hipnoterapia

Emagrecimento e saúde mental: porque canetas emagrecedoras, dietas e cirurgias sem acompanhamento psicológico são perigosos.

Por Dr. Marcio Renzo - Psicanalista e hipnoterapeuta.

Emagrecer virou produto: tem pacote, pílula e promessa de resultado “já”. Mas o que fica por baixo dessa pressa toda? Olhando pela lente da psicanálise — com Freud lembrando das primeiras relações com a comida e Jung alertando para os complexos de autoimagem — dá para ver que muito do que buscamos consertar no corpo é, na verdade, tentativa de remendar feridas emocionais. Comer, para Freud, não é só saciar fome: é história, afeto, consolo. Quem come para preencher um vazio ou se priva como forma de punição está lidando com algo que não cabe só numa dieta. Jung acrescenta que o espelho é cena de projeções; a insatisfação no reflexo muitas vezes remete a sombras e complexos que a pessoa tenta “consertar” com medidas, cirurgias ou remédios.

A cultura em que vivemos e as redes sociais amplificaram e aceleraram esse movimento. A beleza deixou de ser apenas ideal cultural para virar produto midiático: imagens produzidas, filtros que “corrigem” imperfeições e algoritmos que repetem o mesmo padrão até fazê‑lo parecer normal. Essa repetição constante cria sensação de urgência e falta: se todo mundo parece ter um corpo “correto” — ainda que artificialmente — a pressão para alcançá‑lo se torna quase moral. Influenciadores vendem rotinas, suplementos e procedimentos como chaves para uma vida mais feliz; o que raramente aparece nos posts são as frustrações, as recaídas e o trabalho emocional por trás de qualquer mudança duradoura. A comparação contínua alimenta ansiedade e baixa autoestima, transformando o desejo legítimo de cuidado em corrida por resultados performáticos.

Nos últimos anos, um elemento novo entrou com força nesse mercado: as chamadas “canetas emagrecedoras” — medicamentos injetáveis à base de análogos de GLP‑1 (como semaglutida) usados inicialmente para diabetes e, mais recentemente, amplamente divulgados para perda de peso. A popularidade desses fármacos foi impulsionada por relatos de perda rápida e por influenciadores que documentaram transformações instantâneas; clínicas e consultórios passaram a oferecê‑los em escala crescente.

O uso dessas canetas tem impactos psicológicos relevantes. Para algumas pessoas, a redução do peso traz alívio e melhora da autoestima; porém, quando a medicação é adotada como atalho sem trabalho emocional, tende a reforçar a ideia de que basta “corrigir” o corpo para resolver problemas íntimos. Isso aprofunda a dissociação entre imagem e história: a pessoa que não enfrentou os gatilhos emocionais continua vulnerável a recaídas, frustrações e à busca por novos procedimentos. Há ainda risco de dependência psicológica — acreditar que sem a caneta não há controle — e de agravamento do transtorno dismórfico corporal, pois a facilidade de mudar o corpo pode estimular buscas compulsivas por ajustes contínuos.

Quando intervenções no corpo — cirurgias, dietas extremas ou canetas emagrecedoras — ocorrem sem acompanhamento psicológico, os riscos se multiplicam. Fisicamente, podem surgir infecções, tromboses, complicações anestésicas, desequilíbrios eletrolíticos e desnutrição; a médio e longo prazo há alterações metabólicas e hormonais que dificultam a manutenção do peso. Psicologicamente, a ausência de tratamento deixa intactos os mecanismos que geraram o problema: compulsões persistem, culpa e vergonha se agravam, e a pessoa pode desenvolver dependência de procedimentos para regular a autoestima. A retirada ou redução do medicamento frequentemente leva a reganho de peso e frustração, alimentando um ciclo de tentativas e desespero que poderia ter sido prevenido pela escuta clínica.

A imprensa brasileira tem intensificado a cobertura sobre as canetas emagrecedoras nos últimos anos, apontando tanto potenciais benefícios quanto riscos e dilemas éticos. Reportagens recentes destacaram estudos que associam semaglutida à redução de risco para eventos cardiovasculares e ganho de qualidade de vida em pacientes selecionados, ao mesmo tempo em que noticiaram efeitos colaterais gastrointestinais, debates sobre indicação, oferta crescente em clínicas estéticas e procura por uso sem supervisão médica. Essas coberturas sublinham a necessidade de prescrição responsável, acompanhamento multidisciplinar e atenção à dimensão psicológica dos tratamentos, lembrando que eficácia clínica não elimina a necessidade de escuta e suporte (UOL VivaBem, 22/01/2025; VEJA, 22/10/2025; G1, 15/03/2026).

Em minha prática clínica, não sou contra medicamentos, cirurgias ou outros recursos quando bem indicados; o que vejo com frequência, e que me preocupa, é o uso isolado desses atalhos como promessa de solução definitiva. Tratamentos sem atenção à história afetiva e aos gatilhos emocionais tendem a gerar alívio momentâneo, seguido de frustração, recaídas e até novos procedimentos. Por isso, acredito que mudança verdadeira passa pela integração: médico, nutricionista e psicólogo trabalhando juntos. Antes de aceitar o “jeito mais rápido”, vale perguntar‑se: por que quero mudar e que vazio espero preencher? Se a resposta tocar algo além do corpo, na minha experiência clínica esse é o sinal mais claro de que a ajuda psicológica deve caminhar junto ao tratamento físico.

