolis: Vozes.

Winnicott, D. W. (1990). Natureza Humana. Imago Editora.

Lacan, J. (1978). O Seminário: livro 2 - O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da Psicanálise. Jorge Zahar Editor.

Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Volume 1 - Attachment. Basic Books.

Correio Braziliense (2024). "Segundo a psicologia, pessoas que cresceram assumindo responsabilidades cedo demais frequentemente desenvolvem estes traços na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

Correio Braziliense (2024). "Crianças que cresceram sendo constantemente criticadas pelos pais geralmente desenvolvem medo excessivo de errar na vida adulta". Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/

UAI Notícias (2026). "A psicologia afirma que a necessidade constante de validação na vida adulta pode ser um reflexo direto da falta de suporte emocional na infância". Disponível em: https://www.uai.com.br/

Rieger, P. F. (2026). "A neurociência hoje mostra que essas experiências organizam não só o psiquismo, mas o próprio funcionamento do...". Instagram, 19 de março de 2026. Disponível em: https://secure.instagram.com/poliene_fsn_rieger/

Evolution Saúde Mental (2026). "Psicólogos(a) especialistas em: terapia-individual". Disponível em: https://evolutionsaudemental.com/

Psi Consultório (2026). "Psicoterapia online em Psicanálise - Freud". Disponível em: https://psiconsultorio.com.br/

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Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida explica por que mudar hábitos é mais difícil do que acessar informação

Especialista destaca impacto do sono, riscos da Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica e o papel de pequenas mudanças sustentáveis na promoção da saúde

O acesso à informação nunca foi tão amplo, mas transformar conhecimento em prática continua sendo um dos maiores desafios quando o assunto é saúde. Para o médico Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida, o problema não está na falta de conteúdo, mas na dificuldade de aplicar esse conhecimento no cotidiano.

“Hoje, o problema não é falta de informação. As pessoas sabem que precisam dormir melhor, se alimentar melhor, se movimentar mais. O que falta é direção e consistência”, afirma. Segundo ele, a informação isolada não é suficiente para promover mudanças reais, pois não considera fatores como cansaço, estresse, ambiente e emoções. “Mudar hábitos exige reorganizar a vida. Saúde não começa com conhecimento técnico, começa com decisões simples repetidas todos os dias. É uma mudança de rumo, não um acúmulo de informação.”

Entre os pilares abordados pelo especialista, o sono ganha destaque como um regulador central do organismo. De acordo com o médico, a privação de sono desencadeia um desequilíbrio hormonal e inflamatório que impacta diretamente diversos sistemas do corpo. “Dormir mal aumenta a pressão arterial, piora o controle da glicose, favorece o ganho de peso e sobrecarrega órgãos como coração e rins”, explica. Na prática, isso eleva o risco de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, obesidade e doença renal. “O que pouca gente percebe é que dormir mal não é apenas um sintoma, mas muitas vezes uma causa silenciosa de adoecimento.”

Outro ponto de atenção é a chamada Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica (CKM), ainda pouco conhecida pelo público, mas cada vez mais presente. Segundo o especialista, trata-se de um processo progressivo que integra alterações no coração, nos rins e no metabolismo. “Os sinais de alerta incluem aumento da circunferência abdominal, pressão alta, alterações na glicose e no colesterol, além de cansaço frequente. O problema é que, no início, ela é silenciosa”, alerta. Ele atribui o crescimento da síndrome ao estilo de vida contemporâneo, marcado por sedentarismo, alimentação desregulada, privação de sono e estresse crônico.

Apesar do cenário preocupante, o médico reforça que mudanças acessíveis podem gerar impactos significativos ao longo do tempo. “Saúde não precisa começar com grandes transformações ou medidas radicais. Pelo contrário, é preciso desconfiar de soluções rápidas e milagrosas”, pontua. Entre as recomendações práticas, ele destaca respeitar horários de sono, caminhar regularmente, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e manter uma rotina minimamente organizada. “O que transforma não é a intensidade, é a constância.”

Além dos aspectos físicos, o especialista chama atenção para fatores frequentemente negligenciados, como o convívio social e a espiritualidade. “O ser humano não é só biológico. O isolamento social está associado a maior risco de doenças cardiovasculares e pior saúde mental, enquanto relações saudáveis funcionam como proteção”, afirma. Já a espiritualidade, independentemente de religião, pode contribuir para reduzir a ansiedade e melhorar a forma de lidar com o estresse. “Cuidar da saúde não é só tratar exames. Saiba mais sobre o especialista nas suas redes sociais:@nefrologistadrluiz ou @luizguilhermesapiens

Depois de anos cuidando de pessoas, o médico faz um alerta: o problema não é a falta de informação, mas a desconexão com o essencial. Foi a partir dessa constatação que nasceu o livro Cuide-se, do Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida, um convite direto para repensar hábitos e retomar o controle da própria saúde. Adquira já o seu exemplar clicando aqui.