Não se trata de demonizar medicações ou cirurgias — quando bem indicadas e acompanhadas, podem ser ferramentas valiosas — mas de alertar contra seu uso isolado como cápsula mágica. A transformação estética pode fazer parte de um projeto de autocuidado, desde que haja escuta, avaliação e acompanhamento. Sem isso, a pressa por resultados pode transformar esperança em frustração e cuidado em risco. Enquanto redes sociais e mídia continuarem a vender milagres sem mostrar o trabalho emocional por trás deles, muitas histórias de “sucesso” terão, do outro lado, relatos não contados de recaídas, danos e esforços invisíveis. Cuidar do corpo é também cuidar da mente; só assim a mudança pode ser verdadeira e duradoura.

Referências jornalísticas citadas: UOL VivaBem (22/01/2025), VEJA (22/10/2025), G1 (15/03/2026).

Especialista fala sobre hipnoterapia e faz alerta importante

Especialista fala sobre hipnoterapia e faz alerta importante

    Marcio Rogerio Renzo, é Psicanalista/Hipnoterapeuta e Fisioterapeuta. Pós-graduado em Neuropsicologia, Psicanálise Clínica Avançada, Geriatria e Gerontologia, Oncologia e Terapia Cognitivo-Comportamental, além de possuir diversos cursos na área de saúde. Especialista em Hipnose Clínica, com dupla certificação. Major do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, tem pautas ligadas à saúde e bem-estar e podcast também sobre saúde e bem-estar e, possui diversos artigos publicados, participações em programas e entrevistas em vários veículos de comunicação (revistas, sites, jornais...).

     Em meio a tantos casos relacionados a saúde mental e emocional, que eu tive um bate-papo com o especialista, Marcio Rogerio Renzo. Na oportunidade, o entrevistado, discorre amplamente, sobre os benefícios da hipnoterapia e faz um alerta.

O que é Hipnoterapia?

  R:  A hipnoterapia é a técnica que se utiliza da hipnose como base para o tratamento de diversos problemas relacionados à saúde mental e física também. Dentre os problemas relacionados à saúde mental podemos citar: traumas, fobias, medos, ansiedade, depressão e transtornos diversos. No campo da saúde física, podemos apontar: fibromialgia, quadro de dores crônicas diversos, emagrecimento, entre outros.

  - A hipnose, ao contrário do que muita gente acha, é um processo natural da mente e temos o contato com este estado em diversos momentos em nosso dia a dia. Quando procuramos pelas chaves e percebemos que elas estão em nossa mão; quando assistimos a um filme e nos emocionamos com uma cena, rimos, ficamos eufóricos etc.

   - Outro ponto importante de se divulgar é que durante a sessão de terapia o paciente permanece consciente o tempo todo, portanto, tem consciência de tudo o que está sendo tratado e abordado na sessão.  Não há perda de consciência, risco de o paciente fazer algo que não queira.

  -  Cabe salientar também, que a hipnoterapia é reconhecida como prática pelos conselhos de Medicina, Psicologia e Fisioterapia. Em 2018 foi reconhecida pelo Ministério da Saúde e acrescentada à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e autorizado o seu uso no Sistema Único de Saúde (SUS).

Quais os principais benefícios da hipnoterapia para a saúde emocional?

    R: Os benefícios são imensos, uma vez que não há efeitos adversos, colaterais ou mesmo contraindicados, tendo que apenas ter alguns cuidados com determinados tipos de pacientes que possuem alguns problemas, como por exemplo, em pacientes que possuem quadros epiléticos.

Em quais casos é recomendável a hipnose clínica?

   R:  Podemos recomendar a hipnoterapia para pacientes que buscam: aumento da autoestima, redução de quadros depressivos e ansiosos, superação de fobias e traumas, eliminação de vícios, sentimentos de procrastinação, melhora no desempenho profissional e pessoal, emagrecimento, entre outras.

Quais os riscos da hipnoterapia? Ela é perigosa? Como a pessoa pode saber se o profissional que faz hipnoterapia é sério?

    R: Não há risco, desde que executada por profissional capacitado. Como estamos falando de lidar com mente humana e comportamentos, temos que avaliar consequências que poderão surgir ou outro fator ou situação, que não foi relatada pelo paciente durante a avaliação. Portanto, o profissional hipnoterapeuta tem que estar apto a lidar com tais intercorrências. A técnica em si não tem perigo algum.

  -  Podemos nos precaver de possíveis problemas durante o atendimento, buscando conhecer a formação do profissional escolhido, quais recursos de que ele dispõe em sua formação.

Ultimamente no pós-pandemia como têm sido a demanda de pessoas que procuram pelo seu atendimento?

   R: A pandemia causou um verdadeiro “boom” nos casos de transtornos mentais ligados à depressão e ansiedade, representando um aumento de cerca de 26 e 27% de aumento, somente em 2020. Desta forma, tem-se observado um grande aumento na procura do serviço pelos pacientes. A hipnoterapia tem sido uma ótima opção por se tratar de uma técnica com uma resposta rápida. Muitos são os questionamentos sobre o custo-benefício em relação à técnicas diversas, pois apesar de ser um pouco elevada à primeira vista, o período de tratamento é reduzido em comparação com outras técnicas de aplicadas aos mesmos casos.

Quais as suas redes sociais?

R: Posso ser encontrado pelas seguintes redes sociais:

Instagram: @marcior.renzo

Facebook: marcior.renzooficial

Site: www.marciorenzo.com.br

WhatsApp: (11)  9830 - 62726

Quais as suas considerações finais?

    A saúde mental muitas vezes é esquecida por não ter sinais e sintomas evidentes como na doença física, mas os estragos são tão ou mais devastadores. Portanto, sentiu que algo não está bem, procure um profissional de sua confiança, mas busque ajuda enquanto é tempo. Quanto antes iniciar o tratamento, melhores serão as perspectivas de melhora e restabelecimento de sua saúde, seja física ou mental.

            Foto: divulgação