Sobre o especialista

Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida é médico especialista em Medicina Interna e Nefrologia, com mais de duas décadas de atuação e destaque na medicina alagoana. Fundador do GAHAS (Grupo de Atenção à Hipertensão e Síndrome Metabólica) e membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, construiu sua trajetória com foco em hipertensão e saúde metabólica. Além de palestrante, autor e pai de três filhos, o especialista defende uma visão da medicina que vai além dos exames, integrando aspectos emocionais e comportamentais. Com 25 anos de experiência, reúne em sua obra uma abordagem científica e acessível sobre hábitos, sono e equilíbrio na vida cotidiana.

Equilíbrio e bem-estar em harmonia

Emagrecimento e saúde mental: porque canetas emagrecedoras, dietas e cirurgias sem acompanhamento psicológico são perigosos.

Por Dr. Marcio Renzo - Psicanalista e hipnoterapeuta.

Emagrecer virou produto: tem pacote, pílula e promessa de resultado “já”. Mas o que fica por baixo dessa pressa toda? Olhando pela lente da psicanálise — com Freud lembrando das primeiras relações com a comida e Jung alertando para os complexos de autoimagem — dá para ver que muito do que buscamos consertar no corpo é, na verdade, tentativa de remendar feridas emocionais. Comer, para Freud, não é só saciar fome: é história, afeto, consolo. Quem come para preencher um vazio ou se priva como forma de punição está lidando com algo que não cabe só numa dieta. Jung acrescenta que o espelho é cena de projeções; a insatisfação no reflexo muitas vezes remete a sombras e complexos que a pessoa tenta “consertar” com medidas, cirurgias ou remédios.

A cultura em que vivemos e as redes sociais amplificaram e aceleraram esse movimento. A beleza deixou de ser apenas ideal cultural para virar produto midiático: imagens produzidas, filtros que “corrigem” imperfeições e algoritmos que repetem o mesmo padrão até fazê‑lo parecer normal. Essa repetição constante cria sensação de urgência e falta: se todo mundo parece ter um corpo “correto” — ainda que artificialmente — a pressão para alcançá‑lo se torna quase moral. Influenciadores vendem rotinas, suplementos e procedimentos como chaves para uma vida mais feliz; o que raramente aparece nos posts são as frustrações, as recaídas e o trabalho emocional por trás de qualquer mudança duradoura. A comparação contínua alimenta ansiedade e baixa autoestima, transformando o desejo legítimo de cuidado em corrida por resultados performáticos.

Nos últimos anos, um elemento novo entrou com força nesse mercado: as chamadas “canetas emagrecedoras” — medicamentos injetáveis à base de análogos de GLP‑1 (como semaglutida) usados inicialmente para diabetes e, mais recentemente, amplamente divulgados para perda de peso. A popularidade desses fármacos foi impulsionada por relatos de perda rápida e por influenciadores que documentaram transformações instantâneas; clínicas e consultórios passaram a oferecê‑los em escala crescente.

O uso dessas canetas tem impactos psicológicos relevantes. Para algumas pessoas, a redução do peso traz alívio e melhora da autoestima; porém, quando a medicação é adotada como atalho sem trabalho emocional, tende a reforçar a ideia de que basta “corrigir” o corpo para resolver problemas íntimos. Isso aprofunda a dissociação entre imagem e história: a pessoa que não enfrentou os gatilhos emocionais continua vulnerável a recaídas, frustrações e à busca por novos procedimentos. Há ainda risco de dependência psicológica — acreditar que sem a caneta não há controle — e de agravamento do transtorno dismórfico corporal, pois a facilidade de mudar o corpo pode estimular buscas compulsivas por ajustes contínuos.

Quando intervenções no corpo — cirurgias, dietas extremas ou canetas emagrecedoras — ocorrem sem acompanhamento psicológico, os riscos se multiplicam. Fisicamente, podem surgir infecções, tromboses, complicações anestésicas, desequilíbrios eletrolíticos e desnutrição; a médio e longo prazo há alterações metabólicas e hormonais que dificultam a manutenção do peso. Psicologicamente, a ausência de tratamento deixa intactos os mecanismos que geraram o problema: compulsões persistem, culpa e vergonha se agravam, e a pessoa pode desenvolver dependência de procedimentos para regular a autoestima. A retirada ou redução do medicamento frequentemente leva a reganho de peso e frustração, alimentando um ciclo de tentativas e desespero que poderia ter sido prevenido pela escuta clínica.

A imprensa brasileira tem intensificado a cobertura sobre as canetas emagrecedoras nos últimos anos, apontando tanto potenciais benefícios quanto riscos e dilemas éticos. Reportagens recentes destacaram estudos que associam semaglutida à redução de risco para eventos cardiovasculares e ganho de qualidade de vida em pacientes selecionados, ao mesmo tempo em que noticiaram efeitos colaterais gastrointestinais, debates sobre indicação, oferta crescente em clínicas estéticas e procura por uso sem supervisão médica. Essas coberturas sublinham a necessidade de prescrição responsável, acompanhamento multidisciplinar e atenção à dimensão psicológica dos tratamentos, lembrando que eficácia clínica não elimina a necessidade de escuta e suporte (UOL VivaBem, 22/01/2025; VEJA, 22/10/2025; G1, 15/03/2026).

Em minha prática clínica, não sou contra medicamentos, cirurgias ou outros recursos quando bem indicados; o que vejo com frequência, e que me preocupa, é o uso isolado desses atalhos como promessa de solução definitiva. Tratamentos sem atenção à história afetiva e aos gatilhos emocionais tendem a gerar alívio momentâneo, seguido de frustração, recaídas e até novos procedimentos. Por isso, acredito que mudança verdadeira passa pela integração: médico, nutricionista e psicólogo trabalhando juntos. Antes de aceitar o “jeito mais rápido”, vale perguntar‑se: por que quero mudar e que vazio espero preencher? Se a resposta tocar algo além do corpo, na minha experiência clínica esse é o sinal mais claro de que a ajuda psicológica deve caminhar junto ao tratamento físico.

Não se trata de demonizar medicações ou cirurgias — quando bem indicadas e acompanhadas, podem ser ferramentas valiosas — mas de alertar contra seu uso isolado como cápsula mágica. A transformação estética pode fazer parte de um projeto de autocuidado, desde que haja escuta, avaliação e acompanhamento. Sem isso, a pressa por resultados pode transformar esperança em frustração e cuidado em risco. Enquanto redes sociais e mídia continuarem a vender milagres sem mostrar o trabalho emocional por trás deles, muitas histórias de “sucesso” terão, do outro lado, relatos não contados de recaídas, danos e esforços invisíveis. Cuidar do corpo é também cuidar da mente; só assim a mudança pode ser verdadeira e duradoura.

Referências jornalísticas citadas: UOL VivaBem (22/01/2025), VEJA (22/10/2025), G1 (15/03/2026).

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Terapias energéticas avançam no Brasil e impulsionam busca por bem-estar e autoconhecimento

Crescimento das práticas integrativas reflete nova demanda por saúde emocional e destaca nomes como a terapeuta Daniella Seabra

A busca por equilíbrio emocional, saúde mental e propósito de vida tem impulsionado o crescimento das terapias integrativas no Brasil. Dentro desse cenário, práticas energéticas como a ativação da Kundalini vêm ganhando espaço e despertando o interesse de um público cada vez mais amplo.

Entre os nomes que se destacam nesse movimento está a terapeuta goiana Daniella Seabra, que alia técnicas terapêuticas à sensibilidade artística na condução de experiências voltadas ao autoconhecimento.

Natural de Goiânia (GO), Daniella atua como terapeuta integrativa com especialização no Método AKE e na ativação da Kundalini a partir da abordagem Innerdance. Também é autora do livro “Faces”, obra que dialoga com temas ligados à identidade, emoções e percepção da realidade.

Sua atuação é voltada ao desenvolvimento pessoal e à busca por equilíbrio entre corpo, mente e energia. A proposta, segundo a terapeuta, é conduzir o indivíduo a um processo de reconexão interna, por meio de atendimentos personalizados que vão além de abordagens convencionais.

Outro aspecto que marca seu trabalho é a influência artística. Como contista pós-moderna, Daniella incorpora à prática terapêutica reflexões sobre o caos, a intensidade do presente e a busca por sentido — elementos que se manifestam na condução dos atendimentos.

O avanço das terapias integrativas acompanha uma tendência global de valorização do autocuidado e da saúde emocional. Técnicas como meditação, respiração consciente e práticas energéticas têm sido cada vez mais adotadas por pessoas que buscam reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida.

Nesse contexto, a ativação da Kundalini se destaca por sua origem ancestral, vinculada a tradições do sul da Ásia, especialmente no Yoga e no Tantra. A prática é descrita como o despertar de uma energia latente presente no indivíduo, associada à expansão da consciência e ao aprofundamento do autoconhecimento.

A ativação pode envolver diferentes técnicas, como meditação guiada, exercícios de respiração (pranayama) e posturas corporais (asanas), que atuam de forma integrada para promover relaxamento, foco mental e equilíbrio energético.

Com uma abordagem que une técnica, sensibilidade e expressão artística, Daniella Seabra representa uma nova geração de terapeutas alinhados às demandas contemporâneas por equilíbrio, propósito e bem-estar. Em um cenário em que o cuidado com a saúde mental ganha cada vez mais relevância, práticas integrativas reforçam a busca por uma vida mais consciente e conectada.

Daniella Seabra

Terapeuta Integrativa

CRTH-BR 14552